WOM Reviews – Steve Hackett / Noorvik / Sons Of Alpha Centauri / Long Distance Calling / Vircator / Flying Colors / The Flower Kings

WOM Reviews - Steve Hackett / Noorvik / Sons Of Alpha Centauri / Long Distance Calling / Vircator / Flying Colors / The Flower Kings

Steve Hackett – “Genesis Revisited Band & Orchestra: Live”

2019 – InsideOut Music

Este é um bom miminho para os fãs de Hackett e sobretudo para os fãs da fase dos Genesis da qual ele fez parte, para muitos a era dourada da banda (e também do chamado art rock). Estamos todos fartos de ver bandas a tocar com orquestra e se nalguns é um caso de auto-indulgência que não tem grande validade artística além da mera curiosidade, noutros é algo que até nos faz admirar como é que não aconteceu há mais tempo. Este é um desses exemplos, com a música a solo do guitarrista encaixar perfeitamente na dos Genesis e com ambas a tere um casamento perfeito com a orquestra. Tivemos a oportunidade de visualizar as filmagens e podemos dizer que para os fãs desta era dos Genesis (que parece que são os que existem em maior número tendo em conta a procura por espectáculos que lhe digam respeito) esta é uma aquisição essencial. Assim como também para quem gosta de rock progressivo, sendo que a sua melhor característica é o facto de não haver propriamente um abismo entre o material a solo com o da seminal banda britânica, algo que nem sempre acontece.​

Nota: 9/10
Review por Fernando Ferreira

Noorvik – “Omission”

2019 – Tonzonen Records

Para quem defende que o pós-rock já está morto e enterrado há muito tempo, “Omission” é um trabalho obrigatório. Não só prova o errado, apesar de evidenciar muitos dos trejeitos habituais do género, como também é capaz de empolgar. Confesso que a componente que mais me fascinou sempre no pós-rock era a capacidade de abastracção que coloca sobre o ouvinte. Tal como no ambient, este é um género que nos faz fechar os olhos e viajar na via láctea onde reside a nossa alma. É precisamente esse o poder de “Omission”, sem dúvida um dos grandes trabalhos de pós-rock do ano, com apenas quatro temas que não chegam a ter quarenta minutos. Mas tem o necessário para nos deixar agarrados. Isso já nem todos conseguem.

Nota 9/10
Review por Fernando Ferreira

Sons Of Alpha Centauri – “Buried Memories”

2019 – H42 Records

Este não é um trabalho comum dos Sons Of Alpha Centauri. Só pelo facto de termos a participação de Justin Broadrick (Godflesh, Jesu, JK Flesh, etc) nas suas várias facetas faz logo que se destaque de qualquer que seja a nossa norma do que é comum. No entanto, isso é apenas metade da coisa porque na outra metade temos James Plotkin (Khanate, Jodis, etc). Por um lado, é impressionante a forma como Broadrick consegue da mesma faixa, criar três temas diferentes e cada um de acordo com uma personalidade musical diferente. Já Plotkin dá uma profundidade ambiental completamente nova a um tema como “Warhero”. Se os temas de remisturas sempre soaram a tentativa desesperada de ganhar uns cobres facilmente, neste caso é uma obra que se sustenta sozinha e dá como até essencial a qualquer fã da banda.

Nota: 8.5/10
Review por Fernando Ferreira

Long Distance Calling – “Stummfilm – Live From Hamburg”

2019 – InsideOut Music

Que os Long Distance Calling são uma enorme banda, não resta qualquer dúvida, mas que em cima do palco ainda conseguem superar em intensidade e emoção aquilo que já é insuperável em estúdio. Temos mais de duas horas de música, pós-rock instrumental ou simplesmente rock/metal instrumental com alma e sentimento avassaladores. Talvez se ache que é muito tempo para tal, até mesmo para o suporte visual – do qual tivemos acesso e que tem uma qualidade espantosa, principalmente pelo local onde tocaram, uma espécie de catedral que faz aumentar o poder da música em mil porcento (imagino para quem esteve lá mesmo) – mas garantimos que isto é tempo que se passa sem se ver nem se sentir. Os álbuns ao vivo poderão estar a cair (ou já caíram) em desuso mas como estamos a falar daquilo que passa ao lado do mainstream, existem de vez em quando pérolas destas às quais não conseguimos resistir.

Nota 9/10
Review por Fernando Ferreira

Vircator – “Arcano”

2019 – Raging Planet Records

Os Vircator sempre se assumiram como uma banda fora da caixa, ou para ser mais correcto, rock do espaço sideral. De certa forma isso encaixa-se perfeitamente aqui, ainda mais, de forma irónica nos dias de hoje, já que o rock parece que é coisa para extra-terrestres se tivermos em conta a generalidade da população. Ainda assim, é algo que se assume sem concessões, sem ceder o seu propósito. Cru e de certa forma primitivo mas ao mesmo tempo à  frente daquilo que é o rock instrumental. Pedaços de pós(-rock) aqui, pedaços de stoner ali, sem voz, a música é rainha e senhora na forma como a mensagem é entregue e a mesma chega-nos de forma eficaz principalmente se quisermos fazer uma daquelas viagens sem sair do caminho. Parece-nos ainda que será ao vivo coisa para multiplicar por mil o efeito mas para já, em disco soa muito bem.

Nota: 8.5/10
Review por Fernando Ferreira

Flying Colors – “Third Degree”

2019 – Mascot Label Group

Já é lendário a forma como este (super) grupo nasceu podendo ser resumido apenas como a forma de tentar juntar a complexidade do rock progressivo com o pop. E, três álbuns depois, podemos dizer que esse princípio fica intacto embora tenhamos que admitir que o conceito de pop aqui contido não é propriamente o que é pop hoje em dia – a aproximação maior que existe em relação a algo remotamente parecido é a Muse em alguns momentos, principalmente pela forma como Casey McPherson explora as melodias da sua voz e a forma como as mesmas são complementadas com as de Neal Morse. Soa a clássico e está ao nível dos melhores trabalhos que cada um dos envolvidos já fez. E é bom ver que ainda faz estes super-projectos para algo mais que o momento. É, obviamente, um trabalho de extremo bom gosto e era bom que representasse realmente a música pop dos dias de hoje. Era o sinal que estávamos a viver num mundo bem melhor.

Nota 9/10
Review por Fernando Ferreira

The Flower Kings – “Waiting For Miracles”

2019 – InsideOut Music

No campo da lendária banda de rock progressivo The Flower Kings, as coisas têm andado confusas. Desde que Roine Stolt apostou na carreira a solo e lançou o ano passado o álbum “Manifesto Of An Alchemist” sob a designação de Roine Stolt’s The Flower King, que ficou alguma confusão sobre a banda. Junta-se uma digressão do músico com a designação de “Roine Stolt e amigos tocam The Flower Kings” que passou depois a The Flower Kings Revisited e não se sabia ao certo se a banda sueca estava de volta ou não. Agora é oficial, esta é a nova formação da banda e nesta nova fase, este duplo álbum, “Waiting For Miracles” é a melhor forma de a iniciar. A classe da banda está bem presente ao longo de dois discos, embora seja uma divisão desequilibrada – o primeiro tem uma hora enquanto o segundo apenas cerca de vinte minutos. Apesar da identidade da banda estar bem presente, vê-se também que arrisca a ir por caminhos novos – a orquestral “Ascending To The Stars” é um excelente exemplo dessa vontade, conseguida, que a par com “The Rebel Circus”, são grandes destaques do primeiro disco, assim como a “The Crowning Of Greed” que tem um excelente solo. Já o segundo CD não consegue causar tanto impacto já que se tratam apenas de cinco faixxas. Ainda assim, “Steampunk” é cativante para justificar o trabalho de por o disco no leitor. Fora esse desequilíbrio entre os dois discos, no geral, “Waiting For Miracles” é um álbum que segue a tradição da banda sueca da melhor forma.

Nota: 8/10
Review por Fernando Ferreira

Bask – “III”

2019 – Season Of Mist

O progressivo é um género ao qual vemos associados a muitos outros, no entanto, a associação ao stoner não é muito comum. A não ser que estejamos a falar de Bask, claro. No entanto, resumi-los a apenas à equação “stoner+prog” é preguiçoso até porque há aqui um elemento próprio de folk norte-americana (ao qual se costuma chamar de americana) e até de um certo psicadelismo. Não, na realidade a melhor forma de os descrever é apenas através do seu nome e, sobretudo, através da sua música. Temos uma capacidade única de envolvência que músicas como “Rid Of You” ou a tocante “Maiden Mother Crone”. Um regresso de uma das mais refrescantes bandas stoner americanas. Ou prog. Vocês percebem.

Nota 9/10
Review por Fernando Ferreira

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