WOM Tops – Top 20 Gothic Albums 2019

WOM Tops - Top 20 Gothic Albums 2019

Gótico. Todo um mundo aparte. Apesar da popularidade do género seja bem menor à que já foi, não deixa de ser um ponto de atracção para muitos fãs, amigos das melodias. As pontes com outros géneros (nomeadamente o electrónico e o sinfónico) são constantes mas esta é a escolha que nos falou mais ao coração. Escolha muito rica.

20 - The Shiver – “Adeline”

Wormholedeath Records

A excelente capa deste Adeline deixa antever boa música – embora não sejamos ingénuos em pensar que uma influencia a outra. Mas neste caso até influencia. Esta banda italiana tem estado a conseguir bom impacto nos palcos e este novo álbum comprova isso mesmo. Próximos em espírito daquilo que os Lacuna Coil fazem, onde a voz feminina tanto dá repentes de metal gótico como as guitarras de metal alternativo, podemos dizer que é um pouco das duas mas o que interessa mesmo é a vida que malhas como o tema título ou como a “How Deep Is Your Heart How Dirt Is Your Soul” têm em nós. Um álbum bem sólido que nos dá a sensação de que isto é apenas o início.

Fernando Ferreira

19 - Inner Shrine – “Heroes”

Lands Of Glory Records

Os italianos Inner Shrine estão de regresso depois de seis anos de ausência e regressam com o seu metal gótico e sinfónico bem afinadinho. Todos nós já vimos e ouvimos muita coisa neste espectro pelo que é difícil nos surpreendermos. E não podemos dizer que “Heroes” nos tenha surpreendido. No entanto, não quer isso dizer que este seja um álbum fraco ou sequer mau. A ter um defeito é apenas aquele em que a produção se sente como demasiado plástica ou pouco orgânica mas as músicas em si, soam majestosas e impnentes. E somos capazes de ficar fascinados tal como uma banda sonora de um filme épico de Hollywood. Custa-nos no entanto a chamar este lançamento de álbum quando só tem trinta minutos. Mais uma ou duas faixas e seria perfeito.

Fernando Ferreira

18 - Imperia – “Flames Of Eternity”

Arising Empire

Não temos dúvidas em relação ao poderio germânico nas sonoridades mais sinfónicogóticas e se tivessemos, os Imperia também não deixariam que as mantivessemos. Afastados por quatro anos das edições, este quinto álbum provam que o que é bom não é para se mudar e neste caso concretamente estamos a falar de gothic metal de orientações sinfónicos. A voz de Helena continua a ser o grande destaque e é-lhe fornecedida munição de luxo, na forma de temas como “The Scarred Soul” e “Book Of Love”. Talvez pendam algumas vezes para o lado mais baladesco da coisa mas também temos aqui sangue a ferver em temas como “Blinded” que são conquistas imediatas para quem gosta de um pouco mais de peso e emoção. Um grande regresso.

Fernando Ferreira

17 - Mustan Kuun Lapset – “Valor”

Inverse Records

Este nome é um bocado de dizer e deve ser por causa disso que a banda nos passou ao lado nos últimos anos, sendo que este álbum é o segundo desde que a banda voltou de um hiato de três anos e se no início da carreira tinham uma sonoridade black metal, agora optam por um gothic metal com pitadas de death e black (na voz) – algo que normalmente se costuma chamar de dark metal mas esse é um rótulo que aqui não usamos. Tirando isto do caminho temos canções bem melódicas e conforme o trabalho avança, vão se tornando progressivamente maiores, culminando no tema-título que encerra este álbum. Sensibilidade, peso e bom gosto é o que se tem.

Fernando Ferreira

16 - Moran Magal – “Under Your Bed”

FBP Music Publishing

Temos acompanhado o trabalho de Moran nos últimos meses, com alguns singles lançados e as covers fantásticas que fez no seu “Shades Of Metal (Private Collection)” onde destacamos “Solitude” (com o saudoso Warrel Dane) e este é o seu primeiro passo, sólido, para uma carreira onde as sensibilidades góticas (sobretudo devido a fantástico piano que está omnipresente em todos os temas), algo que sobressai de forma perfeita ao longo destes temas, especialmente no tema título e na “Go Dark”, sem esquecer o feeling do médio oriente na “Over My Shoulder”. Um trabalho simples mas que nos faz viajar. Um nome a acompanhar.

Fernando Ferreira

15 - A Dream Of Poe – “The Wraith Uncrowned”

Edição de Autor

Os Dream Of Poe sempre se assumirdam desde o início como um projecto/visão solitária de Miguel Santos dos In Peccatum, embora por um período tenha contado com uma formação completa, basicamente é um one-man show com convidados e com Paulo Pacheco a tratar das letras. Para este álbum vemos o projecto a mudar ligeiramente de orientação, evidenciando um maior cuidado com arranjos sinfónicos embora mantenha a melancolia do doom como prato principal. Dedicado a um amigo pessoal, este conjunto de temas está bem construído, havendo sobriedade tanto nas componentes sinfónicas como na melancolia, não caindo em exageros. O resultado é potencialmente o mais interessante de toda a sua carreira, um trabalho emocional onde a atmosfera criada acaba por ser um dos seus maiores atractivos.

Fernando Ferreira

14 - Lacrimas Profundere – “Bleeding The Stars”

Steamhammer / Oblivion

Regresso de um dos grandes do death/doom metal. Quer-se dizer, começaram como death/doom metal mas já há muito tempo que evoluiram para outra coisa. Com uma sonoridade mais aproximada do rock gótico, estes temas mostram que os anos podem passar, a evolução pode mudar mas algumas coisas mantém-se na mesma. Neste caso, a apetência para as melodias melancólicas memoráveis. “Bleeding The Stars” não nos faz esquecer álbuns como “Fall, I Will Follow” mas sobrevive graças a temas mais imediatos, mais acessíveis que têm o seu grande trunfo nas já mencionadas melodias.

Fernando Ferreira

13 - Ignispace – “The Inner Source”

Edição De Autor

Que boa estreia por parte dos nossos irmãos brasileiros Ignispace. “The Inner Source” é um álbum que podemos inserir na vertente mais melódica do gothic metal, onde alguns toques de power metal também acabam por dar o seu pezinho de dança – “The Source” é um excelente exemplo. Melodia mas também bons solos e riffs e uma boa voz, carismática o q.b., cortesia da menina Larissa Zambon. Ambicioso mas com argumentos o suficiente spara garantir que essa ambição não é desmedida. Boa estreia, boa banda, esperemos que chegue longe, merece!

Fernando Ferreira

12 - The 69 Eyes – “West End”

Nuclear Blast Records

Regresso de uma banda que, de uma forma geral, com mais ou menos sucesso, não sabe fazer maus discos. “West End” mantém a tendência com o som clássico que a banda foi desenvolvendo, pegando aqui e ali na sonoridade de outras bandas icónicas quer no rock como no metal g´tico. Temos a voz icónica de Jyrki 69 que nos soa tão bem em refrões como “27 & Done”, a segurança e sobriedade da secção rítmica assim como as guitarras que dão a cor necessária. É um tipo de som que não deixa de glorificar a década de oitenta, mas como também soa actual. Melodias marcantes, grandes temas, não há muito mais que fique a faltar.

Fernando Ferreira

11 - Ravenfield – “Faith And Fall”

Edição de Autor

Álbum de estreia dos alemães Ravenfield que apresentam uma sonoridade que anda entre o rock/hard rock e um certo espírito gótico. Refrescante e interessante, estes doze temas até podem passar despercebidos à primeira mas acabam por crescer em pouco tempo dentro do ouvinte. “Second Skin” é um bom exemplo da forma como os temas se infiltram na nossa memória. O único defeito que encontramos é mesmo o facto de ser um trabalho demasiado longo. Seria mais eficaz com menos dois temas, pelo menos. Temos ideia de que sendo um lançamento underground, dificilmente chegará ao alcance da maior parte dos fãs espalhados pela Europa, mas têm categoria para isso e para muito mais. Boa surpresa.

Fernando Ferreira

10 - 2 Wolves – “... Our Fault”

Inverse Records

Por acaso era algo que já me tinha interrogado há pouco tempo. Tantas propostas que nos chegam da Finlândia e… por onde raios anda o rock/metal gótico que o país dos mil lagos tão bem exportou durante o início do milénio. Bem, nem de propósito. Temos aqui os 2 Wolves com o seu quarto álbum, depois de andarem desaparecidos alguns anos. É a junção perfeita entre a sensibilidade gótica com a melancolia do doom e o peso do death metal melódico. Tudo junto resulta muito bem, num álbum que poderá não ser o o melhor da banda na sua carreira mas que depois de absorvido (e com o devido tempo, algo que falta sempre a todos hoje em dia) definitivamente que irá crescer.

Fernando Ferreira

9 - Stramonia – “The Welckomed”

Edição de Autor

A sonoridade destes italianos não é fácil de explicar. Temos uma espécie de heavy metal misturado com um metal gótico que de vez recorre a algumas vozes operáticas de vez em quando. Por esta descrição até poderá parecer algo banal mas no entanto é precisamente o contrário, este é um álbum que soa refrescante, um dos mais refrescantes que ouvimos nos últimos tempos. Pesado, melódico e catchy como tudo, esta banda surge de nenhures e definitivamente vai marcar a cena. Temos a certeza disso!

Fernando Ferreira

8 - Neverlight – “The Quiet Room”

Edição de Autor

“The Quiet Room” apresenta-nos aquelas premissas que já conhecemos. Voz femina a atirar para o operático, guitarras fortes ainda que melódicas e arranjos orquestrais. Por esta altura isto já não é supresa para ninguém. Já não é há muito tempo. Agora o que interessa mesmo é a qualidade das músicas, é o fazer temas que mantenham a identidade da banda – este é o seu terceiro álbum – sem também aproximar-se dos campos criados por outros. À partida, apesar de parecer uma missão impossível, os Neverlight safam-se muito bem, com conjunto de excelente temas que conseguem explorar diferentes texturas do mesmo género, por muito gasto que ele aparente estar.

Fernando Ferreira

7 - I Am The Arcane – “Societas Arcana”

Edição de Autor

Boa surpresa esta banda espanhola que inicia o seu caminho com um álbum forte de orientação gótica, com tanto influências rock, como metal. Se a voz de Daniel Magus nos soa invulgar, essa mesma voz acaba por cativar pela diferença (compreende-se quem tenha algumas dificuldades a encaixar o vibrato que ocasionalmente usa) enquanto as guitarras trazem o peso necessário. Feeling forte a noventas e temas que nos vemos a voltar muitas vezes. Bom começo.

Fernando Ferreira

6 - Wires & Lights – “A Chasm Here And Now”

Oblivion / SPV

Admito que o som gótico original (aquele que se convencionou chamar de pós-punk) não é das minhas coisas favoritas. Ainda assim, de vez em quando sou surpreendido como foi o caso com este “A Chasm Here And Now”, um trabalhao que vai muito para além do simples cumprir requisitos para encaixar neste ou naquele rótulo. A atmosfera deste trabalho é real, consegue-se sentir, mesmo que de vez em quando tenha um ligeiro travo nostálgico, a fazer-nos lembrar os primórdios da década de oitenta, de trabalhos dos Bauhaus ou Joy Division. Lembrança que não atrapalha a apreciação de temas como “Swimming” ou “Sleepers”. Mesmo em nada.

Fernando Ferreira

5 - The Way Of Purity – “Schwarz Oder Rot”

WormholeDeath

Confesso que não tinha especial curiosidade por este lançamento. Com uma imagem algo estranha, deu-me a ideia de que era mais uma banda apostada em chocar (ou pelo menos intrigar já que hoje em dia muita pouca coisa é capaz de chocar) do que propriamente em trazer música de qualidade até nós. Não poderia estar mais errado. Apesar de não haver propriamente surpresas em relação à sonoridade – metal de inspiração gótica – os resultados são efectivamente fantásticos. Temas orelhudos e com profundidade que nos fazem lembrar nos anos noventa quando o género estava em franca expansão. Nem sempre estamos certos e é bom estar errado perante música deste calibre. Excelente surpresa!

Fernando Ferreira

4 - Inner Blast – “Figment Of Imagination”

Echozone

A banda Inner Blast tem neste seu álbum “Figment of Imagination” uma nova abordagem à sua sonoridade, mas manteve o seu espírito e garra. Sonoridades melódicas, mas mais fortes, nota-se o carinho e empenho de toda a banda neste trabalho. Já não falamos necessariamente de gothic metal, mas sim um roçar em sons mais pesados.  Aquiles na sua guitarra com riffs rápidos e belos solos, Sabu na bateria, sempre em grande ritmo e andamento e Luis Silva a complementar brilhantemente com o seu baixo, que, neste álbum, faz delícias, não desaparecendo entre os sons dos outros instrumentos. Liliana então, uma evolução enorme desde o último trabalho da banda o álbum “Prophecy”. A sua voz está ainda mais rica, os seus melódicos mais limpos e os guturais de derreter até o mais exigente. Será certamente uma das melhores vocalistas femininas de metal nacional. A banda, com este trabalho, mostra a sua constante evolução e a procura por novas sonoridades e tem sim um enorme potencial de continuar a evoluir e tornar-se uma banda mundialmente reconhecida. Recomenda-se vivamente a todos e certamente os fãs de Inner Blast irão adorar. 

Sabena Costa

3 - Nachtfalter - Was bleibt

Echozone

Os Nachtfalter são um duo musical oriundo da Alemanha e formado em 2017. Apesar de ser apenas em 2019 que esta banda apresenta o seu álbum de estreia, ambos os membros já têm um background bastante extenso dentro da cena do metal gótico – influência que se nota ao longo de todo o seu álbum de estreia, “Was bleib”. Desta forma e também devido à nacionalidade da banda, o álbum acaba por se assemelhar àquele que é o estereótipo da música metal alemã propagada involuntariamente por outras bandas com maior alcance global (apesar de serem estilos completamente diferentes, traz algumas lembranças de Rammstein, tanto pela voz bastante grave como pelo uso de sons eletrónicos); contudo fazem o suficiente para merecerem atenção e destaque. À primeira vista, Was bleib é um álbum que dá ideia de ser música “caviar”: fina, bonita, saborosa, minimalista, etc., provavelmente por ser um estilo muito diferente daquilo que se costuma ouvir, principalmente por se dedicar a ritmos bastante repetitivos que posteriormente são nutridos pelo vocal que, na sua vasta maioria, é falado e não propriamente cantado – neste sentido, importa também referir o caráter “semi-ambiente” que este álbum assume (primeira vez que considero a repetição de ritmos como um aspeto positivo). Mas não se preocupem (os do metal pesado), há momentos em que a música recai nos padrões do estilo gótico e do metal: por exemplo o uso de sintetizador em relação ao primeiro, e em relação ao segundo, a atmosfera num todo é de metal (apesar de ser extremamente ligeiro). A única tragédia aqui é minha e não da banda, por ser eu quem não compreende a língua já que, segundo publicitam, os temas do álbum assentam em temáticas bastante ricas e melancólicas (coisa que de facto acompanha perfeitamente a energia triste e pesada já carregada pela parte instrumental). Para os mais fora da caixa, têm ainda a última faixa do álbum que é um remix de outra música do álbum que se traduz em alegria eletrónica.

Matias Melim

2 - Enchantya – “On Light And Wrath”

Inverse Records

As coisas em Portugal funcionam de forma diferente do resto do mundo. Convencionou-se encarar-se como comum uma banda nacional lançar um álbum de estreia e depois desaparecer. Felizmente que temos tido essa regra deitada por terra com as bandas regressarem (passado mais ou menos tempo) para o segundo trabalho. Foi o que aconteceu com os Enchantya após a boa estreia de 2012, “Dark Rising”. “On Light And Wrath” é um trabalho maduro que mesmo sem fugir aos lugares comuns do género em que se insere – a mistura entre o heavy/power metal com o metal sinfónico e gótico – consegue trazer-nos um trabalho memorável ao qual é impossível ficar indiferente. Dentro do género (vasto) onde se inserem, este é um trabalho que tem tudo para ser bem sucedido, seja em Portugal ou em qualquer outra parte do mundo.

Fernando Ferreira

1 - Tarja – “In The Raw”

earMusic

“In The Raw” faz justiça ao seu título, já que apresenta uma Tarja bem pesada, logo pela abordagem do tema de abertura “Dead Promises”. A sua componente sinfónica continua presente assim como a gótica mas não é propriamente o centro das atenções. As guitarras essas, e claro a voz de Tarja acabam por atrair o foco do ouvinte. Ela que surge aqui com alguns convidados, sendo eles Björn “Speed” Strid dos Soilwork e The Night Flight Orchestra, Cristina Scabbia dos Lacuna Coil e Tommy Karavik dos Kamelot. “In The Raw” também se refere ao conteúdo lírico que temas como “Tears In Rain” e “You And I” contêem. Álbum rico e bastante poderoso que inserido na discografia da banda o torna ainda mais interessante assim como a sua própria carreira.

Fernando Ferreira

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