WOM Reviews – Bow To Your Masters Volume Two – Deep Purple / Iron Pike / Bow To Your Masters Volume One – Thin Lizzy / The Obsessed / Graveyard Of Souls / Bretus / Sahara / National Security Band

WOM Reviews - Bow To Your Masters Volume Two – Deep Purple / Iron Pike / Bow To Your Masters Volume One – Thin Lizzy / The Obsessed / Graveyard Of Souls / Bretus / Sahara / National Security Band

V/A – “Bow To Your Masters Volume Two – Deep Purple”

2021 – Glory Or Death Records

Depois do excelente primeiro volume, aqui está o segundo, desta vez dedicado aos Deep Purple, outro nome incontornável do hard rock e que influênciou directamente o heavy metal, estabelecendo muitas das suas bases. Sendo que a maior parte das bandas vem do espectro stoner/dooom, é interessante a forma como estes clássicos se adaptam bem a este estilo e também com outros são transfigurados – sempre a parte interessante – principalmente um tema incontornável como a “Smoke On The Water” que é aqui transfigurado (e rebaptizado como) em simplesmente “Smoke”. Exemplo máximo? A “Perfect Strangers” reinterpretada pelos Yob de forma pesadona, um tema que por si só já pesado também.

9/10
Fernando Ferreira

Iron Pike – “Hell Will Always Find Its Way Home”

2021 – Gruesome Records

Apesar de hoje em dia o conceito de compilação não fazer grande sentido comercialmente continua a ser uma boa forma de conhecer a banda. Há no entanto uma variante do conceito de compilação que se justifica no caso de uma banda recente e/ou com poucos trabalhos editados que é aquela que junta tudo o que a banda editou até agora. É precisamente o que temos aqui, de forma decrescente em termos cronológicos, começando com o “Be The Discomfort” (que é considerado álbum vá-se lá saber porquê) e com os EPs editados “Iron Pike” e “II” – que curiosamente já tinham sido juntos no mesmo disco anterior mente – trazendo como bónus o tema “Forked Tongues” ao vivo. O sludge a roçar o pós-metal tem um grande impacto principalmente com a angústia da voz a fundir-se com os riffs monolíticos. Uma banda que não vai trazer luz e alegria ao vosso dia mas que vos fará companhia nos dias mais cinzentos.

8.5/10
Fernando Ferreira

V/A – “Bow To Your Masters Volume One – Thin Lizzy”

2018 – Glory Or Death Records

Projecto da Glory Or Death Records que visa ter uma selecção de bandas a prestar homenagem aos deuses do rock e metal e porque não começar por uma das bandas mais subestimadas do género? Apesar de termos 18 bandas diferentes, não deixa de ser um álbum de tributo uniforme onde o espírito da banda respira como se fossem eles. Uma edição limitada lançada em 2018 e que já esgotou fisicamente mas que continua disponível de forma digital no bandcamp  e que vale a pena conferir. Para os fãs da banda ou para quem não conhece assim tanto a música da banda irlandesa, esta é uma excelente forma de o fazer.

9/10
Fernando Ferreira

The Obsessed – “Lunar Womb”

1991 / 2021 – High Roller Records

Nome clássico do heavy/doom metal que o fazia quando a coisa não era assim tão bem recebida. Culto e underground são sempre termos que vemos associados a esta banda e muitas vezes esse culto não se justifica. Não no caso dos The Obsessed e esta reedição faz todo o sentido, principalmente este álbum que é importante para a história da banda que por esta altura estava em águas de bacalhau mas que com a edição da estreia (que esteve por cinco anos na gaveta da Metal Blade) fez com que Wino tivesse uma maior motivação para reformular a banda. E o resultado foi um “Lunar Womb”, um álbum cheio de pontos positivos mas que nunca passou do seu reduto do underground. Nem passará mas fica a memória das suas qualidades que merecem ser recordadas e (re)apresentadas a uma geração totalmente diferente.

8.5/10
Fernando Ferreira

Graveyard Of Souls – “Infinity Equal Zero”

2021 – Satanath Records / Negre planY

Desconhecia da existência desta banda espanhola e fiquei surpreendido por me aperceber que este é já o seu sétimo álbum desde 2013, o que dá uma média muito respeitável de quase um álbum por ano. Sabendo que bandas que não tocam ao vivo, têm mais tempo para se dedicar à composição, também é sabido que estes projectos normalmente são feitos por músicos que não conseguem viver da sua música e que como tal dedicam os seus tempos livres à sua paixão. Não sei se será este caso e nem interessa muito para a análise deste álbum. Para quem é céptico em relação à qualidade, compreendo perfeitamente, aliás, eu próprio partilho dessa desconfiança – tenho que ouvir os anteriores trabalhos – mas aqui o que temos é um doom/death metal melódico e de grande classe. Melodias fáceis de interiorizar e que nos parecem clássicas, com a guitarra lead a soar sempre muito inspirada – até a lembrar um bocado os Cemetary (alguém se lembra deles?) na sua fase mais comercial. O som de guitarra poderá tornar-se cansativo ao final de alguns temas mas essa é mesmo a única queixa neste álbum.

8/10
Fernando Ferreira

Bretus – “Magharia”

2021 –  The Swamp Records

Doom metal clássico, a prestar a devida vassalagem aos mestres Sabbathe e Pentagram mas também a Saint Vitus e The Obsessed. Já podemos considerar os Bretus como veteranos, afinal já têm mais de duas décadas de carreira, embora apenas na última década é que tenham estado mais activos editorialmente. Este é já o quinto álbum e o que trazem é memso isso, heavy doom clássico, algo cru mas com muito feeling. É um género que vai encontrar sempre os seus fãs bastando para isso ser apenas tratado com paixão. Que é o que acontece aqui. Para quem tem essa mesma paixão pelo estilo, de certeza que vai recebe-lo de forma igualmente apaixonada.

7/10 
Fernando Ferreira

Sahara – “The Curse”

2021 – Regain Records

Sem saber de nada e apenas com apoio na capa, fico a pensar que isto se calhar é um recaptura de algo lançado no passado e agora editado pela Regain Records. E não, não é de todo embora esse seja um aspecto importante a considerar. Os Sahara são argentinos e são um dos nomes grandes da cena doom do país que veio a acabar em 2019. O fundador não conseguiu estar muito tempo afastado e voltou com dois músicos dos Mephistopheles e o resultado é tão old school quanto possível. Acho que é tão primitivo e honesto que até é mais old school do que as coisas que foram gravadas há trinta ou quarenta anos atrás. Tem as suas limitações, é certo, mas o feeling que emana é o grande destaque. Futuro promete ser interessante.

7/10
Fernando Ferreira

National Security Band – “Biomimicry”

2020 – Edição de Autor

O minimalismo quando surge aliado ao rock, é na forma de algo visceral e cru. Apesar de podermos encaixar esses adjectivos a “Biomimicry”, o segundo álbum dos National Security Band tem uma aura de melancolia que é estranha. Uma apatia disfarçada ou aparente que nos engana enquanto nos embala. Isto faz com que não seja um álbum que conquiste imediatamente mas nas entrelinhas, no inconsciente, trabalha para nos dominar. Não o consegue, pelo menos não por completo, mas só o esforço merece consideração.

6.5/10
Fernando Ferreira

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.