WOM Report – Rival Sons, The Zanibar Aliens @ Lisboa Ao Vivo, Lisboa – 28.06.19

Rock’n’roll. Um termo que hoje em dia tem uma conotação talvez distante do seu verdadeiro significado. Começo com um tema que poderia ter pano para mangas mas que me parece perfeito para descrever a noite vivida no LAV. Uma noite quente contrariando todas as recentes tendências metereológicas, com o verdadeiro calor a vir do palco da sala lisboeta onde tivemos… rock’n’roll. Puro, sem artifícios, sem espinhas. A visita dos Rival Sons ao nosso país foi anunciada em pouco tempo mas isso não foi motivo para que o público nacional comparecesse em peso para lhe dar as boas vindas. A eles e aos nossos The Zanibar Aliens, que tiveram honras de abrir o certame.

Nunca uma banda de abertura se enquadrou tão bem no espírito de um evento como os The Zanibar Aliens. A banda luso-sueca entrou o tema título do seu segundo trabalho, “Space Pigeon”, dono de uma fúria rock’n’roll que nos remete para os mestres Led Zeppelin e Creedence Clearwater Revival. A sala já estava muito bem preenchida e depressa contagiou-se com o espírito do rock’n’roll, a música que nunca morre, apenas se torna cada vez melhor.

Passeando pelos três álbuns já editados, o groove clássico de “Bongsmoker”, “Sweet Rita” e o boogie de “Circus Woman” foram momentos de verdadeiro deleite mas um dos pontos altos foi mesmo a bluesada de “Rejoice” e a introspectiva “Mother Natures”, onde se teve o baixista Ricardo Pereira e o baterista Diogo Braga a juntarem-se ao vocalista Carl Karlsson nas vozes, com o guitarrista Filipe Karlsson a dar espectáculo na guitarra e o público a marcar o ritmo com as suas palmas. Verdadeira magia. A banda esteve toda ao seu mais alto nível, coesa, mas individualmente cada um brilhou, principalmente Digo na bateria, um monstro. O final veio com “Baby Blues” e para trás ficou uma sala rendida e bem aquecida para a banda da noite.

O tempo parecia que não passava até que os Rival Sons subisse ao palco. Pelo menos era esse o espírito. No entanto, assim que começou a soar o tema principal do “O Bom, O Mau E O Vilão” do Ennio Morricone, a sala inteira ficou em sentido, não demorando muito para que entrasse em delírio com a entrada em palco de Jay Buchanan e os seus pares. Os primeiros temas escorregaram que nem mel e de seguida. “Black In The Woods” deu o mote e “Sugar On The Bone” trouxe todo aquele feeling imortal que temos estado a falar desde o início desta reportagem, o bom e velho rock’n’roll. O êxtase inicial viria com a “Pressure And Time”, recebida de forma entusiasta e com o público a cantar com Jay.

Esse entusiasmo seria algo que veríamos muitas mais vezes, como em “Electric Man”, onde bastou o riff inicial para levar o público ao delírio. No entanto, como diz o manual “Como dar grandes concertos”, é importante criar dinâmicas de forma a manter as coisas interessantes. Foi dessa forma que temas com uma toada um pouco mais calma como a, em parte, “Too Bad” ou a impressionante e emocionalmente intensa, “Jordan” que nos fez lembrar a mítica interpretação de Joe Cocker no Woodstock de 69, do tema dos The Beatles, “With A Help Of My Friends”. Um momento de bela comunhão com o público. Um de muitos.

Como prova da dinâmica mencionada atrás, tivemos Jay a pegar numa electro-acústica e Scott Holiday a pegar numa guitarra com dois braços para uma arrepiante “Feral Roots”, tema-título do trabalho mais recente, a lembrar as incursões folk e a mistura com o rock clássico da década de setenta. Arrepiante a forma como o público ficou a cantar a melodia após a banda parar de tocar, deixando os Rival Sons rendidos ao público nacional. Isso voltaria a acontecer com a enorme “Torture”. Jay esteve pouco comunicador mas a comunicação foi feita sobretudo através da música. No entanto quando se dirigiu ao público foi para a agradecer à equipa por os terem tratado bem, aos The Zanibar Aliens e ao público por ter gasto o seu dinheiro em música ao vivo. Tendo em conta o panorama actual e o quanto se confunde música ao vivo com o acto de um DJ estar agarrado a uma pen e uns auscultadores, é uma menção extremamente importante.

“Do Your Worst” foi o último tema antes de saírem para o encore. Saída sobre uma enorme ovação. Não demoraria muito a voltarem, sendo Mike Miley, o baterista, o primeiro, mostrando ao público a sua camisola da selecção de Cristiano Ronaldo, ao que o público respondeu com um estrondoso “Sim” à CR7. A banda voltou para uma enorme “Shooting Stars”, cantada pelo público e novamente a  marcar o ritmo a bater palmas. “Kee Swinging” foi o último tema da noite, que meteu todos a “groovar” e finalizou o concerto em alta, deixando uma banda satisfeita com o seu impacto e o público de coração cheio com a sinergia de emoções vividas. Noites assim são mágicas, noites assim acontecem uma vez numa vida e todos nós fomos sortudos em ter lá estado.

Texto Fernando Ferreira
Fotos Sónia Ferreira
Agradecimentos House Of Fun


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