WOM Report – Revolution Within, Infraktor @ Hard Club, Porto – 06.11.2020

Não seria a primeira vez que ia ver um concerto de metal sentada, mas a sonoridade dos Queensrÿche, trazida em forma teatral com a interpretação de ambos os “Operation: Mindcrime” (Aula Magna, 01/06/2008) não é propriamente a mesma dos Revolution Within e dos Infraktor… Mas nunca me passou pela cabeça perder este evento, e não por serem já nove meses desde o último a que fui; não, simplesmente sabia que sentada, de pé ou de joelhos iria valer a pena. E valeu.

Os novos horários de funcionamento impostos aos bares e afins obrigou os Infraktor a subir ao palco às 20:30, mas não antes de ouvirmos as regras da casa, como quando vamos ao cinema: levantar da mesa só era permitido para usar o quarto-de-banho, remover a máscara unicamente para beber, e para fazer o pedido dessas mesmas bebidas tínhamos uma tea candle artificial que ligávamos para chamar o funcionário. Eu disse que tinha valido a pena, não que não tinha sido estranho.

Como o baixista Miguel tinha regressado de uma missão na República Central Africana apenas três dias antes, foi o “membro honorário” Ricardo que trouxe a todos os “Júlios e Júlias” (é esta a forma carinhosa com que o vocalista Popas trata “os seus”) o som mais grave das músicas de “Exhaust”, e ainda da nova “Marked To Be Forgotten”, que os Infraktor tocaram para “desenjoar das outras”. Confesso que estava a contar que Raça desse o seu contributo vocal em “Ferocious Intent”, conforme faz no álbum, mas Popas disse que o amigo estava a poupar-se para “partir aquilo tudo” a seguir com os Revolution Within e por isso ia cantar sozinho. E quem conhece a banda não precisa que eu diga como deu bem conta do recado.

A reacção do público foi excelente, mas quando a intro “Nebula” ecoou, não restaram dúvidas sobre por quem realmente todos estavam à espera. “Chaos” tinha saído uma semana antes e ainda só tinha tido oportunidade de ouvir os temas que tinham partilhado de antemão no YouTube (“Take You Down”, “Back From The Shadows” e “You Will Burn”), mas deu-me a sensação que já muitos tinham ouvido o álbum na íntegra.

A versão de estúdio de “You Will Burn” conta com os vocalistas das bandas espanholas Angelus Apatrida e Crisix (Guillermo Izquierdo e Juli Baz, respectivamente) e se em tempos normais não seria muito complicado tê-los em palco, o Covid-19 tornou-o impossível. E a propósito de convidados, Raça aproveitou a deixa para pedir desculpas a Popas e reforçar o que o vocalista dos Infraktor já tinha mencionado sobre poupar-se, alegando não ser tão novo quanto ele.

O que não poupou foram os agradecimentos a quem tinha tornado aquela noite possível, apesar de todas as restrições, e de como ele e todos os outros membros dos Revolution Within estavam de coração cheio – por voltarem a tocar ao vivo, por finalmente apresentarem o novo álbum e pela recepção ao mesmo sem que nada tivesse sido destruído, como pelos vistos muita gente acreditava que ia acontecer. É claro que “não foi a mesma coisa” chegar ao último acorde de “Silence” sem um empurrãozinho sequer das rodas de mosh ou de uma wall of death, mas aquela sensação de êxtase que só a música ao vivo nos traz, essa foi a de sempre.

Texto e fotos por Renata Lino


 

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