WOM Reviews – Krypta Nicestwa / Necrobode / Kvaen / Primeval Mass / Zifir / Ruin Lust / Snorlax / Impiety

WOM Reviews - Krypta Nicestwa / Necrobode / Kvaen / Primeval Mass / Zifir / Ruin Lust / Snorlax / Impiety

Krypta Nicestwa – “Sarkofagi Nocnych Zjaw”

2020 – Harvest Of Death

Uma das coisas que, quando tomei contacto com o Black Metal pela primeira vez, me agarrou, foi a capacidade de alguns músicos de criar ambientes e atmosferas imensamente aterrorizadores e negros como o breu. O recurso a teclados, como veículo principal da estrutura dos temas, ou simples apoio na criação das já referidas atmosferas, é algo que ainda hoje me agrada imenso, no Black Metal. Quando bem utilizado, consegue ser um elemento enriquecedor, ainda que o preconceito acerca do uso do mesmo ainda persista, em certa medida. Mas isso é irrelevante para isto!

Os polacos Krypta Nicestwa assinaram pela Signal Rex – pela qual foi editado este EP – mostrando que esta continua na vanguarda da vertente mais Raw do Black Metal – entre outras – e volta a apresentar uma pérola! Que assim se mantenha.

“Sarkofagi Nocnych Zjaw” é composto por 4 temas de um Black Metal cru, escuro, arrastado em momentos, furioso e agressivo noutros. Próximo do que se fez nos 90, muito reminiscente do que fez no seu próprio país, estes 4 temas são uma mostra de qualidade. Já com alguns trabalhos na bagagem (2 splits e 2 demos), a banda concebe um som diferente do que seria de esperar, no sentido que o seu Raw Black Metal ganha a adição dos teclados, criando assim uma ambiência que vive lado-a-lado com a vertente mais fria e “primitiva” do seu som. O teclado consegue ser a estrela principal dos temas (“Ołtarze Diabelskich Pierwocin”), ao preencher o “espaço” livre. As guitarras são um desfilar de riffs, melódicos, mas nunca com mostra de fraquejo. A bateria é eficaz o bastante para marcar o passo, ainda que soe clássica – 90s Black Metal – q.b. As vocalizações, como que perdidas no fundo do poço, completam o círculo.

Como qualquer outra vaga, moda, hype ou whatever, também o Black Metal, na sua vertente mais visceral/crua/primitiva, tem sindo fustigado por bandas e mais bandas. Umas, poucas, trazem algo de novo a um subgénero que mais dia, menos dia perde o fôlego; outras, uma imensa maioria, insistem em fazer o que A ou B fez, com sucesso, tentando assim seguir uma linha que, sabendo eles, é de sucesso. Estes polacos fazem parte da primera tranche, acrescentam algo mais. Não, não criam a roda, mas fazem-no muitíssimo bem, com o acrescento de alguma classe. A produção soa a 90s… podre q.b., perceptível q.b. Uma excelente maneira de dar início a mais um ano.

9/10
Daniel Pinheiro

Necrobode – “Sob O Feitiço do Necrobode”

2020 – Iron Bonehead Productions

Desta vez a minha atenção recaiu na novíssima banda nacional Necrobode, que acaba de lançar o seu primeiro álbum de originais intitulado com todo o propósito, ‘Sob o Feitiço do Necrobode’. Apenas com 2 anos de existência os ilustres desconhecidos Necrobode manifestam as suas sonoridades através de um Black Metal cru, pestilento e pútrido com algumas infusões de Death Metal pelo meio. A primeira coisa a reter acerca de ‘Sob o Feitiço do Necrobode’ é a produção suja e turva que o álbum apresenta, que no entanto aparentemente é inusitada para, em conjunto com temáticas necrofilias, mórbidas e sádicas construir todo o enquadramento ambiental da banda. ‘Sob o Feitiço do Necrobode’ dispara numa torrente de riffs austeros e impiedosos complementados por uma secção rítmica relativamente pouco veloz (considerando o habitual do Black Metal) e vocalizações que ecoam abafadas e dilacerantes. Destaque para as faixas ‘Tumba Universal’, ‘Penetração Diabólica’ e Sangue da Virgem’ como as mais contundentes de ‘Sob o Feitiço do Necrobode’. Posso ainda evidenciar o facto (apensar de não ter qualquer importância para mim) de o álbum ser totalmente elaborado em Português.

8/10
Jorge Pereira

Kvaen – “The Funeral Pyre”

2020 – Black Lion Records

Kvaen chega-nos da Suécia, pela mão do guitarrista/músico de sessão, Jakob Björnfot (The Duskfall e Autumn Death). O core da música de Kvaen é o Black Metal. Sinfónico, Melódico, com elementos Folk, é no Black Metal que esta entidade vive. Ainda assim, em esporádicos momentos, um ou outro riff mais (Swedish)Melodic Death Metal faz-se ouvir – mesmo as vocalizações para tal apontam. De qualquer modo, temos perante nós 7 temas e 1 instrumental, recheados de melodia e daquela atmosfera que os nórdicos tão bem conseguem criar.

“The Funeral Pyre” é o álbum de estrangeira de Jakob, e pelo que se pode escutar, este decidiu dar o melhor de si a este trabalho. Há que referir, talvez como ponto alto do mesmo, o trabalho de guitarra. Todos aqueles que são apreciadores de um Black Metal mais dado à melodia que propriamente a toda a visceral carga “crua” e mais bruta, do género, encontrará aqui algo que será do seu total agrado. Se a tal acrescentar um gosto pela linha nórdica de fazer Heavy Metal melódico, está perfeito.

Há, efectivamente, melodia, mas ainda assim não me soa a uma melodia descartável. Infelizmente o fenómeno da “Música Descartável” não tem condescendência por nada nem ninguém… tristeza. “The Wolves’ Throne” mostra, bastante bem, as capacidades musicais do mastermind de Kvaen: solos e mais solos, todos plenos em melodia. A bateria neste tema está superiormente executada (Perra Karlsson, Freddy Ortscheid, Danni Lyse Jeelsgaard e Tommi Tuhkala, foi um deles, é o máximo que sei LOL). Os vocais encaixam muitíssimo bem nas estruturas instrumentais! A produção é a esperada: permite-nos ouvir os instrumentos na perfeição! Outra coisa, mais uma vez, não se esperava.

Uma das coisas que mais me espanta, nesta estreia, é o nível de qualidade exibido! É bastante, bastante alto. Como já disse, pessoal que tende mais para a veia melódica do género, encontrarão aqui algo do seu agrado. Arrisco dizer que fãs de Watain poderão ser capazes de apreciar o trabalho aqui exposto. Raios, até mesmo aqueles fãs de Dissection, menos armados em Trve Kvlt e o camandro, serão capazes de gostar – aqueles que, como eu, gostam imenso do “Reinkaos”.

“As We Serve the Master’s Plan”… várias variações, sempre uma carga melódica tremenda. “Bestial Winter”, mais uma vez, um excelente trabalho de guitarra! O senhor é, sem dúvida, um excelente guitarrista, que consegue, com estes 8 temas, dar um excelente primeiro passo!

8/10
Daniel Pinheiro

Primeval Mass – “Nine Altars”

2020 – Katoptron IX Records

Da Terra da Democracia, chega-nos o novo trabalho do Sr. Orth. A Grécia sempre foi um destino com garantia de qualidade, no que ao Heavy Metal – especialmente o Black metal – se refere. Dos sobejamente conhecidos Rotting Christ aos não menos soberbos Macabre Omen, passando por Necromantia, entre muitos outros, esta nação tem o condão de nos apresentar, com uma consistência enorme, trabalhos de Heavy Metal fantásticos (Chain Cult caso o Post Punk seja a vossa cena… excelentes). Há algo no som daquele país que nos permite, com alguma facilidade, rapidamente identificar bandas e músicas originários da referida.

Primeval Mass não foge de tal… muito… em algumas malhas. Em 20 anos de existência, “Nine Altars” é somente o 4.º Longa-duração editado, sendo que Demos e Splits têm marcado o processo editorial/discográfica da banda. A nível musical, a mesma situa-se na esfera do Black Metal, sem dúvida, ainda que beba bastante – pelo menos neste trabalho – da fonte do Thrash Metal, o que vem dar algum dinamismo ao álbum, fazendo com que este não seja demasiado unidimensional.

Orth, a mente por detrás do nome – do baixo, da guitarra e da voz… bateria gravada?! Arrisco estar a dizer asneira – oferece-nos um trabalho bastante sólido, como momentos deveras interessantes. De imendiato somos recebidos com cerca de 6 minutos de Black/Thrash Old School. Excelente maneira de abrir as hostilidades! Dai em diante a passadeira é estendida, e não há espaço para contemplações. Há muita atenção à melodia, com pequenos apontamentos, aqui e ali, para lá de solos que poderiam, perfeitamente, ser incluídos em mais que um álbum de Traditional Heavy Metal (“Amidst Twin Horizons”, belo instrumental)! Sim, a diversidade, neste trabalho, é palavra de ordem! Como referi ao início: o que vem dar algum dinamismo ao álbum, fazendo com que este não seja demasiado unidimensional.

Sem dúvida alguma que o álbum ganha muito com esta abordagem. Por vezes o ouvinte fica um pouco perdido – tanta diversidade pode provocar disto – mas o Sr. Orth depressa nos agarra pelos colarinhos e lança-nos para o olho da tempestade!

Os vocais encaixam bastante bem em qualquer uma das “encarnações” que tenha decidido assumir no momento, seja ela Black Metal ou Thrash Metal! O que mais confusão me faz é a bateria. O som da mesma, simplesmente não consigo assimilar aquele timbalão. Não “borra a pintura”, totalmente, mas faz-me torcer o nariz. Para lá da bateria, toda a dinâmica variada, no final de contas, torna-se um tanto ou quanto… estranho. O álbum acaba por não ter UMA identidade vincada, mas sim uma série de personas, que por vezes encaixam na perfeição, por outras não. Isoladas, a maioria das faixas são bastante agradáveis e “compactas”, mas como um todo, nem sempre.

Em jeito de conclusão, “Orphone” é Black Metal Helénico no seu melhor: tem melodia, tem peso, é lenta q.b.! Quiçá a melhor malha do álbum, na minha opinião. “The Hourglass”, tema que encerra o trabalho, longa, delicada, melancólica… excelente forma de encerrar este conjunto de temas.

7/10
Daniel Pinheiro

Zifir – “Demoniac Ethics”

2020 – Duplicate Records

Turkey is fairly unknown – for me at least – when it comes to Extreme Metal, or any subgenre, to be honest. That does not mean that the ones that do exist, do not have the necessary quality to make outside the geographic borders. We are all aware that playing Black Metal, in certain countries, is a hard task. Social and cultural non-acceptance might restrain musicians from channeling their philosophies into a musical sheet, going totally against what Music, be it Heavy Metal be it Pop, stands for! The possibility of expressing opinions and views, through Music, is not at arms reach for everyone. But we are here because of Music and Music shall be! Hailing from the turkish town of Ízmir, the piece band, composed of: Onur Önok, Nursuz and Ilgar, gives us their 4th  offering. A collection of 1 intro, 1 interlude and 9 tracks of Black Metal! Formed in 2006, they have been, consistently, releasing Music. 2007 saw the publication of their first album – “You Must Come with Us”. In 2011 “Protest Against Humanity” came out, and in 2017, “Kingdom of Nothingness”.In between albums, a split with Cult of Erinyes was released. Not bad for a 14 year run. A steady progression, I dare say. Musically speaking, Zifir does not stir away from nowadays Black Metal panorama: Black Metal with clean production and perfect understanding of the instruments, makes it easy to assimilate the band’s line of thought. Melodic, and mostly slowed paced Black Metal, the vocals sometimes seem a bit out of place… misplaced, even, but after a few listening you start to understand the reason the vocals were placed, and the vocal expression of the band’s Music.Adore the atmospheres they construct, kind of a ritualized approach to the genre, that really ups their Music! “Chaos Clouds” is a good example of what was described previously. By investing their effort in crafting said atmospheres, the bands creates a path through which we shall walk in order to achieve a goal. At the same time the bands arises a sense of Despair and Pain, a feeling of Death and Rage. I was not expecting to find such a well crafted piece of Black Metal, in all honesty! “Still Reinging” is a fabulous example of the ambiances put into this release!In the segment of the lyrical subject of the record – being Religion and its mischieving ways – the Turks are able to sort of hypnotize the listener with their blend of Melody and (calculated) Aggressiveness! Overall, it is a very well constructed release, with excellent melodies and atmospheres. A multitude of colours is present in this palette.

8/10
Daniel Pinheiro

Ruin Lust – “Sacrifice”

2019 – Sentient Ruin Laboratories

Coming from the American underground scene, Ruin Lust are a band that crosses the hybrid blackdeath metal with the potency of grindcore. With a relatively short story, this band started their career in 2013 with the release of their self-titled debut album and after that there was some silence… until now (“now” being last year). Just like a sledgehammer through a plywood wall, Ruin Lust returns with brutality and their newest album: Sacrifice, which despite its extremely rough roots I found it to be very easy to listen or, in other words, it’s an album that even though it focus mainly in aggression, it doesn’t really Sacrifice any other element (note to editor: puns should be prohibited by law). I like to think this is a rough album without any rough edges, or not many at least; there are plenty of moments that will instinctively put you headbanging, its velocity won’t let you get distracted, it really grounds itself in the classical extremes genres and even though the guitar ends up blending in the background, it does a great job contributing to the whole confusion atmosphere that is created. The only rough edge that comes to mind regards the drums that are of that dry sound style that can get a little bit tiring after a long time of exposure, at least for a plebe like me. Aside from that, I think Sacrifice is a well-balanced album despite it not being an album for everyone, I very much doubt that everyone will appreciate the level of “rawness” that is present in this piece.

8/10 
Matias Melim

Snorlax – “II”

2020 – Brilliant Emperor Records

Os Madsen são daqueles fenómenos que nos fazem pensar “only in Germany”. Não é pelo facto de cantarem em alemão, é pela sonoridade simples e orelhuda que têm que fazem com que as suas músicas sejam cativantes mas que se formos a comparar, não se fica a trás com muitas outras que temos cá no nosso pequeno burgo. As diferenças já são muito conhecidas que não vale apenas enumerá-las mais uma vez. Dizemos apenas que é a vantagem de estar num país onde a música rock é apoiada e onde existem editoras como a Arising Empire (pertencente à gigante Nuclear Blast) por trás a apoiar. Àlbum ao vivo, após os bons resultados conseguidos com o último álbum de originais, com o mesmo título “Lichtjahre” e o público ávido por levá-los para casa, numa colecão longa de temas (quase duas horas) e disponível em DVD. Quinze anos de carreira resumidos de forma exemplar num álbum ao vivo que se ouve bem. Mesmo para quem tem aversão ao alemão mas gosta de rock para compensar.

8/10
Matias Melim

Impiety – “Versus All Gods”

2020 – Arising Empire

Melodia contagiante. É uma forma de explicar o que os Our Mirage fazem. “Unseen Relations” traz-nos onze peças, verdadeiros tratados dessa melodia, onde o pós-hardcore se funde com o alternativo e metalcore para temas tão orelhudos que depressa se tornam virais internamente. E não é o caso de termos um ou outro tema mais forte. É sim um forte conjunto de temas onde não há qualquer tipo de algum filler. Alguns poderão ser ligeiramente mais melódicos e até pop (como a “Transparent”) mas isso não é um impedimento ou sequer um factor negativo.

8.5/10
Fernando Ferreira

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