WOM Sound Of Thunder – HochiMinH – “Wasted” / “Scars”

No passado dia 20 de Setembro tive o privilégio de poder ir assistir à estreia, em primeira mão e ao vivo, de dois novos temas da banda do carvão, os HochiminH. Estiveram em concerto com The Voynich Code e Enblood no Musica Box Nem sempre temos a oportunidade de escutar desta forma, pela primeira vez as músicas. O impacto é tanto sonoro como visual. A nossa análise acabou por ser um pouco influenciada pela prestação da banda.em palco. Neste caso em particular, chamamos também a atenção que, sendo ao vivo, não está reflectida a qualidade de gravação em estúdio e não será certamente este o produto final a 100%. A mixagem e masterização ainda estão em processo, de acordo com informação veiculada na página da banda.

“Wasted” 

“Wasted… it seems to be…
Everything I did was
wasted can´t you see?”
Primeiros acordes, e sabemos logo ali que vem aí bomba. A bateria entra logo a matar. Muito presencial pelo tema todo, a par das máquinas, que para mim, sobressaíram imenso, talvez influenciado pelo facto de ser ao vivo. E entram as guitarras, sempre velozes e em modo de “fuga”, porque, para mim o tema todo soa e faz-me sentir uma vontade de fugir para longe, mas ao mesmo tempo querer ficar. Estando perto do baixista Pedro Reis, claro, o que escutei acima das guitarras foi o baixo, dada a proximidade do monitor. Tenho que reservar uma análise mais fiel para quando for lançada a versão de estúdio, que a banda informou no concerto estar prevista para o ano que vem. Continuando em frente e na continuidade do tema, o que surpreendeu foi a sua secção rítmica. Contagiante, barulhenta e de fazer mexer o corpo todo. Estamos nós sossegados a pensar que será algo linear e não, temos logo ali uma mudança rítmica, por volta do final do primeiro minuto, que a mim me agarrou logo, visto que passa a ser um ritmo de bater o pé. Mais uma vez, a bateria tem uma presença mesmo impactante. Dentro das mudanças rítmicas, temos ali partes dramáticas, de deliciar em absoluto, e melodias que entram no ouvido e ficam. As máquinas complementam e enaltecem todo o tema. Relativamente às vocalizações de João Ramos, é de minha opinião pessoal que este tema tem uma riqueza vocal muito grande. Apesar de suspeita, gosto de ser honesta. Novas vocalizações, que agradam, mudanças de tom agrestes e que imprimem o dinamismo necessário a um tema que nos dá vontade de correr e pular. Sempre com uma voz, que tem tanto de besta como de anjo, pronta a marcar qualquer tema de HochiminH. Aqui, particularmente, dá todo o dramatismo necessário ao tema. Terá algo também de raiva recalcada por ali em algumas partes? Especialmente aquele rosnar de palavras pelo meio do tema: “When somebody // Tries to keep us apart”, de arrepiar, parecem garras a rasgar a pele. Como sempre, entrega-se de coração ao que canta e, até com os seus gestos e posições nos conta uma história. Podemos dizer do tema isto: as mudanças de ritmo, o compasso, as partes dramáticas.. contagiante, só dá vontade de me atirar de cabeça numa dança louca. O refrão é fácil de memorizar e fica mesmo na cabeça e a voz é sempre o que fecha com chave de ouro os temas da banda. Foi um “instant favourite” é um tema que agarra logo ali. Ou se gosta ou se detesta. Acredito que será um sucesso e se é um vislumbre do que aí vem, candidatam-se seriamente a ter um dos melhores álbuns do ano, porque sente-se aqui uma evolução, um caminho ou um rumo diferente do que fizeram até agora. Mais power, mais fúria no som, mais contundente e pesado q.b.

“Scars”

“We all look at the stars
We are full of scars
Afraid we get lost
We forget our friends and feel lost…”
Começa o tema, entra o som das máquinas a desafiar-nos para um ritmo muito melódico e rapidamente lavamos um estalo na cara. Melódico o quê? Espera aí. Levamos com uma rajada de bateria e com uns berros por parte de João Ramos, o vocalista, que, logo ali nos diz que isto não vai ser somente bonitinho. Mais uma vez, pauto-me por analisar no que um som, uma voz, um ritmo me faz sentir. Este tema é tão contraditório que não sei se o hei-de anunciar como um tema inspirador ou como uma bomba sonora. Tem sim, um ritmo que tem tanto de veloz como é pautado por partes melódicas muito bem inseridas. Mais uma vez, um toque de bateria muito presencial e com um ritmo veloz, veloz, veloz como gosto. Já agora, aproveito para deixar a indicação que neste concerto já foi a performance de David que escutamos e que é o novo baterista e que substituiu com grande categoria o anterior baterista, João Pina, que entretanto teve que fazer uma pausa na sua vida musical.
Voltando ao tema em si, sinto, da minha parte, que a carga emotiva do tema é grande. Os riffs de guitarra são bem velozes e ao contrário do que é costume, desta vez pude verificar in loco a forma como são tocadas as cordas pelos respectivos guitarristas, João Rosa e António Aresta. João Rosa, como de costume, dedilha ali no braço da guitarra e sacode a mesma com fúria. O tema pede isso. Ao espreitar o Aresta só vejo aqueles dedos da mão esquerda a dedilharem as cordas de forma veloz e rápida. Pedro e seu o baixo arrematam e unem sempre a sonoridade HochiminH, ou não fosse esta uma banda que tem um som de baixo sempre bem presente. Penso que, dada a minha análise aqui incluir também a componente visual, deva também falar da forma como são tocados os instrumentos, visto que todos contribuem com um pedaço de si na performance e naquilo que é transmitido como um todo pela banda. Na parte de melodia, se forem aos 1.50 do vídeo, escutarão ali a inserção de uma secção rítmica e melódica, que eu, quando fecho os olhos imagino alguém a correr que nem um louco. Brilhante. Apesar da “Wasted” ser um “instant favourite”, este tema, para mim é um que me leva num carrossel de emoções e que me deixou embevecida e rendida. Daí a ambiguidade de ser algo inspirador ou uma bomba sonora. Esperei desde essa altura que a banda pudesse disponibilizar as letras, as quais já me disponibilizaram e sim, pude comprovar que tudo o que senti ao escutar pela primeira vez e nas subsequentes, na filmagem que fiz, arremata perfeito com as letras. Agora, o que é que me agarrou neste tema? A voz. Surpreende a capacidade de imprimir sentimentos na voz e induzir isso em quem escuta. Aqui, o vocalista João Ramos leva-nos por uma miríade de emoções, desde sentir a raiva e desprezo nos primeiros momentos, aos berros de aviso, até às partes melódicas de arrancar suspiros até ao mais empedernido.  Voltando a escutar já em casa, fora do ruído de um concerto e de auscultadores aí sim, sente-se bem as emoções na sua voz. As minhas partes favoritas são realmente o refrão: “We all look at the stars // We are full of scars // Afraid we get lost // We forget our friends and feel lost…” aí o tom de angústia encaixa perfeito e quem é que não se sente conectado com essa letra? Depois, porque temos aqui uma besta e não um anjinho, dá-nos ali em “Safe, Far, Runaway from the light, Runaway” um rugido profundo e tão bruto que eu, na altura do concerto, até estremeci. (senti-me uma gazela pronta a fugir ao escutar o rugido do leão). Até a forma de se posicionar é agressiva, e visualmente falando, mostrou tudo com os gestos do seu corpo e expressões na face. Toda a banda apresentou uma forma diferente de estar em palco. João continua a deliciar com os berros que dá e senti que, mesmo assim, levou em consideração os fãs que gostam de vocais mais limpos e deu-lhes este mimo em forma de orgia sonora. Sim, desculpem lá a expressão, mas é o que penso. Aproveitem e vejam aí a filmagem que obteve o “ok” por parte da banda, no que diz respeito à qualidade do som e imagem, dado que não quereríamos apresentar-vos algo que não reflectisse o lado bom deles. Recomenda-se vivamente que aguardem pelo álbum com tanto entusiasmo quanto eu.
Nota final: Voltaremos a analisar com mais detalhe assim que o álbum sair. Pedimos que levem em conta que é filmado ao vivo e que não reflecte o produto final, mas queríamos levantar o véu e dar-vos um teaser do que aí vem e que, para mim, vai arrasar com tudo e que nem as cinzas sobram!! A palavra de ordem será “obliterar”. Esta é a minha opinião pessoal e não reflecte nada do que a banda venha a anunciar de futuro. Sei tanto quanto vocês.
10/10
Sabena Costa


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