WOM Reviews – Ireful / Demonized Priest / Angel Dust / Unforged / Intruder / Nothing Sacred / Evilspell / Monarch

WOM Reviews - Ireful, Demonized Priest, Angel Dust, Unforged, Intruder, Nothing Sacred, Evilspell, Monarch

Ireful – “The Walls Of Madness”

2021 – Defense

Thraaaaash! Old school e altamente inspirado. Há por aqui alguma forte aproximação nostálgica ao que consideramos ser old school, definintivamente mas quando é feito desta forma que se sente como honesta e verdadeira, o que há para queixar? Já se ouviu, já foi feito e visto, mas os Ireful demonstram que quando se gosta do que se faz e havendo talento para a coisa – como obviamente existe aqui – tudo o resto perde a importância. Grande EP de estreia e uma banda a tomar em consideração no campo do thrash metal.

9/10
Fernando Ferreira

Demonized Priest – “Necromantic Rituals”

2021 – Satanath

Interessante verificar como hoje em dia grande parte do thrash com tiques mais tradicionais nos surge da mistura com o black metal. É logo o carimbo que os Demonized Priest levam ao primeiro álbum, este “Necromantic Rituals” sobretudo pela abordagem vocal de Baal, the Unhuman, que entre o registo death/black, solta uns agudos que fariam os jovens Tom Araya e Schmier ficar orgulhosos. Mas não é só isso, é também a atitude metal tradicional, os solos inspirados e as dinâmicas que transcendem a fórmula habitual do black metal. O Chile tem apresentado cada vez melhores bandas e esta é uma para se juntar ao lote com esperanças de se destacar. Recomendado.

9/10
Fernando Ferreira

Angel Dust – “Into The Dark Past”

1986/2021 – High Roller

Reedição do primeiro álbum de uma das grandes bandas de power metal alemãs, no entanto, tal como os mais atentos saberão, trata-se de um álbum de thrash metal puro e duro, no melhor da tradição teutónica. Apesar de ser fã da segunda fase da banda (e esperamos que em breve possamos ter algo para iniciar oficialmente a terceira), há algo de fantástico e especial neste “Into The Dark Past” e no seguinte “To Dust You Will Decay”. Não será por acaso as constantes reedições, sendo sinal também que há interesse e validade por parte do público. “Into The Dark Past” é violento, é cru e ingénuo e é devido a todos esses motivos que é um grande álbum de originais. Fãs e coleccionadores de bom thrash metal, item obrigatório nas vossas colecções.

9/10
Fernando Ferreira

Unforged – “Eye For An Eye”

2021 – Fastball Music

O thrash metal embebido de groove é daquele que menos interesse me gera, tenho que ser sincero. Isto porque sem grandes mudanças numa fórmula base e a ausência de solos de guitarra por sistema faz com que as coisas se tornem aborrecidas desde cedo. “Eye For An Eye” é a excepção que comprova a regra. Aliás, é uma excepção tão grande que até ficamos com dúvidas em relação à regra. A abrangência das composições contidas aqui, os leads, as dinâmicas e os temas como um todo fazem com que do início ao fim este álbum seja uma verdadeira surpresa. Positiva acrescente-se. E quem gostar particularmente de thrash vai ficar mais vezes a gostar do que a torcer o nariz – a voz mais melódica do tema-título poderá ser um desses momentos. No geral é uma estreia de uma banda que tem potencial para evoluir muito para além do que evidencia aqui.

8.5/10
Fernando Ferreira

Intruder – “Psycho Savant”

1991/2021 – Lusitanian Music

Terceiro e último álbum dos norte-americanos Intruder que apesar de ter sido lançado em 1991, não acusava a forma como o metal em geral e o thrash metal em particular se iria transformar. Ou seja, é old school e com orgulho. Foi uma boa surpresa, principalmente para quem como eu, tinha o “A Higher Form Of Killing” como ponto mais alto. Este não ultrapassa mas também não evidencia a decadência que viria a tomar conta do estilo no resto da década. Técnico mas sem ir ao exagero, old school se estar parado no tempo, é um álbum que hoje em dia não esconde estar datado mas consegue com isso faça parte do seu charme e não algo que seja usado contra si.

8/10
Fernando Ferreira

Nothing Sacred – “No Gods”

2021 – Rockshots

Regresso de um clássico. Sempre um evento que interessa. Caso específico, os australianos Nothing Sacred, que lançaram o álbum de estreia “Let Us Prey” um ano antes de acabar em 1989. Mais de trinta anos depois a banda regressa com o segundo álbum onde demonstram que os anos não passaram por eles… dentro daquilo que é possível para fazer esta afirmação sem soar que estamos perante cenários de ficção ciêntifico. A mistura entre o heavy, power e thrash metal traz-nos temas onde o poder das guitarras, os riffs e os solos são as maiores e melhores ferramentas ao serviço das canções. A voz é o elemento mais tradicional enquanto a produção é moderna mas não soa desajustada ao som que fazem/pretendem fazer. “No Gods” tem garra e tem vontade de seguir a paixão pelo metal que todos nós temos. Garantia de diversão metálica.

7.5/10 
Fernando Ferreira

Evilspell – “Padre Vostro”

2021 – Blasphemous

Terceiro álbum dos italianos Evilspell que, curiosamente, fazem lembrar os Decayed nos seus assomos mais thrash metal. A banda junta o black metal e o thrash de forma bem conseguida, com uma produção que tanto mantém o factor primitivo em alta como não dá qualquer dúvida em relação ao teor blasfemo. A dinâmica é reduzida mas isso até seria uma característica que se esperava, pelo que só vai mergulhar aqui quem quer mesmo ouvir pouco mais de quarenta minutos de black/thrash metal com bons riffs, bons solos e uma voz demoníaca a liderar. E chega.

7.5/10
Fernando Ferreira

Monarch – “Future Shock”

2021 – Edição de Autor

Os americanos Monarch, premiados em Wacken no ano de 2019, apresentam-se como um dos portentos atuais da indústria do thrash metal mundial. “Future Shock” é o novo tiro discográfico, o seu segundo, deixando revelar sempre uma chama do heavy/thrash metal mais clássico, com inspirações em Metallica, Slayer e até Pantera. O novo disco apresenta excelentes momentos como “Blast The Seed”, “Future Shock” e “Fatal Vector”, tendo este álbum a diversidade como maior arma de arremesso com várias dinâmicas aqui apresentadas. Genericamente, as letras são bem agressivas e os instrumentais de destilar a mente, com vários trejeitos ensurdecedores de guitarra com uma bateria brutal. Apesar disto, “Future Shock” não surpreende, ficando aquele gosto de repetição a rolar na cabeça, sempre que se ouvem as dez faixas. O estilo é repetido e lança o mote para uma musicalidade que pode ser interessante para públicos mais jovens, mas repetida para ouvintes mais experientes e de gostos mais sofisticados no metal.

6/10
João Braga

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