WOM Cartas de Vinil – Fã

Por Rosa Soares

Simplesmente fã

Após algum tempo de ausência, regresso com mais uma Carta de Vinil. Uma carta que escrevo com pele de galinha, e os olhos enevoados de emoção.

Passo tantas horas a ouvir música, a ver concertos, a ler sobre música, a falar com músicos que hoje me dei conta de que por vezes se desvanece a essência. O que quero dizer com isto é que, fazendo a música parte da minha vida, enquanto hobby e paixão, por vezes me dedico tanto a mostrá-la que não deixo tempo para mim e para a viver em pleno.

Hoje, enviaram-me um concerto, gravado há vinte e nove anos do qual apenas conhecia dois ou três excertos existentes no YouTube, pelo facto de ser fã do baixista e da sua banda (pois é… baixistas, já estão vocês a pensar…). E, o que decidi fazer foi vê-lo sem me preocupar com mais nada em redor – esquecer o Facebook, os emails, o Messenger. Decidi que iria ver aquele concerto num momento só meu, já que, há vinte e nove anos me era completamente impossível fazer viagens para ver as bandas de que gostava. E o que aconteceu foi algo que, só de pensar, me arrepia. Foi como se abrisse uma cápsula do tempo e regressasse ao meu quarto, aos meus 17 / 18 anos e estivesse a ouvir de novo aquele som, que me acompanhou em tantos momentos. E dei por mim tomada pela emoção do momento. Não do momento actual, mas do momento que estava a viver e que aconteceu há quase três décadas. Dei por mim a viver o momento, a sentir o que se passava naquele palco… dei por mim, ali, a muitos quilómetros de distância, numa viagem no tempo, onde o écran do computador era do tamanho do mundo, do tamanho da minha paixão pela música. E quando acabou, não fiquei com aquela sensação de vazio, de quero mais com que tantas vezes fico no final dos concertos. Quando acabou, a sensação que me preenchia era a de felicidade, de comunhão, de êxtase. Tenho a certeza que se naquele momento alguém me olhasse olhos nos olhos conseguia ver a minha alma. Porque naquele concerto houve alma, sonhos que passam através daquelas cordas, tocadas com a paixão vivida no momento.

Hoje, graças a um concerto sem grandes produções, numa gravação que demonstra a idade que tem (excelente gravação, devo dizer), eu voltei a sentir aquela essência de que falava no início do texto. Voltei a sentir o que é ser fã, na sua verdadeira essência da palavra. Porque ser fã, é muito mais que gostar, é muito mais que seguir, coleccionar ou saber tudo sobre a banda ou o músico. Ser fã não se traduz em actos, mas sim em sentimentos. Ser fã é emoção, é sentir. E hoje, durante o tempo daquele concerto, visto num computador, e com décadas de idade, eu voltei a sentir-me fã na sua plenitude. E foi tão bom! E, mais uma vez, percebi porque é que não consigo viver sem música. Porque quando a música é tocada assim, quando alguém nos consegue fazer sentir assim, nos consegue fazer fã, quando consegue esta fusão, é magia que acontece! E hoje, eu voltei a sentir essa magia, voltei a sentir-me fã, e nada no mundo paga essa sensação!


 

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