Álbum do Mês – Setembro 2021

Álbum do Mês - Setembro 2021

Setembro, para muitos o fim das férias para alguns o começo. No entanto, o que Setembro poderá significar é o regresso, ainda que muito parcial, a alguma normalidade. A música começar a fluir sem reservas. Pelo menos em cima dos palcos porque de resto continuamos a ter muita e boa música, como comprova esta listagem que podem ver (e ouvir) abaixo. 

20 - Perfect World – “War Culture”

Petrichor

Capa fantástica, primeiro de tudo. Que nem faz antever a bojardona crossover/hardcore que é este “War Culture”. A banda nova-iorquina não esconde as suas origens e distribui fruta a torto e direito como se estivessemos nos primórdios da década de noventa. Uma vitalidade que traz uma certa inocência ou de simplesmente quem não quer saber daquilo que já foi visto e feito. E sinceramente? Têm razão, não interessa mesmo, apenas estas músicas e a forma como elas transportam raiva que todos nós transportamos interiormente. Interessam pela forma como fazem sentido, independentemente do conteúdo ser-nos ou não familiar. Pouco menos de meia hora é quanto basta para terminar, mas segundos é só o que demora em carregar no play novamente para voltar a andar nele. Há uma beleza oculta na violência, principalmente quando a mesma resulta de frustrações que estão guardadas no coração.

8.5/10
Fernando Ferreira

19 - Heathen Rites – “Heritage”

Svart

Nova banda nórdica que nos chega e com uma abordagem bastante dinâmica ao doom metal, que vai da toada mais blues como que a algo mais pesado e arrastado. Há por aqui algumas referências à (riquíssima) cultura musical escandinava mas o ffoco de “Heritage” é mesmo o doom metal nas suas mais variadas vertentes. Sente-se como um trabalho embrionário mas que dentro deste espectro já consegue impressionar pela positiva. Fica a curiosidade em saber se vão explorar ainda mais a vertente folk – aquela outro ambiental “Kulning” é arrepiante – mas seja qual for o caminho, o talento é bem evidente.

8.5/10
Fernando Ferreira

18 - Rage – “Resurrection Day”

Steamhammer

Confesso que não tinha grandes expectativas para mais um álbum dos Rage. Desde que Victor Smolski saiu, senti que a banda tem andado um pouco à procura do seu lugar, do seu som – não que estivessem alguma vez a soar a outra coisa que não a Rage, mas apesar de competentes, os seus mais recentes trabalhos não chegaram a ser tão memoráveis quanto seria desejável. No ano em que completam 35 anos de carreira e com o seu vigésimo quinto álbum (“Peavy” considerará como vigésimo sexto, já que conta sempre com o álbum dos Avenger), os Rage apresentam-se em todo o seu esplendor, com canções grandiosas, grandes riffs, solos, melodias e até um pezinho nos elementos sinfónicos que já tinham desaparecido do som da banda há algum tempo. Resumindo, fantástico, um álbum dos Rage ao seu melhor nível!

8.5/10
Fernando Ferreira

17 - Sons Of Alpha Centauri – “Push”

Exile On Mainstream

Gosto quando as bandas nos trocam as voltas. Quando mudam uma característica fundamental, mesmo que seja uma característica que fosse a que gostava mais. Nem todas as mudanças são positivas e imediatamente eficazes – por vezes precisam de algum tempo e lançamentos até se manifestarem da melhor forma. No caso dos Sons Of Alpha Centauri, a banda que sempre foi instrumental, apresenta-se agora com um vocalista – Jonah Matranga (dos Far e Gratitude). A emotividade era a sua grande arma e ela continua cá, apenas manifestada de forma diferente. A voz de de Jonah é sem dúvida o maior veículo da mesma, aproximando Push de terrenos muito exclusivos que anteriormente estavam reservados para os Deftones mas com uma variante bastante interessante. A inclusão de mais um baterista, neste caso Mitch Wheeler (Will Haven) é apenas mais um dos motivos que faz este álbum aventureiro mas também aquele que vê a banda optar por uma direcção mais concisa, mais próxima do formato canção que aponta tanto na direcção do pós-hardcore como no campo mais alternativo. Não se sabe se é algo para continuar, mas o resultado é bem positivo, disso temos a certeza.

8.5/10
Fernando Ferreira

16 - Graceful – “Demiurgia”

Vlad Productions

Heavy rock de fusão. Soa a rótulo acabado de inventar, não é? Mas até que acerta (mais ou menos) em cheio. “Demiurgia” iniacia-se de forma sedutora, ao melhor estilo tripo hop, com groove a fazer lembrar as propostas revolucionárias no campo no final do século passado. “The passage”, o tema em questão, é mesmo um dos melhores temas do álbum, ainda que o mesmo traga algo de seguida completamente diferente. “Enemy” é noise rock frenético empolgante com o seu quê de punk enquanto o tema-título já apresenta um groove que mistura os dois, como se essa mistura tivesse sido feita pelos Faith No More. E em três temas já temos uma montanha-russa que nos inspira para o resto, algures entre estes três registos diferentes que fazem com que se tenha um álbum mais sólido do que o esperado. Sólido e viciante.

9/10 
Fernando Ferreira

15 - Runespell – “Verses in Regicide”

Iron Bonehead Productions

“Verses in Regicide” é o sexto lançamento de Nightwolf, e o quarto álbum em quatro anos, sob a designação Runespell. Lançamentos anteriores têm sido, na minha opinião, todos excelentes exemplos de Black Metal. Runespell produz um som de Black Metal épico que não cai na fácil apropriação folk, nem naquele som “sem classe” inspirado no viking. A Austrália não seria, no início, o lugar em que se pensaria para esta linha de Black Metal, este Black Metal de inspiração medieval, mas existe, e é espantoso! O que é que temos neste novo lançamento? Bem, se eu vos dissesse que  Nightwolf continua a seguir a linha que ele desenhou pela primeira vez com “Aeons of Ancient Blood”, já em 2017, se não tivessem conhecimento do seu som, estas palavras significariam muito pouco, correcto? Correcto. Mas, de facto, Runespell segue a linha previamente traçada e apresenta-nos um novo lançamento épico! Melodia grandiosa e épica, adaptada para um Conde, mas também para o guerreiro comum! Eu, pessoalmente, considero Runespell como um dos mais equilibrados actos de Black Metal que anda por aí. Tem o lado épico, tem a faceta mais agressiva, mais visceral, tem melodias que pintam imagens de castelos e batalhas medievais… se se está dentro do som do Black Metal dos anos noventa, esse som GRANDE, bem produzido mas, ainda cru e perigoso, Runespell pode ser uma boa escolha. Mantém-te firme, viking da terra dos cangurus!

9/10
Daniel Pinheiro

14 - Illt – “Urhat”

Indie Recordings

Quando não se espera nada, é quando o impacto é maior. Illt é o projecto do compositor e guitarrista Roy Westad. Se ficaram na mesma, é natural, afinal o talento do norueguês esteve mais ao serviço da televisão e cinema do seu país, levando-o a conquistar alguns prémios como o Emmy para melhor banda sonora em 2014. Apesar de ter background como guitarrista e amor à música extrema, não se conhece no seu currículo nomes sonantes na música pesada. De qualquer forma aqui está ele, neste seu novo projecto que, ao contrário de que se possa pensar, não está sozinho. Aliás, os únicos instrumentos pelos quais é responsável é nas guitarras e baixo, contando ainda com a ajuda (preciosa) de Karl Sanders (Nile) e Mr. Damage (Chrome Division) nos solos, de Dirk Verbeuren (Megadeth e mais outrs mil bandas e projectos) na bateria e Bjorn “Speed” Strid (Soilwork) na voz, este último nunca soando tão zangado como aqui. É um álbum que tem muito da estética do black metal noruguês, principalmente nos riffs, juntando-lhe um poder death metal. Soa fresco, soa urgente e especial. Aquilo que queremos ouvir quando se tem um projecto. Curto (seis temas em pouco mais de meia hora) mas altamente eficaz, não há como não ficar fã desta proposta.

9/10
Fernando Ferreira

13 - Whyzdom – “Of Wonders And Wars”

Scarlet

O regresso dos franceses Whyzdom é bombástico. “Of Wonders And Wars” é já o quinto álbum de uma banda que merece subir uns fortes degraus no ranking do metal sinfónico. Devo dizer que o maior impacto é mesmo o da voz de Maria Mac Leod que tem um poder único, com os tons operáticos a destacarem-se naturalmente. Apesar de ser um caminho já bastante trilhado hoje em dia (e nos útlimos dias), o poder cinematográfico destes temas fazem esquecer a sobrepovoação e apenas nos obrigam a apreciar toda a sua beleza e majestosidade. Entre as referências máximas do estilo, talvez Nightwish seja aquele mais presente todavia as semelhanças que existem entre as propostas ficam à superfícia porque os Whyzdom têm um estilo próprio e isso faz com que este álbum, ambicioso e épico seja visto e sentido como uma grande obra, única (mesmo sem se desviar das concepções e regras do género), e não apenas mais um.

9/10
Fernando Ferreira

12 - Glasgow Coma Scale – “Sirens”

Tonzonen

O novo álbum dos alemães Glasgow Coma Scale é fruto dos tempos. “Sirens” marca a estreia de um novo baterista e é também um disco gravado em tempo de pandemia. Será sempre uma altura arriscada para apostar no lançamento de um álbum mas é inevitável para quem tem a música no coração que simplesmente pare e espere por momentos melhores. “Sirens” não só é um álbum que reflecte este momento de revolta com um peso acrescido como também mantém as sensibilidades melódicas da banda, sendo, provavelmente, um dos seus melhores trabalhos de sempre. E tudo flui, não houve (sente-se, posso estar errado) um plano, sente-se que estas músicas saíram exactamente do coração. Instrumental mas que fala ao coração, “Sirens” é um dos grandes trabalhos pós rock de 2021 e ao qual é impossível ficar indiferente.

9/10
Fernando Ferreira

11 - Dawn Of A Dark Age – “Le Forche Caudine”

Antiq

Dawn Of A Dark Age é mais que uma one-man band e mais do que apenas um projecto com inúmeros convidados. É mais do que um álbum que se apoia em contextos históricos para ser ainda mais épico. É ainda mais do que ter duas faixas longas só porque sim, ou de misturar uma série de estilos e elementos de campos estilísticos diferentes num só estilo para soar pretensioso. Tudo tem razão de ser e a convergência do death e black metal melódicos com o folk e ainda uma vertente jazz (muito graças ao clarinete) que resulta bem. Aliás, tudo resulta bem. Se formos a descrever, quem ainda não ouviu vai pensar “ora aí está uma salganhada monumental” mas depois de ouvir apenas vai concluir que este será um dos grandes álbuns de 2021, onde a criatividade expõe-se como o combustível para ir mais além e para trazer algo único, ao qual não nos queremos separar tão cedo.

9/10
Fernando Ferreira

10 - Pil & Bue – “The World In A Rabbit Hole”

Indie Recordings

Da Noruega, um duo que já garante qualidade nos meandros do rock mais moderno e/ou alternativo. A emocionalidade da voz de Petter Carlsen, aguda e melódica é aquele primeiro impacto que temos mas por trás dela há toda uma vida que se expande para o resto da música. Apesar da melodia, há uma raiva e uma urgência que contagia quem a ouve. O terceiro álbum dos noruegueses não desilude e é capaz de superar as expectativas que já estavam elevadas. Potencial comercial que não faz diferença perante a sua qualidade – dado o estado da música popular, até parece longínqua a memória de nos queixarmos que havia um álbum muito comercial – e que não impede que tenhamos um trabalho com peso, profundo líricamente e com capacidade de ir para além do estado descartável que parece ser mais que geral hoje em dia.

9/10
Fernando Ferreira

9 - The Sun Or Moon – “Cosmic”

Tonzonen

Groove especial e boa onda. Um groove quase chillout e ambient mas que tem também muito de prog rock e psicadélico. Uma junção de várias disposições e estilos que fluem de uma forma que se sente fluída. Aliás, até o ouvinte entra na onda facilmente, tão fácil que escrever esta review ficou muito complicado. Como conseguir ficar concentrado quando todo o nosso ser se tenta escapar do corpo a cada passagem, a cada audição. Das tapeçarias sonoras que são construídas até à base rítmica que é tanto sólida como criativa – e aquele baixo, que groove meu Zeus, que coisa fantástica – tudo é perfeito, uma perfeita obra do Universo ao qual nos parecemos fundir cada vez mais. A especificidade da música poderá fazer com que não seja um disco para todas as ocasiões mas isto em cima do palco e com o espaço para haver jams improvisadas, deve ser ainda mais sublime daquilo que já é em disco.

9/10
Fernando Ferreira

8 - Brainstorm – “Wall Of Skulls”

AFM

Ao fim de tantos anos de carreira e em cada lançamento, os Brainstorm conseguem sempre surpreender pela altíssima qualidade dos seus discos. “Wall Of Skulls” é o próximo, com data prevista para setembro, traz uma sonoridade cheia de puro heavy, com muita energia, músicas muito poderosas e na minha opinião será aquele que irá dar à banda o merecido reconhecimento uma vez que será o álbum da carreira da banda. Como convidados especiais surge a participação do lendário “Peavy” Wagner dos Rage e do mentor dos Orden Ogan, “Seeb” Levermann, que também surge nos créditos de produção. Se tudo correr bem, em breve irão passar pelo nosso país e possivelmente alguma das faixas aqui presentes irão fazer parte do alinhamento e as delícias daqueles que possam marcar a sua presença.

10/10
Miguel Correia

7 - Horte – “Maa Antaa Yon Vaientaa”

Pelagic

Diz o comunicado de imprensa que este disco é aquele que tem tocado mais nos escritórios da Pelagic Records. Embora se possa desconfiar deste tipo de afirmação que até é comum nos comunicados de imprensa, não é difícil perceber que a mesma deverá ter fundamentos apoiados na realidade. Algures entre o shoegaze psicadélico e o trip hop, em menos de quarenta minutos somos transportados numa maravilhosa e intrigante viagem. O facto das letras serem todas em finlandês não funciona como uma barreira, principalmente por ficarmos logo hipnotizados pela voz de Riikka que apela a um transe minimalista. A melancolia é uma das características mais proeminentes mas não ao ponto de sentirmos que ofusca tudo o resto. O que faz com que a viagem seja ainda mais apetecível nos dias em que nos queremos perder dentro de nós próprios, tendo apenas a música como ténue guia.

9/10
Fernando Ferreira

6 - Rise To The Sky – “Per Aspera Ad Astra”

GS Productions

Um álbum por ano, nos dias de hoje, é de desconfiar – muita quantidade normalmente equivale a pouca qualidade. Dois álbuns por ano, mais ainda se desconfia. Ou seria para desconfiar caso eu tivesse feito uma pesquisa prévia a esta one-man band (normalmente o ritmo elevado edições é mesmo proveniente de projectos musicais solitários) chilena. Como avancei logo para a música, não pude evitar a surpresa depois ao descobrir que este é o quarto álbum desde o início da sua carreira em 2019. Não posso falar obviamente pelos anteriores trabalhos mas posso dizer que este é um excelente álbum de doom metal melancólico e melódico, com um grande alcance emocional mas sem ser demasiado lamechas – por vezes a vontade de ser dramático faz com que se sinta que se tenha drama a mais e tem precisamente o efeito contrário. Lento, pesado e com o equilíbrio o suficiente para que se torne uma obra memorável. Está tão bom que nem acredito que esta excelência tenha começado aqui – ou seja, é uma boa motivação para ouvir os álbuns anteriores.

9/10
Fernando Ferreira

5 - Skepticism – “Companion”

Svart

Trinta anos de Skepticism, o que é o mesmo que dizer, trinta anos de funeral doom metal de qualidade ímpar. Ao sexto álbum, a banda já não tem nada a provar a ninguém a não ser a eles próprios mas de certeza de que o colectivo estará satisfeito como estes seis temas trazem aquela melancolia arrastada e cheia de peso metálico que a torna tão viciante. Este será o grande triunfo, já que a música arrastada tem tendência a poder-se tornar aborrecida – logo à partida ter um estilo como funeral doom a comandar os destinos poderá ser uma desvantagem. Não aqui. Até porque, curiosamente, um nome que surgiu desde cedo no processo de dissecar este “Companion” foi Amorphis, ali por alturas da transição do “Karelian Ishtmus” para o “Tales From The Thousand Lakes”, graças ao gutural profundo e agressivo e às melodias da guitarra solo. O que é curioso é que conforme o álbum vai avançando, o nível de exigência para com o ouvinte vai aumentando simultaneamente, tornando-o ainda mais dinâmico do que aquilo que se antecipava. Como uma bonita história de amor que se vai tornando lentamente num pesadelo ou como a esperança dá lugar ao fatalismo mais negro e até absurdo. Resumindo, a forma perfeita de comemorar trinta anos de carreira: com um dos seus melhores trabalhos de sempre.

9/10
Fernando Ferreira

4 - Portrait – “At One With None”

Metal Blade

O regresso dos Portrait já tardava. Havia um certo vazio existencial que se acrescentava à falta de concertos e restanto estado de pandemónio generalizado (ainda mais que o normal). Aqui está finalmente o sucessor de «Burn The World», um dos destaques do heavy metal tradicional de 2017. Primeiro déjà vú, «At One With None» promete ser o grande destaque do estilo em 2021. Muito cedo? Segundo déjà vú, a banda sueca borrifa-se por completo em relação ao que o mercado procura e aposta em trazer um excelente conjunto de músicas (mais um) imbatível. E é por esta altura que chega o terceiro déjà vú, que é tentar explicar-se a quem não gosta de heavy metal o porquê de tamanho entusiasmo por temas que até nem são imediatos, dificilmente vão ser a voz de uma geração e que soam intemporais – cujo melhor atractivo é não soar às tendências actuais da música moderna. Heavy metal com uma mística e profundidade únicas e que brilha especialmente quando se arrisca a ser épico como na «Ashen» e no tema-título que abre o álbum – que é mesmo o que basta para que se fique fisgado – mas também inesperadamente intricado e complexo como na «A Murder Of Crows». Versátil e marcante. Pessoal do heavy metal, não é preciso dizer mais nada, pois não?

9/10
Fernando Ferreira

3 - Thyrfing – “Vanagandr”

Despotz

Festa e antecipação perante o novo álbum dos Thyrfing. Festa porque finalmente está cá fora, antecipação porque foram oito anos de silêncio até que tivessemos o regresso. Quanto mais tempo de ausência, maiores são as expectativas mas devo dizer que as mesmas não ficaram defraudadas. “Vanagandr” é uma reunião de todos os melhores elementos da banda sueca e divididos por oito capítulos. Épico, melódico e pesado, conseguindo ser tudo aquilo que se antecipava e indo mais além. Isto porque para além de todos os elementos esperados, temos também um lote de temas que é um dos mais fortes de sempre da banda. Mesmo com o desconto do entusiasmo de estar a ouvir freneticamente este álbum. Vício absoluto!

9.5/10 
Fernando Ferreira

2 - Osi And The Jupiter – “Stave”

Eisenwald

Excelência, é o que se espera desde logo para um novo trabalho dos Osi And The Jupiter. E excelência é o que encontramos imediatamente na primeira audição. Muitas vezes falamos de como alguns trabalhos nos tiram da zona de conforto e obrigam a uma maior e mais prolongada convivência. Não é de todo a experiência que se tem com “Stave”, tal como se esperaria. Um sentido de folk que vai da ambiência ao misticismo, com uma atmosfera que remete para as tradições norte-americanas (e que em muito embeberam de tradições como a irlandesa e a escandinava). Reflectir sobre a beleza de um tema em particular quando são todos belos é inútil mas tenho que referir “Eihwaz (The Beating Heart Of Yew) como representativo  da excelência que podemos encontrar neste álbum. Sublime.

9.5/10
Fernando Ferreira

1 - Mono – “Pilgrimage Of The Soul”

Pelagic

Existem bandas que não têm que fazer muito para cativar a atenção. Não por serem abençoados ou por serem imbatíveis  – não há algo assim – mas por terem uma base e um passado que causou impacto tal que a breve noção de que vão apresentar algo de novo é o suficiente. É esse ponto em que os Mono estão com “Pilgrimage Of The Soul”, o décimo primeiro álbum da carreira da banda e que surge quase automaticamente como um grande álbum sequer antes de o ouvir. Mas convém ouvir, não é? As melodias e ambiências emocionais sempre foram o ponto forte da banda e uma das razões pela qual muitos gostam de pós rock – ainda que a banda tenha um desconforto em relação. Se por vezes a banda embarca em ondas mais experimentais, “Pilgrimage Of The Soul” não tem esse arrojo mas não quer dizer que seja por isso um álbum menor. A excelência e a inspiração estão mesmo num dos pontos mais altos, algo que até a própria capa consegue demonstrar de forma perfeita. Um dos grandes álbuns deste ano, ponto.

9.5/10
Fernando Ferreira

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