WOM Reviews – Divine Weep / Spirit Adrift / Azzarok / Hane / Attaxe / Stormwind / Vocifer / 666

WOM Reviews - Divine Weep / Spirit Adrift / Azzarok / Hane / Attaxe / Stormwind / Vocifer / 666

Divine Weep – “The Omega Man”

2020 – Ossuary Records

Divine Weep é um nome relativamente desconhecido da cena. Com uma carreira com já um quarto de século, a sua produção tem sido pouca, ainda que valorosa. Depois de um álbum de estreia de grande valor a banda polaca regressa cinco anos depois com uma bomba heavy metal intemporal. Poderoso e com temas marcantes, “The Omega Man” é um daqueles álbuns que todo o fã de heavy metal tem que ouvir. Sim, vivemos em tempos que a oferta é enorme e que é difícil um álbum marcar como vinte ou trinta anos atrás. Caso os tempos fossem diferentes, de certeza que estavamos perante um clássico. E mesmo agora, temos clássico de certeza!

9/10
Fernando Ferreira

Spirit Adrift – “Enlightened In Eternity”

2020 – Century Media Records

Haverá limites para o que esta banda consegue fazer? Pronto, admito, se calhar deixei-me empolgar pelo facto de andar a ouvir este álbum non stop nos últimos tempos. A banda norte-americana poderá ter-se afastado do doom metal de uns anos atrás (sim, só têm cinco anos de carreira mas parece que já os conhecemos desde sempre) mas o que trouxeram no seu lugar é algo bastante entusiasmante. Heavy metal cheio de vitalidade e poderoso, com um travo tradicional mas ainda a soar a fresco como se estivesse em 1980. Ou então é o mundo inteiro que se adapta à sua vontade, e adapta-se sem qualquer problema. Mais uma vez ficamos aqui embrenhados como se não houvesse nada na vida. Depois disto também há muito pouco que tenha o mesmo impaco. E até nos trazem um doomzorro na última faixa que é para não estranharmos com o épico “Reunited In The Void”. Como se o heavy metal não chegasse.

9.5/10
Fernando Ferreira

Azzarok – “Life Countdown”

2020 – Roadie Metal

Depois dos dois álbuns editados em 2018 (onde temos basicamente as mesmas músicas mas um álbum com os temas em português e outros em inglês), a banda brasileira regressa com o seu segundo trabalho onde a maturidade é evidente. Continuam a mover-se pelo heavy metal mas trazem uma forma mais madura de apresentar os seus temas. A voz de Matheus Eleto está sem dúvida mais segura e forte e os temas com uma profundidade e alcance bem diferente e superior. Em termos sonoros, o álbum também se apresenta forte, com um som moderno e, ainda assim orgânico. Excelente regresso.

8/10
Fernando Ferreira

Hane – “…On Fear And Emptiness”

2020 – Volcano Records

Apesar do que o comunicado de imprensa diz, os Hane não fazem a ponte entre o hard rock tradicional e típico da década de oitenta com o metalcore e death metal melódico. Longe disso. A banda sim entre o hard rock moderno mas que não esquece as melodias que são vencedoras neste tipo de som. Garantidamente que o trabalho de guitarra é bem frenético para ser apenas hard rock, com riffalhadas muito bem conseguidas e trabalho de lead igualmente excelente. No final podemos dizer que os Hane tocam heavy metal poderoso. Poderão ficar desiludidos se forem à procura de metalcore mas definitivamente que ficarão contentes pela qualidade que “…On Fear And Emptiness” traz.

8/10
Fernando Ferreira

Attaxe – “20 Years The Hard Way”

2006 / 2020  Pure Steel Records

É sempre com algum cepticismo que reajo a reedições de compilações. Se o formato em si já cheira a tentativa de fazer render o peixe, reedição de compilação mais cheiro tresanda. “20 Years The Hard Way” – e aposto que não sabiam que, olhando para a capa, o título era esse – reúne faixas de todos os sítios um pouco e até faixas inéditas, mais recentes (de 2005 e 2004 e algo génericas). Como sempre neste tipo de coisa, temos diferença de produção e volume entre faixas. Comparativamente, as faixas mais antigas soam as mais interessentes, mais honestas e até viscerais. Para quem for mesmo fã de heavy metal tradicional, até poderá retirar bastante das faixas mais antigas que até são mesmo boas, ficando a ideia de que esta banda até poderia ter ido bem mais longe do que aquilo que efectivamente foi. Em relação à questão inicial, dou o braço a torcer e digo que havendo amor ao género, é uma compilação que vale a pena ter.

8/10
Fernando Ferreira

Stormwind – “Resurrection”

2000 / 2020 – Black Lodge Records

Os Stormwind sem se terem assumido como uma das forças do power metal, na altura da edição deste álbum em granca ascenção, sempre tiveram o dom de apresentar álbuns de extremo bom gosto. “Resurrection” que é agora reditado, vinte anos depois é um desses excemplos, tendo até representado um dos grandes sucessos da carreira da banda sueca. A vertente neo-clássica, misturada com o espirito do heavy metal tradicional. Músicos experientes que passaram por bandas de topo (de Malmsteen a Therion) e músicas que soam tão frescas como na altura em que foram editadas pela primeira vez. Vem com cinco faixas bónus, todos eles bons, sendo mais que recomendado. Ainda para mais em vinil.

8/10 
Fernando Ferreira

Vocifer – “Boiuna”

2020 – Edição de Autor

Álbum de estreia dos Vocifer, banda brasileira que nos traz heavy/power metal como manda a lei. E esse é desde já um problema. Não muito grave, mas ainda assim um problema. Apesar do entusiasmo nítido que a banda evidencia, aquilo que produz não vai muito além dos lugares comuns do estilo. É o primeiro trabalho e há sempre espaço para uma evolução, até porque argumentos técnicos não faltam à banda, além de contarem com um bom vocalista. Só é preciso soltarem-se das amarras que os fazem sentir como se fossem algo pré-formatado.

6/10
Fernando Ferreira

666 – “666”

2020 – Nuclear War Now! Productions

Muitas vezes defendi as coisas retro, a nostalgia. E não foi por questão de princípio ou por achar que a música que se faz actualmente (no espectro da música pesada) não seja tão relevante ou interessante quanto aquela que foi feita vinte, trinta ou quarenta anos atrás. Apenas foi porque a música era boa e de alguma forma mexeu comigo. Pois bem, temos aqui o caso contrário. Os 666 são noruegueses e são uma espécie de Venom escandinavo. Não por terem tido um impacto significativo mas porque misturam heavy metal mal produzido e razoavelmente tocado mas completamente básico com imaginário blasfemo. O que temos nesta compilação são gravações ao vivo (não sabemos se perante público ou se simplesmente numa sala de ensaios) de temas que nos escapam ao entendimento porque é que teram relevância no dia de hoje, a não ser por se tratar da primeira banda de black metal da Noruega e por não haver gravações de estúdio já que a banda gostava mais de tocar ao vivo. O mais curioso é que a banda voltou à activa em 2012 depois de ter acabado em 1983. Resta saber se vão lançar algo mais que gravações manhosas da década de oitenta.

4/10
Fernando Ferreira

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