WOM Tops – Top 20 Prog Rock Albums 2020

WOM Tops - Top 20 Prog Rock Albums 2020

Esta é sempre um ponto obrigatório dos nossos tops, um dos géneros mais clássicos do rock (e que tantos clássicos nos trouxe em mais de cinquenta anos) e que é sempre garantia de boa música. 2020 não foi um mau ano para o prog rock, muito pelo contrário, foi mesmo um excelente ano e aqui temos vinte provas prontas a apresentar.

20 - Final Conflict – “The Rise Of Artisan”

Gaolhouse Records

“The Rise Of Artisan” é a segunda parte de uma anunciada trilogia por parte dos britanicos Final Conflict, que nos chega oito anos após a primeira parte “Return Of The Artisan”. Tenho que admitir que neste trabalho (e sem conhecer a primeira parte) o que menos interessa é mesmo a história. De qualquer forma, e em defesa do facto deste ser um álbum conceptual, sente-se que há uma união forte entre as músicas e o álbum, musicalmente, é bem coeso. Mais do que apenas art rock à la Genesis, há uma vida para além desse espectro. Aliás, se formos a falar de referência, mais vezes surgem os Dream Theater do que propriamente Genesis, apesar de em termos de peso a fasquia esteja bem presa no rock. Classe do início ao fim, este é rock progressivo de classe.

Fernando Ferreira

19 - Kingnomad – “Sagan Om Rymden”

Ripple Music

Classe que temos aqui em abundância. Classe daquela que parece que pensávamos que estava confinada na década de setenta lá para os lados da Suécia mas que continua bem presente nos dias de hoje. Dentro do rock progressivo, este é um trabalho mesmo vintage mas não chega a ser retro. Isto é, não é uma piscadela a tempos antigos. São os tempos antigos representados de forma perfeita, integrando-se perfeitamente na paisagem que temos actualmente. “Small Beginnings” é apenas um exemplo disto mesmo, como uma música consegue ser hipnótica de forma clássica e um retrato da abrangência que temos aqui.

Fernando Ferreira

18 - Pure Reason Revolution – “Eupnea”

InsideOut Music

Pure Reason Revolution causou um bom impacto na cena prog, pela forma como cruzaram influências e referências dentro do universo da música movida a sintetizadores e rock progressivo. “Eupnea”, o novo álbum, aprofunda ainda mais essa impressão e traz-nos um álbum que não só é diverso e dinâmico como também consegue ainda não esquecer o peso que surge algumas vezes de forma surpreendente. Sem falar que liricamente acaba por ser bastante sentido – inspirado sobretudo no nascimento de da filha de Jon Courtney. Dez anos de silêncio que não poderiam ter sido quebrados da melhor forma.

Fernando Ferreira

17 - PreHistoric Animals – “The Magical Mystery Machine (Chapter One)”

Edição de Autor

Típico caso em que é a música a conseguir capturar a atenção quando a capa faz tudo para que ela se afaste. A sério pessoal isto não é uma capa que se apresente em 2020. Bem, adiante. Esta banda sueca tem um som fantástico. Rock progressivo, com algum peso que tanto vai piscar olho aos clássicos – aquele início da “Floodgate” remete-nos para tanta coisa boa que é impossível um fã de progressivo não ficar logo agarrado. Não basta fazer temas com mais de seis minutos, nem ter estruturas complexas, é preciso sumo. Saboroso e memorável. Sei que a coisa do memorável hoje em dia é cada vez mais complicada, com a nossa memória a ser esticada ao limite por todas as coisas que lutam pelo seu espaço, mas tendo em conta o estilo, este conjunto temas é realmente forte. Inesperada e deliciosamente forte. O potencial é enorme. E esta será uma das grandes surpresas de 2020 no reino do progressivo.

Fernando Ferreira

16 - Kansas – “The Absence Of Presence”

InsideOut Music

Regresso do nome maior do rock progressivo dos E.U.A. vindo da década de setenta: Kansas. No entanto, estes Kansas são bastante diferentes daqueles que fizeram sucesso décadas atrás, mas é uma diferença que não se sente. Sendo o segundo trabalho sem o mítico Steve Walsh, é bom ver que a sua identidade musical continua bem intacta. Mais incrível é se tivermos em conta de que os principais responsáveis para a sua composição foram os novatos Zak Rizvi (guitarrista, no seu segundo álbum com a banda) e Tom Brislin (teclista, no seu primeiro álbum com a banda), isto sem já falar que se trata do segundo com o vocalista Ronnie Platt (teclista também). Rock progressivo tipicamente Kansas onde nem o violino falta. Um álbum que flui extremamente bem e que até se revela totalmente apropriado para estes tempos novos em que estamos mergulhados – apesar de não ter sido inspirado por eles.

Fernando Ferreira

15 - Derek Sherinian – “The Phoenix”

InsideOut Music

O mestre das teclas está de volta. Apesar dos álbuns de teclistas não ser propriamente algo que um fã das guitarras possa apreciar, no caso de Sherinian, isso não está em causa. Não só o seu estilo evidencia também influências de guitarristas como ele gosta de andar muito bem acompanhado nesse departamento. “The Phoenix” não é excepção e temos aqui a participação de nomes como Bumblefoot, Steve Vai, Kiko Loureiro (que participa na faixa “Pesadelo”, uma das melhores), Zakk Wylde e Joe Bonamassa. Também temos baixistas de renome como Billy Sheehan a dar a perninha. O bracinho. Bastante diverso e não se furtando a ter voz quando é necessário (“Them Changes”), é um daqueles álbuns que qualquer amante de bom e virtuoso rock não ficará indiferente. Luxo.

Fernando Ferreira

14 - Logos – “Sadako E Le Mille Gru Di Carta”

Andromeda Relix

Rock progressivo de classe, bem próximo do que ficou conhecido como art rock, só que cantado em italiano. Os Logos trazem à memória um som que apesar de não ser já comum hoje em dia, tem uma enorme qualidade. Não nego que a língua italiana nem sempre me entra bem, mas musicalmente, este é mesmo um trabalho fantástico, praticamente sem defeitos nenhuns. Normalmente a música ambient serve como ponto de reflexão e relaxamento mas este álbum tem exactamente o mesmo poder, conseguindo manter intactas as características do chamado (por cá) rock sinfónico.

Fernando Ferreira

13 - Joviac – “Here And Now”

Inverse Records

Não conhecendo a banda, devo dizer que fiquei já rendido. Obviamente que ajuda ser fã de rock e metal progressivo. Ajuda também a banda andar um pouco pelos dois campos (embora manifestamente seja o rock a ter mais expressão) mas o ponto decisivo é mesmo o facto de ter uma sensibilidade fantástica para fazer grandes temas. Sem dúvida que este é um trabalho ao qual vamos querer voltar muitas vezes por não só as músicas continuam a crescer a cada audição, também a banda demonstra conseguir reunir uma série de influências diferentes sem andar propriamente a copiar quem quer que seja. Ah, e passa num instante.

Fernando Ferreira

12 - Shaman Elephant – “Wide Awake But Still Asleep”

Karisma Records

Como já é fácil de ter notado até esta hora, sou sempre sensível a tudo que relembra coisas que gosto, mas esse, por si só, não é um método que garanta sucesso. Os Shaman Elephant regressam com um álbum que tem tanto de rock progressivo da década de sessenta como a sonoridade meio psicadélica que nem sempre andava de mão dada. Aqui não só surgem juntos como até nos dão indicação de algo diferente, uma sensibilidade quase indie que confunde (e ainda bem) neste contexto mas que faz com que épicos como “Traveller” sejam especialmente bem conseguidas. Não é, contudo, um álbum imediato, mas também já nos habituámos a que quanto menos imediato seja, mais prazer auditivo nos vai trazer.

Fernando Ferreira

11 - Hällas – “Conundrum”

Napalm Records

Os suecos Hällas estão de volta para o segundo álbum, mas não é preciso muito de “Conundrum” para ficarmos com a sensação de que a estreia foi lançada em 1976 e não em 2018. Ainda assim, apesar do som assumidamente datado, há por aqui um encanto enorme. Tenho noção de que não será fácil de encaixar por parte de muitos fãs do rock progressivo actual, porque isto é uma coisa mesmo vintagem, mas a classe que é esbanjada por aqui é demasiado alta para que possa ser passada em branco.

Fernando Ferreira

10 - Arabs In Aspic – “Madness And Magic”

Karisma Records

Não é surpresa nenhuma aquilo que os Arabs In Aspic apresentam. Ao sétimo álbum, já sabemos muito bem aquilo que a banda norueguesa nos vai trazer. Rock progressivo de acordo com os pergaminhos deixados por Pink Floyd, Genesis e Yes, com espaço suficiente para deixar surgir uma personalidade própria que por esta altura está mai que estabelecida. Não sendo um campo do rock progressivo propriamente popular, não deixa de apelar a todos os fãs da década setenta e principalmente daquela aura que os álbuns das bandas atrás citadas (e outras como Camel) suscitam. Uma classe muito própria que não está ao alcance de todos. Só o épico “Heaven In Your Eye” vale pelo disco todo.

Fernando Ferreira

9 - Legacy Pilots – “Aviation”

Laterne

Clássico, rock progressivo clássico. É o que soa desde o início, desde a fantástica faixa instrumental “The Squad Is Back” até à final “An Adventurous Journey”. É um álbum que se ouve muito bem e de certa forma nos relaxa. Os mais fãs do estilo poderão reconhecer alguns tiques daquilo que o estilo nos tem vindo a apresentar desde a década noventa mas há uma identidade sólida que está firmada. As melodias vocais são sem dúvida o grande ponto de atracção, mesmo sendo instrumentalmente um álbum soberbo. Como disse no início, simplesmente, clássico.

Fernando Ferreira

8 - Döda Havet – “Tid Och Rum”

Gaphals

Colocamos este álbum no jarro do progressivo tendo a noção de que não será propriamente a melhor de definir o que podemos ouvir aqui embora definitivamente possamos encontrar por aqui elementos progressivos. Rock, emoção, melodia e exoticismo, o qual até a língua (sueco) funciona a favor. Não é fácil de descrever mas é muito fácil de ouvir. Atrevo-me até a adiantar que este será um tesouro escondido à vista de todos. Provavelmente apenas afastados desse conhecimento por não cantarem em inglês. Pobres desses que se deixam impedir por essa pequena barreira.

Fernando Ferreira

7 - Wobbler – “Dwellers Of The Deep”

Karisma Records

Muitas vezes recuamos no tempo com o destino a ser invariavelmente a década de setenta. Os Wobller são já uma garantia de qualidade nessas mesmas viagens, sempre pela via do rock progressivo – se fecharmos os olhos até parece que estamos a ouvir Jon Anderson dos Yes. O que é já um lugar comum ter que salientar – quando assim se justifica, claro – é a forma como a banda leva-nos pela viagem e faz com que tenhamos a sua própria perspectiva e não de outros a comandar a viagem. Dito isto, é compreensível que esta estética não seja para todos, já que a roupagem é declaradamente vintage. Tendo o espírito aberto para as coisas boas da vida, esta é uma que não deverá passar ao lado. Rock progressivo imortal.

Fernando Ferreira

6 - Tammatoys – “Conflicts”

Apollon Records Prog

E quando uma banda volta à carga mais de quinze anos depois? É sempre caso para surpresa. É o que acontece com os noruegueses Tammatoys, tendo em conta que ainda mais incrível é este ser o álbum de estreia, já que os dois lançamentos anteriores são EPs. Consta que a inspiração da banda são os mestres do género, nomes como Yes, Genesis e Rush e é algo que faz todo o sentido, no entanto não são as reminiscências de outrora que são dignas de interesse. É mesmo a forma como conseguem trazer uma lufada de ar fresco, tal como nomes como Riverside e Airbag em apenas cinco temas. Pura classe intemporal. Basicamente é o topo que se consegue atingir.

Fernando Ferreira

5 - Marsyas – “Emergence”

Edição de Autor

Marsyas inicia aqui o seu percurso discográfico, com este álbum de estreia de grande qualidade. “Emergence” traz-nos uma fusão de rock e metal progressivo que surpreende pela forma como se torna viciante em pouco tempo. Sem ser particularmente pesado, consegue fazer isso principalmente pelos riffs. As influências da banda são absurdamente variadas, algo que se consegue perceber. O melhor de tudo é que conseguem soar minimamente originais e construir uma série de canções que são muito mais do que exibições acerca das suas capacidades como executantes ou compositores. Tudo flui sem nada forçado.

Fernando Ferreira

4 - Rikard Sjöblom’s Gungfly – “Alone Together”

InsideOut Music

Rikard Sjöblom é um nome de excelência dentro do rock progressivo, conhecido pela participação nos Beardfish e nos Big Big Train mas também por este seu projecto pessoal (onde tem a colaboração de Petter e Rasmus Diamant, na bateria e baixo, respectivamente), Gungfly, que aqui embarca num som mesmo old school, a piscar o olho directamente ao rock progressivo da década de setenta, onde o rock clássico também é misturado aqui pelo meio. È esse o melhor termo que nos ocorre para descrever, clássico. Mas a parte surpreendente é embora as suas influências sejam bastante reconhecíveis e bastante claras, elas ajudam a criar algo completamente novo. Algo que poderia chamar de música déjà vú, aquela que ouvimos pela primeira vez com gosto e satisfação como se fosse o reencontrar de algo marcante da nossa vivência. Muito mais desafiante do que à partida se espera, “Alone Together” é, tal como o título, uma ironia fabulosa, pela forma como conseguimos ligar-nos a algo novo que poderia ter sido feito à quarenta anos e teria o mesmo poder. Poder imenso, acrescente-se.

Fernando Ferreira

3 - Alfonso Corace – “Fo’s Room”

Edição de Autor

O nome próprio nem sempre é a escolha ajuizada para baptizar uma empreitada artística. No caso de Alfonso Corace, ficamos logo com essa ideia à primeira vista. Por outro lado, à primeira audição ficámos logo com a sensação contrária. De que até se poderia chamar de “Tia Anica do Loulé” que isso não mudaria o facto de estarmos perante um grande álbum, de difícil categorização a não ser nas costas largas do rock/metal progressivo. Acaba por estar num limbo entre as duas, onde é demasiado light para ser metal e por vezes algo arrojado para apenas ser rock. Arranjos electrónicos que resultam muito bem e um conjunto de temas para lá de fortes. Boa surpresa por parte do amigo Alfonso que tem um talento óbvio.

Fernando Ferreira

2 - Hats Off Gentlemen It’s Adequate – “Nostalgia For Infinity”

Nuclear Blast

Irónico estarmos agora a analisar este álbum dos Hats Off Gentlemen, It’s Adequate, quando estamos a meio desta crise global que nos colocou, em parte, no nosso devido lugar. Em parte, porque infelizmente somos incorrigíveis. “Nostalgia For Infinity” tem como principal tema a fragilidade humana. Física, emocional e até intelectual. Como somos animais de hábitos, incapazes de mudar e fácil de ceder ao desespero de qualquer situação – e como agora nos parecem triviais todos os dramáticos problemas que tivemos um mês atrás de não termos carga no telemóvel ou de nos termos esquecido de algo no super-mercado. Apoiado, em parte, por trabalhos do escritor Alaistair Reynolds, temos uma colecção de tema que é um festim para os ouvintes do fã de rock progressivo. O épico de apertura “Century Rain” é sem dúvida um deles. O tema “Ark” já nos tinha sido apresentado anteriormente no EP com o mesmo nome lançado no passado, e já é uma referência no resto do álbum flui de forma graciosa até ao desfecho com o “The Sixth Extinction”, um climax apropriado com um incremento de peso que é bem vindo. Uma chamada de atenção para o nosso potencial tanto para a salvação como para a perdição. Destaque ainda, invevitável para o trabalho de flauta de Kathryn Thomas, que surge precisamente nos temas mais mais marcantes. Rock progressivo poderá estar longe do impacto comerciald e outrora, mas a música inesquecível continua a ser feita, como a que temos aqui.

Fernando Ferreira

1 - Airbag – “A Day At The Beach”

Karisma Records

Finalmente um novo trabalho dos Airbag! É fácil perceber por esta primeira afirmação (exclamação!) de que haviam por aqui algumas expectativas. Verdade, não nego e aquilo que apetece já dizer é… expectativas cumpridas! “A Day At The Beach” – e que capa tão simples e tão maravilhosamente acutilante – é já o quinto álbum da banda norueguesa que nos traz, mais uma vez, a excelência do rock progressivo. Podemos notar que aqui temos alguma inclinação para unas paragens mais próximas de uns Riverside do que propriamente de Pink Floyd, mas o feeling geral é mesmo daquelas paisagens sonoras como só os Airbag sabem pintar. Mais cinematográfico que nunca e com aquele sentido de atmosfera fantástico, esta é mais uma viagem que queremos fazer, mais uma. E mais uma vez, a guitarra de Bjorn Riis é um fio condutor que apesar de estar de certa forma mais tímida, não deixa de se fazer sentir presente quando é necessário – a bela “Sunsets” é um excelente exemplo.

Fernando Ferreira

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