WOM Reviews – Yawning Man / Ovtrenoir / Horehound / Godsend / Highfront / Rotting Kingdom / Fordomth / The Obsessed

WOM Reviews - Yawning Man / Ovtrenoir / Horehound / Godsend / Highfront / Rotting Kingdom / Fordomth / The Obsessed

Yawning Man – “Live At Giang Rock”

2020 – Heavy Psych Sounds

Este parece ser o tipo de concerto que mais caracteriza o ano de 2020: sem público. Ao menos os Yawning Man fizeram-no em grande estilo. Foram para o deserto Mojave e tocaram um alinhamento único da sua música, tornando-a ainda mais grandiosa. Esta é uma zona mística, tanto para os indígenas como para ufologistas, cientistas ou simplesmente turistas, e é um sítio onde a banda já queria tocar há muito tempo. Ao melhor espírito “Live At Pompeii”, mítico vídeo dos Pink Floyd, a banda traz-nos quase uma hora de música instrumental que assume aspectos transcendentes quando conjugada com a paisagem que está à volta da banda. Começa com a imagem do gerador a ser ligado. Sem palavras, apenas música e imagem, som e luz. Algo que pudemos apreciar, em todo o seu esplendor. Como disse, transcendente. O Cd tem mais um tema em relação ao DVD, pelo que a aquisição dos dois é mais que obrigatória.

9/10
Fernando Ferreira

Ovtrenoir – “Fields Of Fire”

2020 – Consouling Sounds

O que começou em 2013 por ser um projecto acústico foi-se lentamente transformando numa assertiva e sólida proposta de Post-Metal, falo dos Franceses Ovtrenoir que passados sete anos vêm finalmente lançado o seu álbum de estreia ‘Fields Of Fire’. Tal como os suecos Gloson ou os Norte-Americanos Morne também os Ovtrenoir têm um conceito musical assente num moderno Post-Metal com indutivas e consequentes influências de Sludge Metal. ‘Fields Of Fire’ é indiscutivelmente uma das excelentes supressas de 2020, o álbum carrega um árido e dissonante ambiente claramente inspirado pelos emblemáticos Neurosis por entre riffs crus, corpulentos e imponentes acompanhados por um compassado ritmo de bateria e uma emotiva e desesperante vocalização. Destaco não só a magnificência de ‘Echoes’, um massivo e inviolável muro de Sludge suturado com um contante e dinâmico eco de Post-Metal como também os indícios de um emocional e intenso Doom nas faixas ‘Those Scares Are Landmarks’ e ‘I Made My Heart A Field Of Fire’ talvez as duas melhores faixas do álbum. Ovtrenoir apresentam neste seu álbum de estreia argumentos mais que suficientes para projectarem uma distinta e consistente carreira.

8/10
Jorge Pereira

Horehound – “Holocene”

2018 – Doom Stew Records

É interessante reparar como um género que muitas vezes é citado como aborrecido como o doom consegue ser tão diverso. Símbolo dessa dinâmica temos os norte-americanos Horehound que juntam uma toada miserabilista à sua música e dotam-na de uma mística impressionante. A voz de Shy Kennedy ajuda, e muito, a que isso também se consiga atingir. Um groove fantasmagórico que se instala lentamente, como uma dança de sedução que somos envolvidos quase sem nos apercebermos. Não é imediato o fascínio mas é inevitável, como a própria passagem do tempo.

8/10
Fernando Ferreira

Godsend – “As The Shadows Fall”

1993/2020 – Petrichor/Hammerheart Records

Os Godsend sempre apresentaram uma sonoridade única do doom metal. Nalguns momentos encaixam perfeitamente no estilo em questão enquanto noutros parece que viviam num mundo completamente à parte. Tendo em conta que este álbum foi lançado em 1993, essa vertente fora da caixa surgia aqui como uma verdadeira surpresa. Nada mais justo repescar agora esse trabalho para tentar apreciá-lo aos olhos de hoje. As influências mais suaves do progressivo estavam muito bem infiltradas nesta estreia e surgiam lado a lado com os riffs lentos e monocórdicos. Talvez de uma forma muito abrupta, sentido-se que estamos perante duas bandas diferentes ainda que com muito em comum. Não deixa de ser um marco do género, a antever a direcção que bandas como Anathema e Katatonia iria seguir (apenas citar dois exemplos). Também é, supostamente, o primeiro trabalho que Dan Swäno canta com voz limpa. A reedição conta também com os temas demo que são puro Doom. Só eles valem a pena esta reedição.

7.5/10
Fernando Ferreira

Highfront – “Psychotic Bliss”

2020 – Edição de Autor

Músculo. Até parece que nos faz crescer os bíceps este EP dos Highfront, tal não é a raça que despejam em cima de nós nestes quatro temas. Algures entre o metal e o alternativo, com aquele feeling stoner e sludge (e até southern rock), com algumas lembranças de nomes como Godsmack, mas trazendo para cima de nós também uma identidade minimamente formada. Bom som e boa banda. Quer-se mais.

7.5/10
Fernando Ferreira

Rotting Kingdom – “A Deeper Shade of Sorrow”

2020 – Boris Records

Os Rotting Kingdom são uma banda americana de doom metal que apresentou no passado Março, o seu álbum de estreia. A Deeper Shade of Sorrow é já uma descrição perfeita da aura que esta banda transmite com o seu mais recente trabalho. Constituído por 6 faixas de brutalidade, este álbum explora a depressão de se ver beleza mergulhada na pútridão de um mundo à beira do colapso. Apesar de esta ser uma descrição mais inclinada ao retrato total da humanidade, o seu conteúdo lírico prende-se bastante ao aspeto do indivíduo na queda do abismo da imoralidade. Em termos vocais, a banda parece tirar dicas de algumas das bandas que os antecederam, como por exemplo o uso de vocal bastante grave limpo na enunciação de palavras mais pensativas. Já em relação aos restantes elementos, a composição musical mistura um pedaço do doom antigo com o doom mais comum nos dias de hoje, existindo uma combinação de elementos mais raw do vocal e de elementos mais explosivos, mas ordenados por parte da guitarra e bateria. Fazendo jus ao seu nome, a sonoridade acaba por recair um pouco no aspeto repetitivo, contudo, trata-se de um daqueles casos que não causa muito inconveniente devido à diferenciação fornecida pelo vocal bastante presente, mas dinâmico na sua existência. Como de costume, o doom é aquele estilo de chocolate amargo que ou se adora ou se detesta, portanto este continua a ser um álbum que requere um gosto prévio pelo estilo do doom metal.

7/10 
Matias Melim

Fordomth – “I.N.D.N.S.L.E.”

2018 – Endless Winter

Bem vindos ao mundo negro dos Foromth, uma entidade que vive para espalhar miséria humana. A sonoridade da banda actualmente é mais negra do que isto – embora tenha de dizer que é difícil imaginar que fique mais negro do que esta quase hora de música – mas aqui aquilo que apresenta é mesmo funeral em todo o seu esplendor. Este não é um estilo que seja fácil de dominar. Quer para quem o pratica quer para quem gosta de o apreciar. Podemos dizer que o talento dos Fordomth é nato, já que conseguem criar uma atmosfera bem densa e sufocante. Não vos vou mentir e dizer que este será um disco para ouvir todos dias – tal até deve ser pouco recomendável, mesmo com o uso em profusão de ansiolíticos. Este é mesmo um trabalho que nos deixará derreados mas que nem por isso não deixa de apresentar melodias (macabras mas não deixam de ser melodias). Difícil de absorver, é um desafio que os fãs do funeral doom vão gostar de abraçar – sobretudo na faixa de quase vinte e cinco minutos, “Abyss Of Hell”. Falta-lhe um bocado de finesse, mas com esta classe em espalhar miséria, até que lhes perdoamos.

7.5/10
Fernando Ferreira

The Obsessed – “Incarnate (Ultimate Record Store Day Edition)

1999/2020 – Blues Funeral Recordings

Reedição desta compilação de faixas bónus e raras dos The Obsessed, num altura em que tinham cessado actividades. Temos agora esta colecção de temas recuperada para os coleccionadores que ansiavam ter em vinil este conjunto de raridades. Esse é o grande chamariz (e o facto de ter sido remasterizado) para este trabalho que apesar de ter todo o charme inerente do proto-heavy/doom metal dos The Obsessed não tem argumentos para prender a nossa atenção durante muito tempo. Para os amantes e aficionados do fuzz e do doom.

6/10
Fernando Ferreira

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