WOM Report – Silveira Rock Fest VII @ CDR “Os Silveirenses”, Famões – 30.03.19

Mais uma vez presentes numa edição do Silveira Rock Fest, desta vez um pouco mais cedo que o habitual – até agora tem se realizado em Setembro mas este ano será a primeira vez em que teremos duas edições no mesmo ano. O cartaz desta sétima edição primou mais uma vez pela diversidade embora o heavy metal foi o que esteve mais representado, algo que é sempre de salutar – e cada vez mais raro, por incrível que pareça.

Os primeiros a subir ao palco do Silveira foram os Dogma. A banda lisboeta, que já passou pelas nossas páginas, tem sido garantia de qualidade em todos os cartazes que integra, com o seu gothic/doom metal de grande qualidade. A sala ainda estava vazia quando a banda estava pronta mas não demorou muito a que as suas artes profanas conjurasse o público que estava no exterior. “Jabal Tariq” foi o aperitivo para “Sangue & Frio”.

Som límpido e a roçar a perfeição, excepto por alguns problemas no microfone de Gonçalo Nascimento que acabou por ser o único problema técnico da sua actuação. A componente teatral não deixou de estar em evidência, mesmo numa sala mais intimista e descontraída como é do Silveira. “Anjo Caído” e “Criação” são sempre temas incontornáveis mas a novidade foi a apresentação de dois temas novos, “Deus Assassino ” e ” Porque Não Te Escondes De Mim”, representar os próximos passos de uma banda que é um dos maiores valores do nosso underground no género onde estão inseridos.

Como já dissemos algumas vezes, a variedade e a excelência são duas componentes do Silveira e como tal, não foi surpresa nenhuma a seguir aos Dogma vermos uma banda como os Wanderer subir ao palco. Começaram logo com um tema novo, “Under The Spell”, mas não foi algo que afectasse a recepção do público. Aliás, dá-nos esperança não só a aposta do Silveira na variante tradicional do som sagrado como também a recepção do público.

É o sinal de que existe interesse no (muito) talento que temos à disposição. Cavalgadas, grandes riffs e solos equivalentes, que foram empregues de forma exuberante tanto nas malhas novas (“Dark Age”) como naquelas que já conhecíamos (“Freedom’s Call”). É de coragem apresentar maioritariamente temas novos, mas os Wanderer são uma banda com os olhos postos no futuro. A sequência final foi demolidora com “Will Of Steel” e “Way Of The Blade”. Entusiasmo heavy metal que faz muita falta nos nossos palcos.

Mais uma virada estilística e desta feita para algo mais bruto. Os Undersave também são uma banda que acompanhamos já há bastante tempo, donos de uma sonoridade bastante própria no death metal, com um gosto por canções mais complexas e longas, mas não deixando de também de ser uma força potente no seu habitat natural – o palco. A banda baseou a sua actuação em ambos os álbuns de originais editados, “Now…Submit Your Flesh to the Master’s Imagination” de 2012 e “Sadistic Iterations… Tales of Mental Rearrangement”, um dos grandes álbuns de death metal lusitano de 2018.

Praticamente sem conversas – e sinceramente, sem necessidade para as ter – a banda deu um enxoval de porrada sonora do qual ninguém se queixou. “Hereditary Condemnation Through Immunity” foi um dos pontos altos de uma actuação que roçou a perfeição, público incluído. E sim, era o mesmo público que já tinha dado o mesmo tratamento aos Dogma e aos Wanderer. A magia da música segundo o evangelho Silveira.

Os Redemptus também se destacaram pela diferença em termos estilísticos, com o seu sludge metal cheio de intensidade emocional e capaz de criar as mais hipnóticas ambiências e autênticas tapeçarias sonoras. Para quem está habituado a ver Paulo Rui no contexto dos Besta, banda com a qual tem andado mais activo em cima dos palcos, não deixa de ser uma mudança inesperada vê-lo numa posição mais fixa no palco.

Não se pense no entanto que isso dota a música dos Redemptus de menos argumentos em relação a qualquer outro projecto. Muito pelo contrário. Com uma apresentação cénica curiosa (forcas em cima dos amplificadores), o groove que contagiou toda a sala e embalou todos os presentes como que se o mundo começasse, ali, naquele instante. O power trio vive dessa energia e, através de Paulo Rui, estava visivelmente agradecido pelo convite assim como pela presença de todos, naquele momento de comunhão. O final foi apoteótico com a “Peered Into Everyone’s Fate” que nos fez querer repetir a dose rapidamente.

A noite estava na recta final e para a encerrar em grande, voltávamos ao heavy metal tradicional, desta feita com os Ravensire. A banda de Rick Thor é outra que nos garante sempre diversão metálica de grande qualidade. ” Cromlech Revelations”, o tema de abertura do último álbum “The Cycle Never Ends”, foi também o primeiro do concerto e meteu logo todos na frequência correcta: heavy metal. Entusiasmante a forma como receberam a música de banda, o que também reforça aquilo que temos estado a dizer: há espaço para o heavy metal nos concertos, nos festivais e qualquer tipo de evento.

Há público e sobretudo entusiasmo para temas como “Night of the Beastslayer”. Além de passearem pela sua discografia, tivemos ainda cheirinho do novo álbum que tem data prevista de lançamento para o Verão. Os novos temas foram “Carnage At Karnak” (não temos bem a certeza se será assim que se escreve da forma correcta mas esperamos descobrir em breve) e “After The Battle”, dedicado ao herói caído Mark Shelton, dos Manilla Road. A noite, e consequentemente o festival terminaria com uma monumental “Gates Of Ilion”, um ponto final mais que apropriado para uma excelente actuação dos Ravensire e para mais um Silveira Rock Fest de sucesso. Bom ambiente, boa comida, boa bebida, bom merch e, claro, boa música. Num evento com entrada livre e nos tempos em que vivemos, este é um luxo que somos felizardos por podermos aproveitar.


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