WOM Report – Bad Religion, Mad Caddies, Less Than Jake @ Altice Arena – Sala Tejo, Lisboa – 15.05.91

Noite histórica. Não há outra forma de o colocar. Os Bad Religion dispensam apresentações, afinal são uma das forças ainda activas do punk rock com uma carreira prestes a atingir a marca das quatro décadas (sem contar com o hiato nos primeiros anos) e continuam activos criativamente assim como em cima dos palcos. Outro factor importante que tornou esta noite memorável logo à partida foi o facto de ser a segunda vez da banda a tocar em Portugal, a primeira em Lisboa. Tendo isto em mente, duas coisas poderiam acontecer. As bandas de abertura poderiam ser prejudicadas ou beneficiadas pela euforia do público. Foram sem dúvida beneficiadas.

Da nossa perspectiva isso aconteceu principalmente pelo impacto da entrada dos Less Than Jake. Uma banda experiente, com quase trinta anos de carreira que elevou a todo um nível completamente novo o conceito de “aquecer” o público. Bem dispostos, sempre a brincar com o público (onde até pediram a dois membros da assistência para subirem ao palco durante uma música, com direito a cerveja e tudo) e com várias tentativas (bem sucedidas, diga-se de passagem) de falar em português por parte do baixista Roger Lima, que nasceu no Brasil mas nota-se que não tem usado a nossa língua com regularidade. Cheio de pontos altos musicalmente – “Plastic Cup Politics”, “Short Fuse” e “All My Best Friends Are Metalheads” – esta foi uma actuação perfeita pela forma como o seu ska punk conseguiu conquistar o público quase de forma imediata. Aliás, é difícil encontrar uma banda que abra um concerto e que deixe o público a gritar pelo seu nome.

Ainda dentro do ska punk, vieram os Mad Caddies. Apesar de musicalmente se inserirem no mesmo espectro que os Less Than Jake, a sua abordagem era completamente diferente, com um enfoque mais na parte do ska, chegando muitas vezes a entrar nos domínios do reggae. Se noutra ocasião pudéssemos ficar preocupados com a reacção do público, desta vez havia uma certa certeza que não havia nada que pudesse correr mal. E assim foi. O trompete e trombone são essenciais para toda a versatilidade musical que a banda consegue atingir e na Sala Tejo não foi diferente o que se viu e ouviu em temas como “Coyote”, “Backyard” (muito boa onda) e a inevitável cover dos Green Day, “She” (anunciada de forma humorosa como uma cover de uma pequena banda chamada NOFX). Os níveis de animação, intereacção e até de intensidade poderão ter sido inferiores aos dos Less Than Jake, mas sem dúvida que o público estava satisfeito.

Após a inevitável mudança de palco e a espera que parecia interminável, as luzes apagaram-se. E pela reacção de uma Sala Tejo praticamente esgotada – se não esgotou andou bem lá perto – este era o momento mais aguardado. “Them And Us” foi o tema que abriu a animação de noventa minutos que encheu as medidas dos milhares presentes. Tendo em conta que estamos a falar de uma banda com dezassete álbuns de originais, havia muito por onde escolher e a banda acabou por fazer um apanhado de grande parte da sua carreira, tocando temas de treze álbuns, sendo que o destaque óbvio acabou por ser o mais recente “Age Of Unreason” e o clássico “No Control” que completa neste ano três décadas de vida – e que a banda tem tocado ocasionalmente na íntegra nesta sua digressão.

Os anos podem passar mas a sua música continua efectiva e a fazer sentido como no dia em que foram lançados álbuns como “Suffer”, “Against The Grain” (mais que nunca, a “Flat Earth Society” está actualizadíssima) e “Generator”. No entanto os temas mais recentes também primam pelo comentário social sempre acompanhados com a fórmula punk rock infalível. A avaliar pela reacção do público, não houve muita diferença de recepção entre os temas novos e os antigos, sendo que o entusiasmo foi comum a todos, com muito mosh e crowd surfing – palavra de destaque para a prestação dos seguranças que no geral estiveram sempre atentos para que ninguém se magoasse e que a animação continuasse sem interrupções.

Obviamente que existiram destaques onde o público simplesmente foi à loucura – “Supersonic”; “Sinister Rouge”; “21st Century (Digital Boy)” cantada em uníssono pelo público; “Do The Paranoid Style”; “Fuck Armageddon… This Is Hell”, “Punk Rock Song” – com autênticas batalhas campais a estalarem, uma visão sempre digna de encher o coração de qualquer fã de música pesada. Trinta temas e mesmo assim, no final, após um curto encore de três temas, ficou a sensação de que poderiam ter tocado outros trinta, que o público os receberia da mesma forma. Esse impacto não passou despercebido já que Greg Graffin disse “Façamos isto todos os anos” logo na primeira metade do concerto. Os Bad Religion vieram pela primeira vez a Lisboa e comprovaram que este é um destino onde serão sempre muito bem recebidos. Uma Sala Tejo cheia é uma prova cabal desse facto.

Texto por Fernando Ferreira
Fotos por Sónia Ferreira
Agradecimentos Hell Xis Agency


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