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WOM Reviews – Elegy Of Madness / Eclipse Of The Sun / Fogo Infernal / Sometimes We Make Music / Kromheim / Emyn Muil / Calarook

WOM Reviews – Elegy Of Madness / Eclipse Of The Sun / Fogo Infernal / Sometimes We Make Music / Kromheim / Emyn Muil / Calarook

Elegy Of Madness – “Invisible World”

2020 – Pride & Joy Music

Os italianos Elegy Of Madness estão de volta para o seu quarto álbum, que trazem sem grandes surpresas. Ora sempre que se diz isto pdoerá se pensar que é algo negativo. Algumas vezes mas neste caso nem por isso. Mesmo sem ter ascendido à primeira divisão das bandas que mistura metal sinfónico com sensibilidades góticas, os Elegy Of Madness nunca deixaram de evidenciar talento e inteligência, algo que “Invisible World” também demonstra. No entanto, há por aqui alguns momentos menos conseguidos – a “Fil Rouge” é um desses – mas no geral a sobriedade (a possível) e os bons temas perduram. Bom álbum, como tem sido hábito.

8/10
Fernando Ferreira

Eclipse Of The Sun – “Brave Never World”

2020 – Satanath Records

Não há margens para dúvidas, este será um trabalho onde o nosso sentido de melancolia estará a mil. E este sentido nunca se engana. Os húngaros lançaram o seu segundo álbum, cinco anos após a estreia e mostram-nos que por muito tempo que passe, sabemos que podemos contar com eles. O doom metal surge-nos de forma bastante melódica, o que só acentua ainda mais o sentimento que querem transmitir. Não só isso, como também traz mais contraste para o peso, nos momentos em que eles surgem – em alguns momentos faz-nos lembrar os My Dying Bride algures ali pelo “The Light At The End Of The World”. Não é, por isso mesmo, um álbum imediato para quem não tem o doom com tiques góticos a querer romper das veias. Para os outros, bem vindos à miséria, sei que estavam ansiosos por ela. Só tenho a deixar a nota que nem sempre a voz limpa resulta, mas fora isso, recomendado.

8/10
Fernando Ferreira

Fogo Infernal – “Demo II”

2020 – Edição de Autor

Por esta não esperava. Fogo Infernal é um projecto paralelo de Ricardo Pombo dos Cruz de Ferro, onde ele assume a responsabilidade de tudo o que podemos ouvir aqui. Surpresa por ser o terceiro registo do projecto (isto contado com a “Demo 2018” – por ventura a primeira – que foi editada este ano também) e também por verificar que se trata de uma espécie de black metal melódico que faz lembrar os The Firstborn (quando abandonaram o “Evil” no nome). Dando o devido desconto da produção rudimentar, estes quatro temas são muito interessantes e prometem algo superior que poderá sair daqui. Carácter épico e que consegue muitos bons resultados, com as letras a serem cantadas tanto em inglês como em português. Mesmo com todas as limitações técnicas. É de tal forma que tenho de ouvir o que ficou para trás.

8/10
Fernando Ferreira

Fogo Infernal – “Demo I”

2019 – Edição de Autor

Como disse, a curiosidade foi grande e não consegui vir confirmar se a qualidade que vimos na segunda demo, se mantinha na primeira. A sonoridade tem os seus defeitos tal como a da segunda demo, sendo que o som de bateria é aquele que mais dá nas vistas neste aspecto. Poderá tornar-se cansativo em certos momentos das músicas mas os restantes instrumentos parecem bem mais definidos, pelo menos nalguns momentos – noutros parece que a mistura se embrulha um bocado. Com o factor épico ainda mais saliente, é isto que sobressai em relação a tudo o resto. Por outro lado, sente-se que algumas das músicas não são tão eficazes e interessantes no seu todo apesar de alguns bons detalhes. Consegue-se perceber a evolução da primeira para a segunda demo e esperemos que a mesma continue.

7/10
Fernando Ferreira

Sometimes We Make Music – “Trail Of The Fallen”

2020 – Edição de Autor

Antes demais, que raio de nome é “Sometimes We Make Music”? É suposto ser algo que se leve a sério? Confesso que as expectativas estavam bastante em baixo antes de começar a ouvir. Foi até uma agradável surpresa. Metal sinfónico, com o death metal melódico a ter um importante papel na fórmula da banda. É curiosa e inesperadamente viciante. Talvez mesmo por ter jogado com as expectativas – a sério, que nome é este?! Bem, em nome da coerência, nem sempre o tom é sério, como a folclórica “Queen Annes Revenge” prova. No geral é um trabalho bem interessante que consegue surpreender quem não espera nada mas que quem for um pouco mais exigente, poderá ficar irritante com a sua inconsistência e mudança de disposição muito rápida entre algumas faixas.

7.5/10
Fernando Ferreira

Kromheim – “Kromheim”

2020 – Edição de Autor

Interessante one-man band de viking metal – ou como quem diz, death metal melódico. Quando se fala desta variante de som, pensa-se logo em Amon Amarth. E quando se tem este pensamento é óbvio que se espere uma cópia. Felizmente não é o que temos. Um som moderno mas algo plástico é o defeito que encontramos mais saliente. Isso e o facto da voz ser monocórdica no registo gutural. Apesar destes defeitos, temos bons temas, boas estruturas e acima de tudo boas ideias concretizadas. Começou bem a carreira com este EP, queremos ver mais.

7.5/10 
Fernando Ferreira

Emyn Muil – “Afar Angathfark”

2020 – Northen Silence Productions

Incrível como a obra de J.R.R. Tolkien inspirou tanto o metal, em particular o black metal. Emyn Muil é mais um nome retirado do Senhor dos Anéis (diz o Metal Archives que é o labirinto de rochas onde Sam e Frodo se enccontram com o Gollum) e a sua sonoridade não se alterou muito de “Elenion Ancalima”, o segundo álbum editado três anos atrás, ou seja, algo que também nos faz pensar imediatamente em Summoning, ainda que com um som mais épico, na minha opinião. A capa simplista não favorece mas quem vem para aqui já sabe o que vai encontrar. Sendo cada vez mais crítico em relação a uma sonoridade típicamente digital, acho que haveria formas de tornar o que se tem aqui em algo orgânico, sobretudo ao nível da bateria mas esta parece ser claramente uma decisão consciente. Os fãs vão gostar e talvez até consiga atrair alguns de Summoning ou de dungeon synth. Mais que isso não creio.

6.5/10
Fernando Ferreira

Calarook – “Surrender Or Die”

2020 – Edição de Autor

Expectativas altas, confesso, para esta estreia dos Calarook. Não que os conhecesse de algum lado mas tendo em conta que supostamente (reforço o supostamente) tocam pirate ou folk metal, a curiosidade natural é mais forte que o meu controlo racional. Após uma intro algo longa orquestral (alimentada por sintetizadores), entra então em acção “A Cursed Ship’s Tale”, onde a voz gutural de Philipp Wyssen acaba por se sobrepor a tudo. Apesar da sonoridade folk, ajudada pelo violino Lukas Mischler, a voz não nos coloca no ponto correcto que ambicionava para este tipo de sonoridade. Algo que os (poucos) coros que vão surgindo aqui e ali não atenuam. Passando por cima das expectativas irreais que tinha, é fácil apreciar os lados positivos que estão aqui. Riffs a lembrar os melhores momentos de Running Wild, peso e, claro, o já citado violino. A voz é que continua a ser demasiado unidimensional para um álbum com quase setenta minutos de duração e dezasseis faixas, algo que também, por si só, é excessivo.

6.5/10
Fernando Ferreira

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