WOM Entrevista – Morbid Death

Um ano depois e como tanto mudou! Os Morbid Death há um ano atrás ambicionavam muito este passo, agora dado com a gravação de “Oxygen”, que é o nosso álbum do mês para Abril. Surge a Art Gates, uma remodelação total do alinhamento e finalmente o tão desejado disco. A World Of Metal foi falar com Ricardo Santos, eterno líder dos Morbid Death. – Por Miguel Correia

 

Como foram vividos todos estes tempos desde aquele momento do lançamento de “One More Day”?

Comparo todos os momentos vividos como um andar na montanha-russa. A vida é feita disso mesmo, de altos e baixos, de percas e conquistas, de decisões mas sempre com o olhar fixo no objectivo traçado. Tinha chegado a altura de levar o assunto mais à séria, até porque tendo uma editora, tudo se alterava e a mentalidade devia ser outra que não aquela que estava ‘implementada’.

A banda passa a trabalhar num formato diferente e pergunto, percebendo o peso que o Luis teve nas composições e não só, a chegada dele foi uma enorme mais valia, não deixando de fora, até porque não quero ser injusto, o Rafael…

Sem dúvida, num formato diferente e com muita vontade de trabalhar. Com o contrato assumido entre nós e a Art Gates Records, a disponibilidade e a dedicação teriam que ser outras. E isso veio com o Luís e o Rafael! Com a entrada de ambos, vieram também ideias novas. Não é por por acaso que este álbum tem o nome Oxygen!

E como é trabalhar com eles até porque a estreia, digamos assim, já tinha sido feita oficialmente num festival local?

O Luís já era um ‘velho’ conhecido da banda. Em tempos, desempenhou a função de roadie e até chegou a actuar connosco, substituindo um guitarrista. Quanto ao Rafael, não o conhecia. Tendo sido referenciado pelo Luís, lá marcamos o primeiro ensaio, surpeeendendo-me pela positiva. Com a motivação em alta, fomos ensaiando com assiduidade para a estreia dos novíssimos Morbid Death, ao vivo. Sabe bem!!

Chegar a Art Gates foi crucial para os Morbid Death terem dado o passo que deram?

Em tempos, trabalhamos com duas editoras nacionais. Creio que qualquer banda procura isso mesmo, uma editora. Ter um aliado com todo o know-how é sempre bom, não!? Passados muitos anos sem qualquer editora, andámos um pouco à deriva e com a agravante de sermos insulares, estávamos afastados do meio que procurávamos incessantemente: o Underground Nacional. Com a Art Gates Records, e logo uma editora estrangeira, tudo se alteraria mas tínhamos que estar à altura da confiança depositada em nós. Era o momento de recuperar todo o tempo perdido, dando o ‘corpo ao manifesto’. A fase de ‘brincar às bandas’ já tinha acabado e permite-me dizer que teríamos todo o gosto em atuar nos mais diversos eventos de metal, em território nacional. Desde que haja boa vontade, tudo se consegue! 

Já percebi que o album tem tido uma recetividade fantástica, como te sentes com esse reconhecimento por parte da critica?

Já não sentia alguma ‘felicidade musical’ há já algum tempo. “Oxygen” foi produzido pelo Luís, nosso guitarrista. Fez um excelente trabalho recebendo até rasgados elogios por parte do Jakob Herrmann, produtor sueco que masterizou Oxygen, nos Top Floor Studios. Com as inúmeras ideias que foi-nos apresentando e obviamente, com o nosso aval e sugestões, foi-se contruindo aquilo que hoje em dia é “Oxygen”. Não vejo a música como uma competição, até porque é bastante subjectiva. Contudo, tem recebido excelentes críticas. Até ao momento, o saldo tem sido bastante positivo, tendo sido o Highlight aqui na WOM, sendo eleito como álbum dos mês de Abril de 2020, sucedendo ao álbum Quadra dos Sepultura, deixando-nos muito orgulhosos. Resumindo, não poderia estar mais satisfeito do que estou. Aliás, a banda está super satisfeita com o resultado final. E ainda temos um longo caminho pela frente.

 

 

Os Morbid Death sempre foram uma banda muito dinâmica na sua sonoridade e desta vez dentro do padrão heavy há por aqui elementos que se distinguem. Como defines “Oxygen” musicalmente?

Defino “Oxygen” como o álbum mais completo, maduro e diversificado da carreira dos Morbid Death. Tudo o que nos agradasse, foi incluído no álbum. Um dos instrumentos que destacámos, e por ser exclusivamente dos Açores, é a Viola da Terra. Poderá ser ouvida na faixa instrumental Jordsträngar. Preferimos que seja o ouvinte a definir o álbum porque lá está, ele é que é o ´Juíz’.

Qual a(s) melhor (es) músicas para ti neste disco?

Esta é uma pergunta tramada com uma resposta fácil: todas! Cada qual transmite emoções únicas e que num todo, completa o círculo de emoções.

Porquê a opção do lançamento de “Away” e “The Perfect Lie” naquele formato?

Faz parte de todo o processo de promoção do álbum, a escolha de singles. Após algumas audições em estúdio, decidimos que The Perfect Lie seria o primeiro single a ser conhecido, por ter uma sonoridade mais abrangente, seguindo-se a Away e depois, a Dead Inside como lyric vídeo.

Cancelamentos e mais cancelamentos e a vocês esta pandemia também cortou um regresso ao continente… vai haver reagendamento dessa data?

Infelizmente, é verdade. Estávamos extremamente satisfeitos por ter esta data marcada. Seria a 17 de Abril no RCA, em Lisboa. Faríamos parte do concerto de apresentação do novo EP dos Sacred Sin, em conjunto com os EnChanTya e New Mechanica. Todo o futuro é incerto mas tentar-se-á reagendá-lo. Além disso, temos recebido por parte da editora, certas propostas para incorporar algumas tours europeias de bandas com algum nome. Vamos deixar que tudo acalme e depois traçar um novo rumo, não pondo de parte uma tour completa ou semi-completa com outras bandas. É um objectivo nosso.

Como vives este momento e o que esperas do futuro? Morbid Death a caminho de um próximo disco?

Só espero é que este pesadelo global passe o mais rápido possível. Todos têm o seu futuro hipotecado devido a esta pandemia, ficando de uma certa forma dependentes dela mesmo. Tínhamos algo em vista e que teria lugar mais para o final de 2020, mas lá está, certos projectos serão adiados para outras alturas. Há que reajustar todo o plano definido anteriormente.

 

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