O Álbum do MêsReview

Album do Mês – Junho 2021

Album do Mês – Junho 2021

O bom tempo está a chegar e a vontade é de ir aproveitar o sol, sempre com boa música a acompanhar. A normalidade ainda é uma miragem no horizonte e a memória dessa mesma normalidade torna-se cada vez mais difusa. O que vale é que seja em que estado as coisas estejam, temos sempre a música para acompanhar e este mês temos mais um Top recheado de excelentes propostas.

20 – Ascète – “Calamites & Les Calamités”

Antiq

A estreia dos franceses Ascète é aquilo que sempre me cativou no black metal. A agressividade, obviamente, mas também a capacidade de incorporar mais melodia e melancolia, mesmo que isso não os torne propriamente black metal melódico como a definição do subgénero é entendida. É uma estreia bastante segura que deixa em qualquer amante de black metal a vontade de ouvir mais. Isto ao início. Conforme as audições sucedem-se há por aqui aquele impacto que álbuns icónicos do género tiveram décadas atrás. Não querendo entrar no jogo de comparações, há aqui um potencial quase subliminar em relação ao seu alcance que consegue surpreender quase sem que nos apercebamos disso. De estreia segura a sólida para um grande álbum de estreia são todas as fases que vamos atravessando e ainda há espaço para mais. Algo que só o tempo vai permitir.

8.5/10
Fernando Ferreira

19 – Heavy Sentence – “Bang To Rights”

Dying Victims Productions

A primeira coisa que se posde pensar ao ver a capa de “Bang To Rights” é… como é que uma capa assim pode albergar um bom álbum? Pois é, a imagem não é mesmo tudo – embora devesse significar alguma coisa porque um álbum destes merecia uma capa à altura – e “Bang To Rights” traz mesmo aquela sensação de banda da década de oitenta que apenas quer rockar (ou metalar, mas não soa tão bem). Temos um heavy metal arraçado de speed com muito a dever tanto a Iron Maiden como a Motörhead. A voz é podre – boa escola de Lemmy Kilmister com muito bagaço à mistura – assim como a produção mas é bem genuína. Este é um disco ao qual é fácil voltarmos daqui a dois dias como daqui a dois anos ou até mesmo vinte. Genuíno espírito heavy metal não morre e são álbuns assim, mesmo com capas horríveis, que provam isso mesmo.

8.5/10
Fernando Ferreira

18 – Vincent Crowley – “Beyond Acheron”

Odium Records

As expectativas que tinha para este trabalho não eram altas, admito. Não só os Acheron não são/eram uma das minhas referências no espectro do black/death metal como o seu eterno frontman a solo não me garantia a mínima curiosidade. Ainda bem que quando assim é avança-se na mesma. Os Acheron são passado e aqui vemos Crowley a mostrar isso mesmo com uma proposta quea caba por ser superior a qualquer coisa que os Acheron tenham feito embora também se insiram num espectro totalmente diferente. O andamento acaba por ser mais compassado embora ainda tenhamos muito de death metal (com melodias inesperadas e bem sucedidas) e com as histórias macabras a serem entoadas pela voz de Crowley. Muitos solos, peso e atmosfera criada, aqui está uma nova lenda a nascer. Não vai superar o nome de Acheron mas musicalmente já me conquistou.

8.5/10
Fernando Ferreira

17 – Khandra – “All Occupied By Sole Death”

Season Of Mist Underground Activists

Estreia discográfica (nos álbuns) por parte dos bielorussos Khandra, uma estreia que poderá não impressionar à primeira e a quem não ouvir de forma mais cuidada. Afinal é ”só” black metal, certo? Não há grande novidade nisso… e efectivamente não temos aqui qualquer tipo de novidade, mas não deixa de ser um álbum ao qual aprendemos a dar a devida vénia muito cedo. Temas longos, mais complexos do que aparenta, com as texturas e paisagens a irem mais além do óbvio. Isto sem ter uma intenção nítida de querer revolucionar o quer que seja. Mas há paixão e há talento que nos conquistam facilmente. Como voltar a redescobrir como a música ainda é capaz de causar um impacto de surpresa. Estreia fantástica e início de uma estrela negra no black metal que dará nas vistas.

8.5/10
Fernando Ferreira

16 – Chaos Doctrine – “And In The Beginning… They Lied”

Edição de Autor

Os Chaos Doctrine não só são uma boa referência da nova vaga de projectos vindos da África do Sul tal como são uma boa lufada de ar fresco em relação ao panorama industrial ou de música moderna sem seguir muitas tendências da moda. Isto por serem deliciosamente tradicionais, ou seja, com uma base death/thrash metal – que grandes riffs que temos por aqui – que incorpora elementos industriais que acrescem no peso que por si só já é bastante. As dinâmicas estão muito bem conseguidas e mesmo não sendo o som que se pensa quando se fala em metal industrial, consegue ter o dom de apelar aos fãs tradicionais e poder fazer uma ponte perfeita entre os dois mundos que nem sempre convivem de forma pacífica. E nesse aspecto, que melhor ponte e união feita por Slayer, com a cover da ”South Of Heaven”? Para quem tem saudades dos Misery Loves Co. (quando eles eram bem pesadões) este segundo álbum dos Chaos Doctrine é sem dúvida mais que apetecível. Para quem não gosta de industrial, poderá ter aqui também uma excelente introdução. Todos ficam a ganhar.

8.5/10
Fernando Ferreira

15 – Noctambulist – “The Barren Form”

Willowtip Records

Violência. Há diversas formas da mesma se manifestar – no contexto da música, claro. Ora temos a atmosfera, ora temos as letras, ora temos os tempos ora temos o peso. Especificando no contexto do death/black metal ou pelo menos death metal blasfemo, há um lote mais restrito de fórmulas, mas mesmo assim, “The Barren Form” consegue surpreender. É violento e unidimensional na atmosfera criada, mas musicalmente desafia o ouvinte e confronta-o com melodias inesperadas. Claro que em temas longos, não deixa de ser obrigatório manter os níveis de interesse algos, ainda mais quando se tem a tal atmosfera negra e hermética. Não é um álbum de fácil audição – confesso que foi necessário um crescimento interior do mesmo para o incluir nesta selecção aqui apresentada e a ligação de tema para tema tanto ajudou como dificultou essa tarefa – mas isso é também testemunho para a sua capacidade e sua excelência. Porque a música difícil de ouvir também tem um especial sabor.

8.5/10
Fernando Ferreira

14 – Sunken State – ”Solace In Solitude”

Edição de Autor

Modernaços. Quantas vezes estas palavras não nos fizeram todos correr pela vida. Não há caso para alamarmismos todavia. Os sul-africanos Sunken State são um dos casos em que a nova escola traz mais valias para a sonoridade mais tradicional. Peso e dinâmicas a nível de groove são algumas delas mas que não impedem que tenhamos a sensação de que se está a ouvir algo novo e não apenas a moda requentada do mês. E toda a banda que usa a guitarra para solar no contexto moderno tem o meu respeito. Quanto à variedade e dinâmicas, este é mesmo o seu forte com todos os temas a trazerem sensações diferentes. Não quero enganar ninguém, isto não quer dizer que os fãs de sonoridades mais tradicionais vão abraçar de braços abertos este álbum. Não vão. Nem mesmo os habituais do death metal melódico. Todavia isso não lhe retira um mílimetro de qualidade.

8.5/10
Fernando Ferreira

13 – Nocturnal Hollow – “Triumphantly Evil”

Immortal Souls Productions

Ora então a Suécia tinha um enclave na Venezuela e eu não sabia de nada? Essa poderia ser a explicação mais simples (e parva) para a explicar o facto desde duo venezuelano trazer-nos death metal sueco que parece que saiu das entranhas de 1990. Sim, sim, já foi visto e feito e blá, blá, blá comida de gato em saquetas. Por esta altura já devem saber que mais que uma teoria, é um facto comprovado cientificamente, o death metal sueco, como todo o metal aliás, poderá resistir à passagem do tempo sem qualquer tipo de dano ou maleita que possa resultar daí por ingestão fora do prazo de validade porque basicamente não há prazo de validade. Som das guitarras cheias de gravilha, os ritmos ora monolíticos ora a querer deitar tudo abaixo e aquele feeling primordial do death metal, tal e qual como se fosse a primeira vez que o estamos a ouvir. Mágico.

9/10
Fernando Ferreira

12 – Decayed – “Old Ghosts And Primeval Demons”

Lusitanian Music

The beast is back! Que é o mesmo que dizer que os Decayed têm mais uma colecção de temas black metal tradicional para apresentar às hostes. Uma colecção particularmente inspirada. Depois de uma carreira tão longa seria de esperar que por esta altura a chama se esmorecesse. Pelo contrário. Não só mantém a forma de fazer black metal de acordo com as raízes Venom e Celtic Frost como também o faz com adicional intensidade e frescura. Mas vai além da unidimensionalidade esperada de um álbum dos Decayed. Aliás, é talvez um dos seus álbuns mais variados e isso é sentido a cada nova audição que se repete naturalmente. Até a cover “Manitou” dos Venom surge como algo refrescante. Letal e acutilante, black metal sem tretas e sem modas que pérolas como “Rise Of The Undead” e “Grim Prophecies” garantem e onde um tema título atípico e atmosférico é um dos pontos altos.

9/10
Fernando Ferreira

11 – Suidakra – “Wolfbite”

MDD Records

Os Suidakra são já uma instituição no metal extremo, uma daquelas bandas que já não tem nada a provar mas que estão sempre a fazê-lo. Também ajuda terem editado, com este “Wolfbite”, quinze álbuns. Também ajuda o facto de alguns dos seus trabalhos não terem tido o impacto esperado (ou até merecido) entre a crítica e fãs. Acredito que “Wolfbite” não será esse o caso já que consegue apresentar uma variedade muito interessante e que os mostra bastante eficazes sem recorrer ao facilitismo dos lugares comuns do folk/pagan metal e coisas do género. Não deixamos de sentir a presença desses elementos mas surgem sem posição de destaque ficando sim a nu a excelência deste novo conjunto de temas. Algures entre o death melódico e folk metal, “Wolfbite” é um bom vício do início ao fim.

9/10
Fernando Ferreira

10 – Desaster – “Churches Without Saints”

Metal Blade Records

Os mestres do black thrash alemão estão de volta para mais um round. Ficou na memória ”The Oath Of An Iron Ritual” como um excelente exercício no género e só agora me apercebo que de lá até cá já passaram quase seis anos. A carreira da banda já é longa mas não é por isso que ela também demonstra sinais de querer abrandar. “Churches Without Saints” mantém a intensidade blasfema lá no topo e até me parece que é mais cru do que o anterior, não deixando de ser um álbum com o poder metálico no auge. E também com um novo baterista Hont que substituiu o Tormentor que entretanto foi para os Sodom (de onde também já saiu) cumpre a sua missão sem trazer grandes diferenças. Para quem pense que isto significa mais do mesmo, podemos dizer que continuamos a ter algumas bolas curvas que possam surpreender, como a mais melódica “Exile Is Imminent” que tem um ar bem épico e dinâmico, aliás, tal como a faixa título a “Endless Awakening”. A produção pode transparecer aquele charme tosco da música extrema da década de oitenta mas a composição demonstra muita mais variedade do que se possa prever. Curiosidade apenas para o tema “Hellputa” que… me despertou a curiosidade de ler as suas letras. Os mestres do desastre estão de volta. Big time.

9/10
Fernando Ferreira

9 – Octohawk – “Animist”

Crime Records

Existem álbuns (e bandas) que nos surpreendeu. “Animalist” e os Octohawk são sem dúvida um deles. Um espírito prog bem embebido no sludge e no heavy metal (ou seja uma salganhada das boas) e o resultado é um álbum que consegue cativar logo à primeira. Eu diria que comigo, “Weather The Storm”, o tema de abertura, foi o que bastou para que ficado rendido. Mas há muito mais, é um desfilar de temas que nos conseguem agarrar a qualquer momento sem qualquer problema. A facilidade que é mais impressionante depois de termos o progressivo em cima, que torna o álbum mais interessante de absorver. Como diria o Lemmy, “the chase is better than the catch”. Não temos mais dúvidas em relação a isso.

9/10
Fernando Ferreira

8 – Cross Vault – “As Strangers We Depart”

Iron Bonehead Productions

Poderá parecer impossível hoje em dia não pensar que já está tudo feito e inventado e o que temos não será mais do que reaproveitar e reapresentar o que já surgiu antes com uma nova sonoridade. E depois há álbuns como este “As Strangers We Depart” que num género como o doom metal conseguem ir muiot mais além disso. Calma, não é a reivenção do género – continuo a dizer que a reinvenção de algo é a criação de uma coisa completamente nova. “As Strangers We Depart” tem todas as características de um disco de doom metal, tal como um trabalho de My Dying Bride ou Candlemass, cada uma com a sua própria identidade. É refrescante mesmo sem desviar-se um momento que seja do que se entende por doom metal. Um álbum que não vai ficar na moda e que de certeza que não vai expandir-se para além do que é a base de fãs do género – já da banda poderá haver (e seria junto que assim fosse) um crescimento. Melancolia, peso mas muita alma, num verdadeiro álbum de doom metal. Cheira a clássico.

9/10
Fernando Ferreira

7 – Inhuman Condition – “Rat God”

Listenable Insanity Records

Capa mais ou menos clássica, lettering/logo mais ou menos clássico, som completamente clássico mas com o poder do século XXI. Inhuman Condition é o nome de uma nova banda – e por esta altura é quando eu faço um esforço enorme para não dizer que se trata de uma super-banda – que conta com nomes como Terry Butler (ex-Obituary, Death, Massacre e Six Feet Under), Jeremie Kling (ex-Massacre e agora em bandas como The Absence, Goregäng e Venom Inc) e Taylor Nordberg (ex-Massacre e também nos The Absence e Goregäng, entre outros) e o resultado é um álbum que mistura a escola norte-americana com a britânica ou pelo menos assim soa aos ouvidos. Mistura da melhor forma, soando clássico do início ao fim mas sem déjà vús negativos. Poder como o death metal era, com um impacto que hoje em dia parece mais lenda que outra coisa parecida.

9/10
Fernando Ferreira

6 – Flotsam And Jetsam – “Blood In The Water”

AFM Records

Os Flotsam And Jetsam são um dos melhores casos de “resurreições” do metal dos últimos tempos. A banda foi-se perdendo progressivamente e nunca conseguiu recuperar o estatuto dos seus dois primeiros álbuns. Curiosamente foi com a regravação de “No Place For Disgrace”, o segundo álbum, que a banda voltou a lançar grandes álbuns. “Blood In The Water” é o terceiro trabalho editado desde então e mantém a mesma força e irreverência. Aliás, nem parece que é uma banda com quase quarenta anos de história e que ainda consegue ter a garra e a criatividade como se estivesse agora a começar. Pesado e frenético no seu início mas que vai introduzindo dinâmicas  – temas como “Cry For The Dead” são fundamentais a isso sem que baixe a intensidade no geral. Pela forma como este álbum convida o ouvinte a voltar. Convida/obriga.

9/10
Fernando Ferreira

5 – Pestilence – “Exitivm”

Agonia Records

Quando se fala em death metal holandês, os Pestilence são uma daquelas referências obrigatórias. De forma menos taxativa, também são uma referência do death metal técnico e mais experimental embora neste contexto não tenham tido grande feedback entre a crítica. Acredito que isso agora possa mudar. “Exitivm” é um álbum arrojado mas também sóbrio, não dá passos maiores que as pernas e não tem ego desmedido. É um trabalho que consegue cativar mesmo sendo complicado, é catchy mesmo sendo técnico e mesmo tendo um alinhamento completamente novo à volta de Patrick Mameli, soa a Pestilence clássico, como uma mistura entre o “Testimony Of The Ancients” e o “Spheres” isto se eles tivessem sido gravados nos dias de hoje. Não vou entrar pelo jogo das comparações porque é fácil de fazê-las e de as mesmas serem mal interpretadas ou simplesmente discordadas. Pelos seus próprios méritos, esta é uma banda com uma história considerável na música extrema mas que continua a trazer-nos música excepcional no presente.

9/10
Fernando Ferreira

4 – Lucifer’s Hammer – “The Trip”

High Roller Records

Terceiro álbum de uma banda de heavy metal do Chile que ainda não está no Metal Archives – está tudo doido?! Os Lucifer’s Hammer têm um som clássico que sobressai a imensa paixão que nutrem pelo estilo. Paixão contagiante  que nos é incutida ao longo destes sete temas. Praticamente sem defeitos. Bem, talvez o defeito é de serem apenas sete e não consumarem mais que trinta minutos mas pelo menos não há argumentos para dizer que há fillers. Pequenino mas trabalhador, basgtante trabalhador. “The Trip” é um absoluto vício, mesmo que represente um nicho dentro daquilo que é o heavy metal. Enquanto tivermos álbuns assim a serem lançados, até poderá ser um nicho mas é um verdadeiro luxo. A verdadeira lembrança de que o heavy metal é imortal.

9/10
Fernando Ferreira

3 – Fractal Universe – “The Impassable Horizon”

Metal Blade Records

Terceiro álbum dos franceses Fractal Universe e um daqueles que, cheira-me, vai marcar a carreira da banda – aliás, costuma ser esse o papel dos terceiros álbuns na carreira das bandas, para o bem e para o mal. É um monumento épico em todas as formas e feitios. Algo que nos faz remeter a uma insignificância, que nos dá vontade de tanto analisar até à exaustão como simplesmente relaxar e desfrutar enquanto nos perdemos nas imagens e pensamentos que suscita. Isto poque poderá haveer a tentação de concluir rapidamente que um trabalho desta envergadura obriga a uma análise detalha para se perceber todos os seus detalhes e nuances, visto que estamos a falar de death metal progressivo ou simplesmente metal progressivo, onde temos elevados níveis técnicos em temas complexos. Mas soando tão catchy como soa, torna-se complicado senti-lo dessa forma. Álbum que um expoente máximo da carreira da banda assim como provavelmente do estilo em 2021.

9.5/10 
Fernando Ferreira

2 – Crimson Dimension – “Crimson Dimension”

Spread Evil

“The came, they saw, they conquered all”. É o que apetece dizer com que este trabalho auto-intitulado dos finlandeses Crimson Dimension. Não há muito bem como defini-lo (death metal épico e progressivo?) nem sequer o impacto que tem (sinceramente a primeira audição representou uma hora em que o tempo perdeu o sentido – de uma maneira positivo) e isso será o grande indicativo da obra prima que está perante nós. Não basta mistruar uma série de elementos da música extrema nem sequer ter apenas músicas com duração superior a dez minutos cada – que o diga os Christ Agony. Nem é o caso de ouvirmos uma música e sabermos logo o que nos espera. O tema homónimo é um épico de death metal progressivo enquanto “Black Mass” é pesado, e agressivo como tudo e até se aproxima mais do black metal melódico e estes dois registos são os que melhor representam o que se pode ouvir aqui como um todo e mesmo assim poderá soar pálida a comparação com o que realmente representa. É um álbum tão difícil de ouvir como fácil. É avassalador, aquele ponto em que quando se pede por mais e realmente se tem mas depois se vê que tivemos mais olhos que barriga mas mesmo assim não conseguimos parar. Mesmo quando nos deixa encostados a um canto a admitir derrota. Derrotados mas prontos para mais uma volta.

9.5/10
Fernando Ferreira

1 – Helloween – “Helloween”

Nuclear Blast

Qual é a definição para ver sonhos realizados? Há várias definições ou marcos nesse sentido mas no geral é ver-se materializado aquilo que se julgaria impossível. No mundo da arte e3 entretenimento podemos colocar nesse patamar a trilogia dos “Mercenários” para os fãs do cinema de acção ou as adaptações das personagens de banda desenhada para a sétima arte. Na música podemos referir a digressão de reunião dos Helloween, “Pumpkins United”. Isso já foi para muitos a realização de um sonho. Mas quando falamos em sonhos, teremos sempre de falar obrigatoriamente de expectativas. Após o impacto inicial, muitas vezes podemos pensar que se calhar as coisas poderiam ter sido diferentes, melhores. É por essa abordagem que tentarei abordar este álbum auto-intitulado. Para já, faz todo o sentido que seja este o momento em que a banda faz o seu álbum auto-intitulado (normalmente um marco que fica reservado ou para a estreia ou para quando a banda sente que será algo especial, em si uma espécie de declaração de intenções), mesmo que este não seja um regresso às origens. Convém explicar que o facto de termos Michael Kiske e Kai Hansen de volta à banda não é ter de novo um Keeper Of The Seven Keys. Este álbum assume-se como algo diferente, o reunir criativo dos elementos que já passaram pela banda (não vou referir Roland Grapow e Uli Kusch porque essa reunião nunca iria acontecer mesmo) seria algo especial, essa energia materializada num novo álbum. O que ainda é mais excitante porque nada apontado para o passado seria tão bem sucedido como aquilo que está feito e que é intocável. Temos então o melhor de cada um dos membros num álbum que até nem é imediato, é longo e obriga a várias audições. Mas a sua ambição é bem compensada, sendo um dos trabalhos mais pesados e multifacetados de sempre – bem, não chega a ir por campos de um “Chameleon” mas não lhe falta a característica melodia Helloween. É um daqueles álbuns que sentimos que queremos lhe dedicar muito tempo porque tem muito a oferecer, um verdadeiro épico de power metal que evidencia que mesmo sem ser igual aos clássicos, este é mais um ponto alto da carreira que muitos julgariam impossível.

9.5/10
Fernando Ferreira

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