WOM Tops – Top 20 Black/Death Doom Metal Albums 2020

WOM Tops - Top 20 Black/Death Doom Metal Albums 2020

O encontro de três gigantes da música extrema. Ok, para ser sincero, nem sempre os três se encontram aqui neste top, mas nem era esse o principal objectivo. O que queríamos era reunir vinte álbuns onde o Doom Metal se unia ao Black ou ao Death Metal. Não foi uma escolha rápida, até porque a concorrência era mais que muita, mas é assim que gostamos, não é verdade?

20 - Tithe – “Penance”

Tartarus Records

Tithe é uma nova entidade da música extrema que nos chega dos E.U.A., mais concretamente de Portland e traz uma mistura explosiva de death e doom metal com o seu quê de abrasividade punk. Esta caldeirada resulta em ganga boa para castigar o cabedal, com doses de castanhada que vão-se intercalando por alguns momentos de intensidade monolítica insuportáveis (no bom sentido, claro). É esta dinâmica e esta mistura que faz com que este trabalho seja invulgarmente apetecível, seja em qualquer altura se trate, mas sobretudo se estivermos com vontade de nos revoltarmos contra o mundo. Há samples por aqui que são totalmente apropriados a isso.

Fernando Ferreira

19 - The Rite – "Liturgy of the Black"

Iron Bonehead Productions

A.Th (Black Oath) e Ustumallagam (Denial Of God) serão, quiçá, os membros mais conceituados desta entidade que vive entre a Dinamarca e a Itália. Formados em 2017, prestam homenagem a um Black Metal lento e arrastado, denso e obscuro, assimilando aqueles ritmos cadentes que associamos, em certa medida, a uns Celtic Frost ou aos primórdios de Samael… “Liturgy of the Black” é o primeiro álbum do trio (editado pela Iron Bonehead Productions), e o terceiro trabalho no seu historial. Donos de um som que pontualmente recorre a sintetizadores, dando assim uma fragância épica às composições. “Liturgy…” vive de melodia, arrastada como a linha geral da sonoridade da banda. De início a fim, este álbum dá-nos prazentosos momentos de audição, em que a experiência dá mostras da sua existência, guiando-nos por linhas sonoras de belo efeito. Sem eu contra, a duração da (larga) maioria das faixas é um tanto ou quanto… extensa. Isso pode, infelizmente, levar a um cansaço da parte daquele que se quer perder nas mesmas. A verdade é que o ritmo e fluidez são bastante “vivos”, o que faz com que tal não ocorra com muita facilidade. Na sua (também larga) maioria, os temas são refrescantes, ainda que mantendo aquele cheiro a mofo e a velho (como deve ser). Black Doom Metal não assumido, in a way. Numa era do Black Metal em que ou somos “Raw” ou “Over Produced”, estes senhores já (quase) clássicos, da cena mundial, regressam com uma excelente oferta de Black Metal, prova de que ritmos lentos não vivem somente envoltos em nevoeiros estupefacientes. Enjoy…

Daniel Pinheiro

18 - Biesy – “Transsatanizm”

Godz Ov War Productions

O black metal é capaz de ser o género mais hermético que comporta tanta coisa diferente (com mais ou menos contestação) dentro da música extrema. Os Biesy são apenas mais um exemplo disso mesmo, mas são tudo menos “mais um”. A abordagem é através de temas compassados, com o seu quê de death e doom (e até algumas experimentações industriais), mas sem esquecer a aura negra – isto apesar da capa. Está tudo tão bem entrosado que, sinceramente, e apesar de admitirmos que o ponto principal é mesmo o black, é complicado dizer onde começa um e acaba o outro. Ou outros. Algo que nos apercebemos rapidamente logo nas primeiras absorções. É só largar a desconfiança e absorver. Uma verdadeira surpresa este trabalho.

Fernando Ferreira

17 - Konvent – “Puritan Masochism”

Napalm Records

Ao apreciar a capa deste trabalho, e sabendo de antemão que estamos perante uma banda death/doom, esperamos algo arrastado e agreste. O que ouvimos trouxe-nos uma boa surpresa, principalmente pelo groove que apresenta e dá muito poder a estes temas – o groove é melhor amigo do doom metal, seja de que tipo for. Mas as surpresas não ficariam por aqui já que conforme fomos investigar mais sobre a banda – é sempre melhor ouvir primeiro e depois deixar a curiosidade pedir por mais informações, se ela chegar a manifestar-se – descobrimos que este é um álbum de estreia de uma banda dinamarquesa femina. Hoje em dia é algo cada vez mais comum e não podemos olhar para isto como um gimmick, no entanto não deixa de ser uma surpresa já que o doom ou o death/doom não é o género mais apelativo. Felizmente que o bom gosto é geral e que as Konvent são apenas a mais recente prova. Um trabalho que é o ponto de partida para uma carreira bem interessante.

Fernando Ferreira

16 - MROH – “The Story”

Edição de Autor

Estreia discográfica dos MROH, uma banda russa que começa uma carreira em grande. Apesar do black metal estar na base do som, o potencial melódico destas músicas faz com que o seu alcance seja bem maior. Há inclusive aqui elementos de death e até doom metal, onde a melancolia acaba por ser outra característica proiminente e aquilo que realmente faz o grande impacto neste trabalho. A banda também lançou uma versão instrumental que acho que também será igualmente boa, mas a voz acaba por trazer uma poder extra. Não será indicado para os fãs de black metal, já que os elementos estranhos ao género poderá fazer com que percam interesse, mas quem gostar de death/doom e black melódico, é simplesmente perfeito.

Fernando Ferreira

15 - Gateway To Selfdestruction – “Sanctus : Mater : Scortum”

Northern Silence Productions

O black metal depressivo pode ser bastante aborrecido. Há essa potencialidade, ainda mais quando estamos a ouvir outra coisa que não os Gateway To Selfdestruction. Segundo álbum (finalmente) que nos traz além do desespero do black metal, também tem bastante de doom em si. E não de uma forma aborrecida – meus amigos, não deveria dizer isto, mas não basta tirar o pé do acelerador para que seja automaticamente (bom) doom. A conjugação das dinâmicas estão realmente executadas de forma perfeita e no final fica-se com um grande álbum de metal extremo. Melancólico mas extremo.

Fernando Ferreira

14 - Monumentum Damnati – “In The Tomb Of A Forgotten King”

Satanath Records / Grimm Distribution / More Hate Productions / The End Of Time Records!

Podemos estar fartos de projectos internacionals, podemos estar fartos de pessoal em máscaras a querer ficar no anonimato, mas quando nos surge pessoal com máscaras a querer ficar no anonimato, ficamos logo rendidos. “In the Tomb Of A Forgotten King” é o álbum de estreia dos Monumento Damnati, uma banda que nos traz aquele doom/death tão melódico como melancólico e que nos dá saudades e de querer voltar umas décadas atrás. Produção forte e segura que permitem que estas músicas realmente nos batam em cheio. Sem dúvida que será uma das revelações de 2020. Recomendado!

Fernando Ferreira

13 - Icare – “Kaos”

Division Records

Amor à primeira agressão, é a forma como posso descrever o impacto de “Kaos”. A mistura do death metal com black (ainda que de forma algo dissimulada a início e depois de forma mais assumida), o doom  e o grindcore está feita com enorme mestria. As descargas iniciais não ajudam a que se tenha uma ideia clara do que vem de seguida até porque a sonoridade é bastante mais maleável do que aquilo que poderíamos supor tendo em contra os três géneros citados atrás. Até porque a segunda metade do disco (que são três temas longos – oito, catorze e vinte minutos respectivamente) traz-nos um ambiente ainda mais sufocante, que poderá deixar-nos desorientados em relação à identidade da banda. Momentaneamente, porque depois, no final tudo faz sentido. Este é um enorme álbum, para lá de dinâmico (poderá pensar-se demasiado dinâmico) e que consegue deixar-nos sempre surpreendidos a cada vez que o ouvimos. Um poço de surpresas.

Fernando Ferreira

12 - Shallow Waters – “Bed Of Snakes”

Blood Fire Death

Mais uma nova banda que chega até nós. Os espanhóis Shallow Waters trazem uma mistura de black metal com death/doom melódico. Aliás, o que temos é mesmo uma mistura destes três géneros, com a vertente melódica bem acentuada e com o black metal a comandar as operações. Poderíamos estar perante uma proposta que tem uma fórmula muito comum, mas o álbum é único o suficiente para nos ficar marcado e registado na memória. Sem dúvida que se trata de uma excelente surpresa e um novo valor a ter em conta no underground do nossos vizinhos.

Fernando Ferreira

11 - Ashtar – “Kaikuja”

Eisenwald

Black e doom metal é uma mistura que nem sempre bate bem, mas no caso dos Ashtar temos que dizer que funciona na perfeição. Mais do que ter os dois elementos à luta entre si, conseguimos sentir uma harmonia completa e o resultado é um conjunto de temas que têm o equivalente a um tranquilizante para cavalos. Não por ser aborrecido ou desinteressante mas principalmente por ter um groove gigante e por instaurar uma espécie de mantra que nos endromina por completo do início ao fim. Não há drogas que consigam bater o estalo que isto manda.

Fernando Ferreira

10 - Núll – “Entity”

Ván Records

Mistura entre doom e black metal que nos chega de for a perfeita. De onde, de onde? Da Islândia, claro está. Melancolia opressiva e com melodias marcantemente épicas, algo que se distingue da concorrência em pouco tempo. Este é um trabalho que nos faz mergulhar num mundo à parte. Não exactamente um mundo positivo e agradável. Até um bocado inóspito mas que comparado com o que vivemos actualmente acaba por ser mais atractivo e belo. O abismo a olhar de volta para nós, sem que queiramos fugir ou seconder o olhar.

Fernando Ferreira

9 - Kaunis Kuolematon – “Syttyköön Toinen Aurinko”

Noble Demon

Terceiro álbum de uma banda que, tenho de confessasr, desconhecia. Os Kaunis Kuolematon são finlandeses, cantam em finlandês e tocam um doom metal de grande qualidade, com elementos de death metal e alguma melodia à mistura. A forma como isto é conciliado faz com que se sinta que se tem mesmo algo especial, pela atmosfera única, pela forma que os momentos compassados se conjugam e intercalam com os mais explosivos. O gutural de Olli Saakeli Suvanto é também um dos pontos altos e nem tem grande importância as letras serem em finlandês. Ou melhor não tem nenhuma. E as melodias, estas melodias fantásticas e melancólicas que se instalam tão facilmente esse é o melhor ponto. Que álbum fantástico!

Fernando Ferreira

8 - Pulchra Morte – “Ex Rosa Ceremonia”

Transcending Records

Quando cheguei a este “Ex Rosa Ceremonia”, a única coisa que sabia era que os Pulchra Morte tinham lançado o álbum de estreia no ano anterior. Logo aí é um ponto a favor. Gosto de bandas activas e proficientes – não sabendo bem porquê, parto do princípio que, tal como os clássicos, lançamento de álbuns todos os anos é indicativo de mestria na sua arte. Nem sempre é algo certo mas pelo menos em relação a este álbum podemos estar seguros já que temos um death/doom de qualidade bem acima da média. O tom das guitarras, quente e cheio mas ao mesmo tempo a lembrar os clássicos My Dying Bride e Paradise Lost (principalmente estes últimos), enquanto a melancolia anda sempre colada ao peso bruto. Se é para fazer death/doom que seja assim!

Fernando Ferreira

7 - Soliloquium – “Things We Leave Behind”

Rain Without End Records

Este é o meu tipo de disco. Os suecos Soliloquium estreiam-se na Rain Without End Records – que quanto a mim raramente falham nas suas contratações – com um terceiro disco que só prova todo o seu poder. Lembram-se daquele death/doom metal meio melódico, totalmente melancólico, da segunda metade da década de noventa? É o retrato perfeito para este disco que nos traz nostalgia por estas músicas que nunca ouvimos antes e que nos dizem tanto. E não confundir, por favor, esta sensação descrita atrás com déjà vú. É algo bastante diferente. Um disco que tem tudo para ser um disco clássico dos fãs da banda assim como do estilo. Mais que recomendado.

Fernando Ferreira

6 - Shores Of Null – “Beyond The Shores (On Death And Dying)”

Spikerot Records

Há uma série de coisas às quais sou, abertamente, sensível. Uma delas é o vioino. Violinho em bandas de metal, seja de forma festiva do folk metal ou seja na forma melancólica do doom, tem um efeito, normalmente positivo. Muitas vezes é o ponto de salvação em algo que seria de outra forma banal. No caso do terceiro álbum dos Shores Of Null, trata-se de apenas mais um elemento que é vencedor, numa série deles. Capa minimalista, som que junta melodia do death metal, melancolia atmosférica e peso e tudo numa única faixa de trinta e oito minutos. Totalmente contra a corrente daquilo que é o normal hoje em dia, em que não pachorra para o quer que seja. E poderiam ser trinta e oito minutos aborrecidos, sempre na mesma toada, mas não. A dinâmica está bem tratada e acabamos por ter um tema que se desenrola de forma progressiva, sem sentirmos que é apenas uma música esticada até ao limite da nossa paciência. Uma viagem a repetir com toda a atenção a ser exigida.

Fernando Ferreira

5 - Forgotten Tomb – “Nihilistic Estrangement”

Agonia Records

Para muitos os Forgotten Tomb têm vindo a definhar, com uma crescente adocicação do seu som. É sempre discutível e cada um terá as suas próprias sensibilidades mas podemos dizer que há algumas flutuações de qualidade nos tempos mais recentes. Independentemente da evolução e da crítica à mesma, sem dúvida que havia entusiasmo da minha parte para receber este regresso, entusiasmo esse que foi bem recompensado com um dos álbuns mais fortes da banda italiana, talvez em dez anos. Ou mais. “Nihilistic Estrangement” traz-nos uma sensação de reconhecimento imediato, como se fosse um velho amigo ao qual estamos a voltar. E este não é um álbum bonito. É feio, desagradável, como um Inverno que não tem perdão por nós mas ainda assim, não dispensa melodias, ainda que estas sejam macabras e melancólicas. É uma boa surpresa e um álbum que acreditamos que faça muitos fãs voltar a interessar-se pelos Forgotten Tomb.

Fernando Ferreira

4 - Ethir Anduin – “Pathway To Eternity. The Agony”

GrimmDistribution

Apesar dos Ethir Anduin serem uma banda bastante activa (oitavo álbum de originais desde o primeiro em 2011), tenho que confessar a minha ignorância a respeito da sua existência. Este duo acaba por ser uma excelente surpresa pela junção magnífica entre o black metal e o doom, sem ser algo que seja propriamente depressive black metal (uma confusão que de vez em quando se faz). Até o doom e black metal acabam por ser redutores, porque este trabalho acaba por ser bem mais expansivo para além desses dois géneros. A coisa resulta. Resulta bastante bem, com os temas a trazerem-nos desespero mas também uma sensação de estranheza que não é fácil conciliar. De forma a que seja catchy. Em composições longas, algumas vezes com mais de dez minutos. Demora a absorver, é certo, mas vale a pena o esforço.

Fernando Ferreira

3 - Shaidar Logoth – “Chapter III: The Void God”

Sentient Ruin Laboratories

Terceiro capítulo da discografia do duo norte-americano Shaidar Logoth, uma entidade musical que mistura black metal com, na minha opinião, doom metal. E fá-lo de forma absolutamente sublime. São quatro temas (dois deles com duração superior a quinze minutos e a abrir e a fechar o álbum) que nos trazem muitas mais disposições e perspectivas do que esperaríamos à partida. Foram cinco anos de ausência mas valeu a pena a espera para voltarem com uma bomba como esta. Poderoso e dinâmico, é sem dúvida um festim para os sentidos daqueles que vibram com a progressão da música e com poder e impacto que ela tem no ouvinte permitindo-lhe “viajar”, mesmo nos temas mais curtos.

Fernando Ferreira

2 - Tethra – “Empire Of The Void”

Black Lion Records

Este é um som do qual tenho mesmo profunda nostalgia. Não está particularmente extinto mas não é algo que se encontre todos os dias. Nunca esteve na modas mas já teve um período em que se conseguia encontrar com bastante frequência bandas que juntassem o death com o doom metal sempre com um toque de melodia e melancolia memoráveis. Os Tethra são uma dessas bandas, uma dessas excepções que têm aqui neste seu terceiro álbum talvez o seu melhor trabalho – é sempre complicado de discernir assim a quente mas é sensação que fica – e definitvamente uma das propostas do ano neste espectro. Disso tenho a certeza.

Fernando Ferreira

1 - Total Death – “Mar De Aguas Amargas”

Sun Empire Productions

Seis anos depois, aqui está o novo álbum de originais dos Total Death, depois do excelente EP “La Noche Oscura Del Alma”. Se o dito EP mostrava uma acentuada dinâmica estilística, aqui temos uma abordagem mais pesada, ainda que melancólica mas com as melodias a serem mais opressivas. Se o início poderá parecer algo lento, na forma a que o impacto não é tão imediato como o EP poderia sugerir, essa ilusão depressa se desfaz e este revela-se um vício bem eficaz. Um vício de miséria a caminhar a passos largos para a depressão, mas isso também já não será propriamente novidade por esta altura. Emocionalmente potente, metalicamente quase perfeito, esta é mesmo uma das melhores bandas da América Latina de death/doom metal da actualidade.

Fernando Ferreira

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