WOM Perfil – António Jurado (Espiral)

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O que me proponho aqui contar, através deste artigo, é uma espécie de viagem ao interior de Espiral, uma banda com 15 anos de existência e composta por cinco homens maduros, com um passado musical e um percurso conhecido, quase em exclusivo por Ceuta.  E não o vou fazer de forma jornalística (até porque não sou jornalista), mas de uma forma mais informal e até pessoal. Num momento em que o convívio se encontra tão limitado, proponho que venham até este espaço musical, onde vos vou contar o que sei sobre os Espiral. Podem conferir a biografia aqui. Hoje começamos com o seu baterista, António Jurado – 47 anos.

Por Rosa Soares

 

Antonio Jurado Garcia, 47 anos, casado e pai de duas filhas, é o membro mais reservado da banda, mas que em palco não passa despercebido, quer seja pelas caretas que faz, quer pelo poder da sua bateria, ao qual acrescenta a voz, pois faz os coros da banda (função que partilha com o guitarrista José Corrales). Diz, quem o conhece, que no seio dos amigos é muito brincalhão e que está sempre bem disposto.  Apaixonado pela percussão desde muito pequeno, foi na drogaria da mãe que começou a tocar bateria em baldes de detergente e latas de tinta, usando pincéis como baquetas. Como podem imaginar, esta actividade musical improvisada, era motivo de muitas dores de cabeça da mãe de António. Mas havia outro baterista na família: o tio de António, e este aproveitava sempre as visitas familiares para questionar o tio sobre como aprender a tocar. E um dos momentos que António não esquece é a oferta de um par de baquetas por esse seu tio. Foram as suas primeiras baquetas!

Com cerca de 10 anos era habitual vê-lo com um rádio de cassetes, procurando músicas de que gostasse. Foi num desses dias que, ouviu, “Ride Like The Wind”, do álbum “Destiny”, dos Saxon. Foi a primeira vez que se cruzou com aquele estilo de música, que adorou. A partir daí a curiosidade tomou conta do António menino, que começou a querer conhecer mais e a procurar outras bandas como Barricada, Manzano e Banzai, Bella Bestia, Legion, Scorpions, Stryper, Def Leppard, Manowar, W.A.S.P., entre outras.

Já adolescente, numa Ceuta onde existiam muitos fans de heavy rock, as tardes eram passadas no terraço do histórico Revellín* onde existiam as salas de ensaio dos grupos locais e onde as primeiras experiências musicais tiveram lugar.

As suas primeiras bandas foram os Heyndhal e os Asylum, ambas formadas com Rogelio Mateo, que, entretanto, saiu para integrar uma das bandas míticas de Ceuta, os Sheilan. António continuou a tocar com amigos, mas sem ter nenhuma banda constituída, pois já nesse momento se começava a focar no seu futuro profissional: a admissão na Polícia Local.

António define-se como obsessivo com os objectivos a que se propõe (é um dos três defeitos que identifica, a par de ser teimoso e despistado) e, aos 17 anos já se preparava para as provas de admissão, o que concretizou assim que atingiu os 19 anos.

O seu amigo Rogelio também seguiu o seu caminho (do qual falaremos mais à frente), mas como eu sempre digo, o que a música une, nada separa. E foi o que aconteceu, quando alguns anos mais tarde, António e Rogelio se encontram a partilhar a mesma profissão, na mesma cidade onde nasceram. Os dois polícias “estrelas de rock” decidem então retomar o projecto musical interrompido na adolescência. Junta-se a eles, Luis Zapater e nasce La Taberna de Moe, o embrião de Espiral.

Assume-se fã de Twisted Syster, Sôber e Breaking Benjamin, que com Stryper, Metallica, e Myrath, constituem as suas principais influências musicais. Fiel, honrado e leal, tem em Manu Reyes (baterista de Sôber) o seu ídolo musical, não apenas pela forma como toca, mas também pela sua humildade e simplicidade, características que comprovou ao falar com o próprio, após um concerto de Sôber.

Prefere ouvir música em formato físico e ainda se lembra do primeiro vinil que comprou, dos W.A.S.P. Actualmente, ouve bastante o último trabalho de Ozzy Osbourne e “Cuando Vuelve El Sol”, dos Espiral, não conseguindo afastar o espírito crítico na audição deste último, apesar de confessar que lhe agrada bastante.

 

Para manter a forma que o seu ritmo de bateria exige, é praticante de Calistenia. A repercussão deste último trabalho apanhou-o de surpresa, e ainda mal pode acreditar quando sabe que várias emissoras internacionais passam a música dos Espiral. Quando questionado sobre os motivos porque Espiral não saiu de Ceuta mais cedo, responde: “Creio que Espiral não saiu de Ceuta devido ao problema da mobilidade geográfica, e também por não ter sido difundida como o fazes tu, que graças a isso, chegámos onde nunca pensávamos conseguir chegar.”

E o que mudou de há um ano para cá?  – “Mudou tudo. Há um ano, só pensávamos fazer o que mais gostamos, para um grupo reduzido de pessoas, sem nenhuma pretensão, e agora temos a prova de que nos escutam em lugares que jamais imaginávamos.” E é este o perfil atrás da bateria, um homem reservado e sensível, que respira e transpira Espiral e que se dá a conhecer um pouco mais nas nossas conversas.

*O Revellín foi um local mítico para a música de Ceuta. Antigo Quartel usado como mercado municipal temporário, era ocupado na zona do seu terraço por grupos musicais da cidade, que ali tinham os seus espaços de ensaio. Mais tarde, foi demolido e no mesmo terreno foi construído o actual Teatro Auditório de Ceuta, obra do português Álvaro Siza.


ESP

Lo que propongo contar aquí, a través de este artículo, es una especie de viaje al interior de Espiral, una banda con 15 años de existencia y compuesta por cinco hombres maduros, con un pasado musical y una trayectoria conocida, casi exclusivamente por Ceuta. Y no lo voy a hacer de forma periodística (porque no soy periodista), sino de forma más informal y hasta personal. En un momento en el que socializar es tan limitado, te propongo que vengas a este espacio musical, donde te contaré lo que sé sobre Espiral. Puedes ver la biografía aquí. Hoy empezamos con su baterista, António Jurado – 47 años.

Por Rosa Soares

Antonio Jurado García, de 47 años, casado y padre de dos hijas, es el miembro más reservado de la banda, pero que en el escenario no pasa desapercibido, ni por las muecas que hace ni por el poder de su batería, a la que añade su voz, mientras hace los coros de la banda (función que comparte con el guitarrista José Corrales). Los que lo conocen dicen que es muy juguetón entre sus amigos y que siempre está de buen humor. Apasionado de la percusión desde pequeño, fue en la tienda de su madre donde empezó a tocar la batería en baldes de detergente y latas de pintura, utilizando brochas a modo de baquetas. Como puedes imaginar, esta improvisada actividad musical fue la causa de muchas dolores de cabeza para la madre de António. Pero había otro baterista en la familia: el tío de António, y siempre aprovechaba las visitas familiares para interrogar a su tío sobre cómo aprender a tocar. Y uno de los momentos que António no olvida es el regalo de un par de baquetas por parte de su tío. Fueron tus primeras baquetas!

Cerca los 10 años era costumbre mirarlo con un radio-cassette, buscando la música que le gustaba. Fue en uno de esos días que escuchó “Ride Like The Wind”, del álbum “Destiny” de Saxon. Era la primera vez que se cruzaba con ese estilo de música, y se le encantó. A partir de entonces la curiosidad se apoderó de António menino, que empezó a querer saber más y a buscar otras bandas como Barricada, Manzano y Banzai, Bella Bestia, Legion, Scorpions, Stryper, Def Leppard, Manowar, W.A.S.P., entre otras.

En adolescente, en una Ceuta donde había muchos aficionados al heavy rock, las tardes las pasaba en la terraza del histórico Revellín *, donde existían los locales de ensayo de los grupos locales y donde se desarrollaban las primeras vivencias musicales.

Sus primeras bandas fueron Heyndhal y Asylum, ambas formadas con Rogelio Mateo, quien, mientras tanto, se fue para incorporarse a una de las bandas míticas de Ceuta, los Sheilan. António siguió tocando con amigos, pero sin tener banda, ya que en ese momento comenzaba a centrarse en su futuro profesional: el ingreso a la Policía Local.

António se define como un poco obsesivo con los objetivos que se propone (es uno de los tres defectos que identifica, además de cabezón y despistado) y, a los 17 años, ya se preparaba para las pruebas de admisión, lo que hizo a los 19 años.

Su amigo Rogelio también siguió su camino (del que hablaremos más adelante), pero como siempre digo, lo que la música une, nada separa. Y eso es lo que pasó, cuando unos años más tarde, António y Rogelio se encuentran compartiendo la misma profesión, en la misma ciudad donde nacieron. Los dos policías “estrellas de rock” deciden entonces retomar el proyecto musical interrumpido en su adolescencia. Luis Zapater se une a ellos y nace La Taberna de Moe, el embrión de Espiral.

Se asume fan de Twisted Syster, Sôber y Breaking Benjamin, que junto a Stryper, Metallica y Myrath, constituyen sus principales influencias musicales.

Fiel, honrado y leal, tiene en Manu Reyes (baterista de Sôber) su ídolo musical, no solo por su forma de tocar, sino también por su humildad y sencillez, características que demostró al hablar consigo mismo, tras un concierto de Sôber.

Prefiere escuchar música en formato físico y aún recuerda el primer vinilo que compró, de W.A.S.P. En la actualidad escucha el último trabajo de Ozzy Osbourne y “Cuando Vuelve El Sol”, de Espiral, sin poder disipar el espíritu crítico en la audición de este último, a pesar de confesar que le gusta mucho.

Para mantener la forma que requiere el ritmo de su batería, es un practicante de Calistenia.

La repercusión de este último trabajo lo tomó por sorpresa, y aún no lo puede creer cuando sabe que varias cadenas de radio internacionales sonan la música de Espiral.

Cuando se le pregunta por los motivos por los que Espiral no salió de Ceuta antes, responde: “Creo que Espiral no ha salido de Ceuta al tener el problema de la mobilidad geográfica y, por supuesto no ser difundido como lo há hecjo Rosa Soares , que gracias a ella, llegamos donde nunca pensábamos hacerlo.”

Y qué ha cambiado desde hace un año? “A cambiado todo. Hace un año, sólo pensábamos en hacer lo que más nos gusta para un grupo reducido, sin ninguna pretensión, y ahora hemos comprobado que lo están escuchando en lugares que jamás imaginábamos.”

Y este es el perfil detrás de la batería, un hombre reservado y sensible, que respira y suda Espiral y que se da a conocer un poco más en nuestras conversaciones.

* Revellín fue un lugar mítico para la música de Ceuta. Antiguo Cuartel utilizado como mercado municipal temporal, fue ocupado en el área de la terraza por grupos musicales de la ciudad, que tenían sus espacios de ensayo allí. Posteriormente fue demolido y en el mismo terreno se construyó el actual Teatro Auditório de Ceuta, construido por el portugués Álvaro Siza.


 

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