WOM Interviews – Corpus Christii – Especial Oeste Underground Fest

Corpus Christii é sem dúvida uma das bandas mais influentes do black metal nacional, tendo chamado a atenção a nível internacional (e underground) para o que é feito neste nosso canto esquecido tantas vezes por Deus. O seu nome e presença é sempre indicação de cartaz de qualidade e o Oeste Underground Fest não é excepção. Aproveitando a oportunidade, fomos falar com Nocturnus Horrendus, eterno líder e impulsionador de Corpus Christii. Por Fernando Ferreira e Daniel Pinheiro

Olá N.H. e bem vindo ao nosso World Of Metal. A actividade dos Corpus Christii ao vivo, pelo menos no nosso território, não tem sido muito regular, tendo no entanto, desde o lançamento de “Delusion” um acréscimo de convites para festivais, incluindo o Oeste Underground Fest. Trata-se de uma estratégia ou simplesmente não têm surgido oportunidades?

Salvé! A simples razão é que estive fora e tornou-se dificil tocar mais concertos. No entanto tenho estado a tentar resolver essa situação. No entanto, não gosto de tocar muito pois temos um país pequeno e um especifico grupo de fãs ainda mais restrito.  Nem eu gosto de tocar muito. Sempre a mesma coisa. Faz-me imensa confusão termos bandas que tocam umas 20 vezes por ano em Portugal. Cansa. Sei que há gente que alinha sempre nisso. Talvez deviam sim tentar ir a mais concertos de bandas diferentes que sempre aos mesmos.

Com tantos anos a viver neste meio, e especialmente no black metal, sentes que se perdeu, pelo caminho alguma da essência e pureza do mesmo? Um pouco daquele romantismo da décade de noventa?

Obviamente. E grande parte da culpa foi mesmo a net. Ajudou em muito mas destruiu muito mais. A pureza. A cena ingénua. A distância de tudo o resto. Os contactos e trocas que demoravam e nos nos fazia criar mais valor. A procura, que era parte da cultura. Quanto mais te esforças mais empenhado serás e mais prazer tirarás do mesmo. Admito que tenho saudades desses tempos. Nunca mais foi o mesmo. No entanto ainda oiço Black Metal com o mesmo amor e paixão que sentia antes. Isso não mudou. Mas ao menos vivi esses tempos. Não posso dizer o mesmo pelos mais novos. Muito perderão pelo simples facto de terem nascido mais tarde. Nada pode ser feito agora. Só viver um pouco de nostalgia.

Por outro lado e tendo em conta o que disseste, sentes que o nosso panorama, a nossa ”cena” black metal tem, nos últimos anos, crescido ao ponto de ombrear com o que se faz lá fora?

Temos tido um acrescimo bom de lo-fi BM. De boa qualidade. Mas já acho que se torna demais e perde o seu encanto. No entanto prefiro que exista que o inverso. Por outro há uma serie de novas bandas supostamente BM mas são tudo menos isso. Sou completamente contra vir pessoas de outros meios nada a ver, entrar no BM e fazer bandas. Podia explicar melhor mas escusado fazer. Mudem de meio!!! De resto acho que as boas bandas daqui ainda não fizeram o suficiente para se promoverem lá fora. Mas isso é com eles, sinceramente. Eu cada vez mais prefiro fazer menos e não encher o meio de lançamentos. Pois hoje facilmente cai no esquecido. Mas isso sou eu. Cada um sabe de si. Sei sim que tivemos uma fase mágica entre 2001 para e 2010 mas isso acabou.

Gostava de dividir esta pergunta em duas. Em termos de futuro, para Corpus Christii, o que tens planeado? Alguma coisa que possas adiantar?

Vamos gravar novo álbum ainda este ano caso seja possivel. E ano que vem estamos a planear uns fests fora e uma tour com os Darkmoon Warrior. Temos também um split EP com eles a sair quando possivel. De resto pouco mais me preocupa. Não tenho pressas mas não quero fazer as coisas a passo de caracol.

E em termos musicais? Tendo já passado por diferentes e diversas fases, onde é que o próximo passo poderá levar? Tens alguns limites em relação ao que queres fazer, a nível de abordagem?

Vou voltar de novo a uma abordagem mais promitiva e talvez meio bárbara. Mas claro que terá sempre aquelas partes “fucked up in the head” que é a assinatura de CC. Cada um tira as suas conclusões. Mas CC tem sempre uma linha que identifica a banda. Temos o nosso trademark.

Sendo tu originário da zona da Malveira, qual o sentimento de te estreares na tua zona de origem?

De alegria e honra. Comecei a tocar em 95 e cheguei mesmo a ter sala de ensaios na Póvoa da Galega em 97 para ai. Mas nunca toquei ao vivo nessa zona. Recordo maus tempos como MetalHead nessa zona. Mas só me tornou mais forte e dedicado. Sei que as coisas mudaram e ainda bem. Adoro a zona Oeste. Acho-a lindissima e autêntica. E espero que todos contribuam para que se mantenha assim.

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