WOM Tops – Top 20 Brutal Death/Grindcore Albums 2019

WOM Tops - Top 20 Brutal Death/Grindcore Albums 2019

Estamos quase a chegar ao final da nossa longa caminhada e adoramos deixar para o final as sonoridades mais extremas e violentas. Este é dos únicos tops onde temos pelo menos cinco álbuns que qualquer um deles poderia ser considerado álbum do ano. Aliás, merecia ser considerado álbum do ano. A escolha recaiu apenas num, por que só pode haver um mas podem considerar qualquer um dos outros como estando ao mesmo nível. Ou muito perto. Avancemos!

20 - Meathook – “Crypts, Coffins, Corpses”

Unmatched Brutality Records

Para já, há qualquer coisa de bruta num nome como Meathook. Implica logo que vêm aí carnificina da grossa. Depois os Meathook já estavam a dever alguma brutalidade, tendo apenas quebrado o silêncio desde 2012 apenas com a demo do ano passado, o que faz com que houvesse alguma expectativa em relação ao que iriam apresentar. Não é surpresa nenhuma quando constantamos que a banda continua a debitar death metal bruto dos queixos como gente grande. Sim, a sua vertente é aquela em que não difere muito de tudo o que já ouvimos antes e sim, é precisamente o que queríamos. Quem gosta sabe o porquê. Quem não gosta, nunca vai perceber.

Fernando Ferreira

19 - Devourment – “Obscene Majesty”

Relapse Records

Estes são um dos clássicos, que nos são trazidos por uma das editoras mais clássicas no que à barulheira diz respeito. Os Devourment estiveram seis longos anos ausentes mas essa ausência não os fez afastar da sua sonoridade clássica. Aliás, muito pelo contrário já que este álbum marca o regresso de Brad Fincher (bateria), que em conjunto com Ruben Rosas (vocalista) são os únicos membros originais. Death metal bruto dos queixos (ou slam para quem acha piada ao termo) e bem downtuned que se mostra bem refiniado, principalmente numa altura em que atinge as duas décadas o lançamento de “Molesting The Decapitated”, a estreia da banda. Com aquele toque de classe, “Obscene Majesty” mata as saudades em grande. Literalmente!

Fernando Ferreira

18 - Depraved Murder – “Manifestation”

Comatose Music

Lembram-se quando se olhava com alguma suspeita tudo o que fosse oriundo da Ásia? Normalmente o foco era no death metal brutal ou no goregrind mas a qualidade, na sua maioria, nunca foi convincente. Os Depraved Murder provam que os tempos são realmente outros. Este álbum, o seu segundo, traz-nos em menos de meia hora um furacão de death metal ao qual os fanáticos ficam logo reféns. Não se pense na originalidade – seria ingénuo pensar nisso – mas sim na forma como conseguem tornar um género que em termos criativos tem a tendência a ficar encerrado a um canto. Boas dinâmicas e excelente produção num álbum que tem capacidade para crescer mais do que aquilo que poderá parecer ao primeiro contacto. Recomendado.

Fernando Ferreira

17 - Split/Cross – “Rise Of Discontent”

Edição de Autor

Consta que os Split/Cross surgem-nos de South Central, bairro/zona complicada de Los Angeles conhecida pela sua criminalidade e basicamente criada devido às drogas canalizadas pelo governo norte-americano para financiar a guerra no caso Irão-Contras. Demasiada informação? Ok, então vamos aos básicos. Os Split/Cross destilam toda a raiva e todo o ódio acumulado durante décadas e a melhor forma de o fazer é, claro, através de uma mistura entre grindcore, sludge, crust e hardcore que resultam numa proposta bem zangada mas igualmente cativante para quem se identifica e tem esta necessidade também de extravazar os seus sentimentos mais negros e a sua ira. Surpreendentemente certeiros estes oito temas que duram pouco mais de vinte minutos.

Fernando Ferreira

16 - Embludgeonment – “Barn Burner”

Comatose Music

Depois de cinco anos de silêncio, aí está o segundo álbum dos norte-americanos Embludgeonment que apresentam o seu brutal death metal mais refinado e até mais dinâmico – sendo que este aspecto continua a ser um calcanhar de Aquiles do género, algo que os aficcionados certamente discordarão. Produção poderosa, bem cheia, com as guitarras a dominarem as atenções e com boas provas dadas instrumentalmente, onde a banda está bem coesa. A voz também vai apresentando algumas variações o que faz com que temas como “Corpse Shed” não caiam no marasmo. E não se cai mesmo.

Fernando Ferreira

15 - Prion – “Aberrant Calamity”

Comatose Music

A Comatose Music já é uma referência obrigatória e incontornável da melhor porrada sonora na forma de brutal death metal e não desiludem com o terceiro álbum dos argentinos Prion. Se um dos pontos (tecla) que insistimos em tocar é a da dinâmica, podemos considerar que os Prion, banda experiente e já veterana com mais de vinte anos de carreira, nos traz brutalidade do mais dinâmica que há. Talvez o seu álbum mais poderoso e maduro, temos os riffs a brilhar em grande medida, indo buscar referências (nossas, daquilo que conhecemos) a nomes como Morbid Angel e Hate Eternal, mas dando ainda mais brutalidade a malhões como “Irreversible Ways” e “Over The Asphalt Of A New Era”, mas deixando sempre muitas melodias subliminares (umas mais que outras.

Fernando Ferreira

14 - Desecravity – “Anathema”

Willowtip Records

Banzai! O terceiro álbum dos japoneses Desecravity é uma bujardona daquelas. Não só é bruto como também eleva a complexidade a níveis quase insuperáveis, isto sem perder a musicalidade das suas composições. Não vos vamos enganar, se são estranhos a este género de música, talvez não seja indicado começar por aqui, mas se o brutal death metal técnico vos percorre no sangue, então é sem dúvida recomendado. O nosso único problema prende-se mesmo com a produção, com um volume mais baixo do que esperado. Numa altura em que todos querem soar mais altos que toda a gente, até acaba por ser refrescante e é da maneira que se coloca o volume ainda mais no máximo. Potência danada!

Fernando Ferreira

13 - Phrymerial – “Xenomorphic Creation”

Vomit Your Shirt / Miasma Records

Segundo álbum dos espanhóis Phrymerial que apresentam um chavascal sonoro de alto gabarito. Altíssimo mesmo. Produção cortesia de Miguel Tereso que favorece em muito o death metal ultra brutal e bastante técnico que faz com que “Xenomorphic Creation” seja uma bomba do início ao fim. Se poderão acusar que este género não é dinâmico o suficiente – tal como tudo na vida, há sempre o bom e o mau – aqui poderão a encontrar a redenção para esse problema. Grandes dinâmicas através do uso inteligente e invulgar da guitarra solo, está aqui um dos grandes lançamentos do género deste ano.

Fernando Ferreira

12 - Cloud Rat – “Pollinator”

Artoffact Records

Que grande jarda grind que temos aqui. “Pollinator” não perdoa tal como todos os abusos representados na capa não perdoam. No que nos diz respeito, preferimos a grindalhada para nos meter a cabeça a mexer. É um trabalho curto – como todo o bom grind – e que os atinge como um furacão, levando tudo à frente. O desespero da voz de Madison Marshall aliado ao poder da guitarra de Rorik Brooks e às batidas certeiras de  Brandon Hill são elementos que se conjugam na perfeição em conjunto para nos darem um dos grandes trabalhos do género de 2019.

Fernando Ferreira

11 - Nekroí Theoí – “Dead Gods”

Prosthetic Records

Nem sempre as mensagens de certas bandas alinham-se com as nossas crenças pessoais, e esta banda é um caso exemplificativo disso, contudo e felizmente, a banda demonstra extrema qualidade, sendo assim facilitada a manutenção da imparcialidade ideológica na sua avaliação. Os Nekroí Theoí são uma banda de brutal death metal com um repertório de temas líricos relativamente alargado que engloba tanto temas religiosos (não na prespetiva de queimar igrejas mas sim de exploração de temas religiosos numa prespetiva negativista e inconformista) como temas políticos, online generalizados como “anti opressão/capitalismo/fascismo” mas que  (na minha opinião) se traduzem em formas extremas de luta contra todos os pertencente a classes opressoras, mesmo que eles próprios não o sejam (neste caso ideias como “toda a polícia merece ser massacrada, ideia que parece ser meramente artística e não literal mas que mesmo assim merece ser referida para justificar a introdução desta review). Contudo, importa referir também que a banda é proveniente dos Estados Unidos onde os problemas de racismo e discriminação generalizada são ainda mais flagrantes que os que cá se verificam. Com base nisto, os americanos lançam o seu álbum de estreia Dead Gods, e, para ser sincero, só me lembro de um ou outro álbum deste estilo que tivesse gostado tanto. O brutal death metal desta banda ganha comigo principalmente no que toca à organização, isto é, contrariamente a muitos, Dead Gods é um álbum que consegue ser bruto e organizado ao mesmo tempo, sendo possível delinear cada instrumento separadamente, coisa que suspeito ter causa em todo o aspeto religioso do àlbum. O vocal não vou descrever que acho que qualquer um é capaz de adivinhar como é (com exceção das partes faladas para ambiente profético) e em termos de ritmos têm um pouco de tudo. Relativamente à guitarra o seu trabalho funciona tanto para a componente mais ambiente e calma (mas diabólica à mesma) como para a componente mais pesada e rápida. No fundo, é um excelente álbum tanto no género como num todo e é extremamente aconselhado.

Matias Melim

10 - NecroticGoreBeast – “NecroticGoreBeast”

Comatose Music

Será que o mundo precisava de mais uma banda de brutal death/slam? Talvez não mas agora que estão aqui, depressa chegamos à conclusão de que as coisas não seriam as mesmas sem eles. Produção cristalina (a única coisa que não é tão definida é mesmo a voz, mas isso é obviamente intencional.A jarda que estes dez temas mandam é uma coisa impressionante, daquelas que causam mossa mas fazem-nos voltar para mais. É o tipo de álbum que ajuda a resolver questões internas, que nos ajuda a descarregar tensões ou até mesmo a demolir uma casa, caso trabalhemos nas demolições. Dinâmico e pesado as fuck, este é uma estreia bruta dos queixos.

Fernando Ferreira

9 - Full Of Hell – “Weeping Choir”

Relapse Records

Se há uma banda que pertence, quer por direito quer pela sua própria estética ao catálogo da Relapse Records, essa banda é definitivamente os Full Of Hell. Depois de um bruto “Trumpeting Ecstasy”, a estreia pela mítica editora norte-americana dá-se com um trabalho igualmente brutal, que não só é uma grindada impiedosa como ainda faz alguns desvios estilísticos só para acordar o pessoal, quer no noise (“Rainbow Coil”, que no death/doom (na épica e a assombrosa “Armory Of Obsidian Glass”). Ora aí está o grind a revelar-se ainda mais dinâmico do que aquilo que muitos esperarriam.

Fernando Ferreira

8 - Optimist – “ Vermächtnis”

Beatdown Hardwear Records

Os Optimist são uma das bandas que nos provam que esta coisa está toda ligada. Embora possa parecer estranho toda esta conversa do “todos somos um” principalmente no contexto da música pesada e violenta como aquela feita pela banda alemã, a forma como fundem death metal bruto a roçar o grindcore e um pouco do espírito do hardcore, forma natural, faz com que os rótulos fiquem completamenbte para trás enquanto estamos a ouvir estes onze temas, principalmente depois de uma intro épica. Cantado em alemão, este segundo álbum por parte da banda alemã é um dos vícios primordiais que temos em 2019 e que acreditamos que assim se irá manter. Fantástico!

Fernando Ferreira

7 - Abnormality – “Sociopathic Constructs”

Metal Blade Records

Os Abnormality são uma daquelas bandas que temos tendência a gostar. Bandas que lançam um excelente álbum (neste caso “Mechanisms Of Omniscience”) e que nos deixam logo fisgados. Foi com esta expectativa que aguardáos o terceiro trabalho e não ficámos desiludidos. A medida e equilíbrio perfeito entre o death metal brutal e a vertente técnica mas que para isso não se tenha que abdicar de termos canções (malhões!) fantásticos. Se supera o anterior? Talvez não, ainda é cedo para ter essa noção, tal o impacto do já citado segundo álbum, mas ainda assim sem dúvida que ficámos muitissmo satisfeitos por ver que a banda chega ao terceiro álbum com todo este poder. Uma das grandes bandas do metal extremo norte-americano, definitivamente.

Fernando Ferreira

6 - Birdflesh – Extreme Graveyard Tornado

Everlasting Spew Records

Well, this is a weird one. Personally, I’ve never heard of Birdflesh but God have I been missing. This Swedish band has been developing their random, humorous and explosive Grindcore sound since 1992 and after an absence of around 10 years, they are back this year with their newest album – Extreme Graveyard Tornado. With 24 tracks, this album is going to stone you to death with its aggressiveness and you will like it. The themes in which this album dives are somewhat varied, but as one may guess, after 10 years of relative silence, one of the theme that is almost a “must” is the political one, being Grind a style known for its position against the more authoritarian positions. However, there’s nothing conventional in the way Birdflesh goes about it with their mixture of satire and violence. Just to give an idea, there’s a segment in which you hear a voice (very akin to that of Louis Griffin from Family Guy) saying: “I’m going finger you both at the same time! Bang! Bang!”. Moving on to the instrumental part, this album is a literal pump of adrenaline, which even sometimes resembles death metal with very powerful vocals and also heavy hitting drums.  Even though Extreme Graveyard Tornado checks all the requisites to be considered a noisy band (you know, like those most older folk hate) there are plenty of segments in which you get clearer sounds and some good guitar passages. Basically, I’m just wasting your time just to say that this album made me an instant fan of this band. Come for the humor, stay for the brutality.

Matias Melim

5 - Exhumed – “Horror”

Relapse Records

Os mestres regressam. E podemos dizer que regressam em grande. Comecemos logo pelo festim de bom gosto que é a capa, a pegar na nostalgia dos videoclubes, com o título a servir de categorização do género assim como o autocolante de pedir para entregar a cassete rebobinada. Quanto ao som, não me recordo de ver a banda tão condensada e acutilante. São quinze temas em pouco mais de vinte e cinco minutos que nos mantem agarrados do primeiro ao último minuto – quantos álbuns de death/grind tentaram trazer muito e acabaram por perder os ouvintes a meio? Não há momentos aborrecidos, não há enchidos, tudo funciona de forma perfeita, ouso dizer, como nunca antes na sua carreira.

Fernando Ferreira

4 - Besta – “Eterno Rancor”

Raging Planet Records

Arra porra que agora é que a casa vem abaixo. Já vimos os Besta tantas vezes ao vivo que já salivávamos pela próxima bujarda e posso dizer sem qualquer tipo de hesitação que “Eterno Rancor” é tudo o que esperávamos e muito mais ainda. Aquela formula imbatível de castigar o lombo com grind/crust desmamado a d-beat bruto dos queixos continua com uma efectividade impressionante e estes quinze temas passam num instante. Para já são curtos e depois são dinâmicos tal que nos permitem estar a ouvir isto em loop – podem fazê-lo, é o que temos feito e não sofremos mazelas nem físicas nem psicológicas – sem sinal de cansaço. Um dos álbuns grind de 2019, previsão aqui do je.

Fernando Ferreira

3 - Nile – “Vile Nilotic Rites”

Nuclear Blast

Todos já sabíamos que este dia iria surgir, não era? Inevitavelmente. Os Nile já não lançavam nada há mais de quatro anos e estava certo que, mais cedo ou mais tarde, a praga egípicia viria no nosso caminho. E nós de braços abertos para a receber. Se nos dois anteriores álbuns se poderia sentir que a banda algo perdida – em “At The Gates Of Sethu” a tentar sair do beco onde se meteram desde sempre (e a levar na cabeça por isso) e em “What Should Not Be Unearthed” a tentar desesperadamente a voltar para terrenos familiares de uma forma que, apesar de agradável para quem estava instaisfeito, algo forçada. “Vile Nilotic Rites” é, finalmente, aquilo que uns Nile fariam confortáveis na sua pele. Death metal bruto dos queixos, bem técnico mas ainda original com todas as referências ao Egipto – aquela “Seven Horns Of War” é uma obra de arte – num álbum equilibrado, provavelmente o mais equilibrado da carreira da banda norte-americana. E também no mais memorável. Todos os temas têm ganchos melódicos onde nos podemos agarrar para mais tarde recordar. E muito disso também se deve ao novato na banda, Brian Kingsland, novo guitarrista solo. Produção de topo, som bruto, malhas brutas… mais alguma coisa que precisem?

Fernando Ferreira

2 - Misery Index – “Rituals Of Power”

Season Of Mist

Álbum ante álbum, a influência dos Misery Index tem sido inegável para o espectro do death/grind mundial. A banda demora sempre o seu tempo entre os álbuns – desde “The Killing Gods” já passaram cinco anos – e poderá pensar-se que tal é muito tempo para depois termos apenas pouco mais de meia hora de música, mas é uma meia hora de proporções monumentais. Este é um dos grandes vícios que suspeitamos que vá durar uns quatro ou cinco anos, provavelmente a altura em que a banda lançar o seu próximo álbum, ou então até mesmo para além disso. A mensagem acutilante, com a brutalidade da música a condizer e depois a exuberância técnica do instrumental, resultando tudo num dos grandes álbuns do death/grind de 2019. Escrevam isto que depois no final do ano fazemos contas.

Fernando Ferreira

1 - Cattle Decapitation – “Death Atlas”

Metal Blade Records

Sempre que os Cattle Decapitation lança um álbum, é um evento. É especial porque sabemos logo à partida, sem ter qualquer contacto prévio, de que vamos gostar. “Death Atlas” não foi excepção. A brutalidade esperada está cá toda assim como a melodia e ela desta vez, além de presente na própria instrumentação, está particularmente presente nas vocalizações de Travis Ryan, que usa uma espécie de voz limpa (e atenção ao espécie) que resulta de forma perfeita. Um timbre meio diabólico mas que dá uma dimensão completamente nova a estes temas que, mais uma vez, nos falam de como somos um virus ao qual a terra tenta combater. Também pequenos interlúdios que dão uma ambiência muito própria a este trabalho que deve ser apreciado como um todo. Correndo o risco de sermos contagiados pelo entusiasmo de estarmos a ouvir isto sem parar nos últimos tempos, parece-nos que este é um dos pontos altos da carreira da banda. Mais um de muitos. Talvez o mais alto de todos.

Fernando Ferreira

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