WOM Reviews – Secret Sphere / Suburban Savages / Yawning Sons / The Hirsch Effekt / Kardashev / Niels Vejlyt / Scream Collision / Astrakhan

WOM Reviews - Secret Sphere / Suburban Savages / Yawning Sons / The Hirsch Effekt / Kardashev / Niels Vejlyt / Scream Collision / Astrakhan

Secret Sphere– “Lifeblood”

2021 – Fernando Ferreira

A banda italiana de power metal melódico Secret Sphere com mais de 25 anos de carreira, é mais uma daquelas que passaram totalmente despercebidas da maioria, mas agora dificilmente conseguem continuar no “anonimato”. “Lifeblood”, o nono lançamento original foi amor à primeira vista e até inclui alguns temas na minha playlist, pois achei-o um portento em todos os sentidos. Aqui soa a power metal por todos os lados. Cheio de solos impressionantes e riffs muito melódicos e onde a voz de Roberto Messina tem um desempenho muito acima criando uma textura musical forte e que globalmente é algo a que muitas bandas italianas do género já nos habituaram.

10/10
Miguel Correia

Suburban Savages – “Demagogue Days”

2021 –  Apollon Records Prog

A única expectativa que tinha é que sendo um lançamento por parte da Apollon Records, a qualidade seria boa – esta editora não desilude, muito menos a sua subsidiária Apollon Records Prog. Essa expectativa não foi abalada mas ainda houve espaço para surpresa. A tonalidade mais moderna deste trabalho apanhou-me desprevinido admito, mas a forma como os teclados dominam este trabalho em termos de melodia é algo que o torna extremamente eficaz e cativante. Consta que a banda estava a finalizar a preparação do álbum quando rebentou a pandemia, o que fez com que houvesse um processo à distância. Não foi algo que afectasse a música em si, que está bastante orgânica e até mais tradicional do que se esperaria, conforme o mesmo se vai desenrolando. Excelentes melodias, temas e um trabalho que mostra que por muito que existam obstáculos, a música triunfa sempre no final.

9/10
Fernando Ferreira

Yawning Sons – “Sky Island”

2021 – Ripple Music

Segundo álbum dos Yawning Sons – a união entre dois projectos fantásticos, Yawning Man e os Sons Of Alpha Centauri – que é, mais uma vez, a junção de dois estilos aparentemente distantes mas com alguns pontos de encontro óbvios. Falo do stoner e do rock progressivo e psicadélico. É aquilo que se tem aqui, com a perspectiva pós-rock dos Sons Of Alpha Centauri a fazerem essa ponte que dá em algo que podemos dizer que é único. Os temas têm uma intensidade muito própria e que não é imediata, havendo espaço para crescer audição a audição. Não é a questão de se irem descobrindo pormenores na música a pouco a pouco, mas sim de descobrirmos sentimentos em nós que nem sabíamos que eram revelantes. Um daqueles discos especiais e quase inqualificáveis que tornam válida esta experiência da junção de duas entidades à partida sem grande coisa em comum.

8.5/10
Fernando Ferreira

The Hirsch Effekt – “Gregaer”

2021 – Long Branch Records

Quando se diz que uma banda vai fazer versões orquestrais – ou pelo menos gravar temas com uma orquestra – aquilo que se pensa sempre é uma de duas coisas: ou é uma banda tem uma sonoridade óbvia e apetecível para o mundo sinfónico, ou é algo que vai transfigurar as coisas de tal forma em que a substância original perde o impacto. Ou saber. Pois este EP “Gregaer” vai ser uma excelente surpresa. Para já a banda não tem propriamente música que nos faça pensar logo em orquestrações mas as que estão aqui são de uma classe enorme e encaixam na perfeição no estilo mais espásmico da música da banda. Até dá-lhe um ar jazz, muito cool. E depois, continua a soar a The Hirsch Effekt, apesar de uma forma ainda mais grandiosa e porque não dizer, tresloucada. Três temas recriados e um novo em meia hora de boa e inqualificável música.

8.5/10
Fernando Ferreira

Kardashev – “The Baring Of Shadows”

2020/2021 – Metal Blade

Recuperação por parte da Metal Blade do EP lançado de forma independente pelos norte-americanos Kardashev. Reeditado mas com um bónus. Temos quatro temas e depois quatro versões instrumentais desses mesmo temas. A beleza dos mesmos é impressionante, soando como uma espécie de mistura entre death/doom atmosférico e melódico que consegue soar tanto old school como moderno. E por modern, refiro-me à qualidade da produção já que em termos musicais, nem temos old ou new school. É apenas intemporal. “Apenas”. Uma beleza impressionante. E apesar de ser grande fã de música instrumental, a voz (nas suas diversas formas) é realmente um valor acrescentado.

8.5/10
Fernando Ferreira

Niels Vejlyt – “Opus Absolute”

2021 – Edição de Autor

Música instrumental de teor neo-clássico era algo que durante muito tempo bastava para me fazer feliz. E de certa forma ainda é mas com tanta coisa feita no género, é evidente que a frescura e o impacto é reduzido agora do que era trinta anos atrás. Mas este não é um lançamento menor. Niels Vejlyt é um músico incrível, um guitarrista de grande talento que é possível absorver através destas dezanove faixas instrumentais que são ideais para quem tem um fraquinho pela música clássica e como esta soa através da guitarra eléctrica.

8/10 
Fernando Ferreira

Scream Collision – “Memories”

2021 – WormHoleDeath

Esta capa é fantástica, o que nos deixa logo com expectativas para o álbum em si. Expectativas que não são defraudadas. Não esperava algo concretamente mas devo dizer que a abordagem progressiva da banda grega  me conquistou sobretudo pela voz que tanto aponta para uns Royal Hunt como para uns Vanden Plas. Acaba por ser o grande destaque. Instrumentalmente soberbo mas sem abusos de técnicas – curiosamente nem ao nível da guitarra, um álbum bastante sóbrio nesse sentido. O que  é refrescante, havendo o foco sobretudo nos temas, uma aposta ganha já que este é um álbum que se ouve mesmo muito bem. Boa surpresa e uma boa aposta da WormHoleDeath.

8/10
Fernando Ferreira

Astrakhan – “Astrakhan’s Superstar Experience”

2020 – Melodic Passion Records

Ora isto é inesperado. O que temos aqui é uma interpretação, ao vivo, do clássico da opera rock, “Jesus Christ Superstar”. Confesso que (poderá ser uma heresia para alguns, perfeitamente natural para outros) mas nunca vi o filme e apenas conheço pequenos excertos do musical original, o que praticamente me faz embarcar para esta viagem como se fosse algo novo. E tendo em conta que estamos a falar de uma opera rock onde o rock não era apresentado da forma como se pensa quando se tem em consideração o termo (mais próximo até do funk e do soul, típicos da década de setenta), isto é bem agradável ao ouvido. Melhor que isso, é excelente. Uma excelente surpresa, principalmente quando não se espera claro. Para quem gosta de gospel, para quem gosta de guitarras e para quem gosta de musicais, isto  vai ser fantástico. Claro que tenho noção que no meio da comunidade rock e metal mesmo dentro do prog, nem todos poderão apreciar o tom regligioso da coisa, mas musicalmente creio que todas as barreiras vão cair. As melodias estão lá, alguns dos arranjos também, mas o rock e (proto)metal são mais evidentes – na “Damned For All Time / Blood Money” temos no solo um trecho da “Highway Star” que mostra bem o nível da coisa. Os mais cépticos vão ficar rendidos.

8/10
Fernando Ferreira

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