WOM Tops – Top 20 – Rock 2019

WOM Tops - Top 20 - Rock 2019

Aqui está o primeiro top, o primeiro de muitos, referentes a 2019. Poderia-se pensar que os nossos tops iriam acabar, uma vez que a revista também já teria findado – isto porque foram os tops que deram origem à mesma. Mas já sabem – se não sabem, deveriam saber – que neste mundo do metal nada morre por completo. Por vezes as coisas apenas se encontram adormecidas. Mas não foi o caso dos Tops, em vez de surgir de uma vez só em Fevereiro – como forma de comemoração do aniversário do início da revista – vamos colocar ao longo do mês de Janeiro as várias categorias, com vinte propostas que achámos relevante entre as que mais ouvimos. Neste caso, aqui estão vinte álbuns de rock que nos marcaram em 2019.

20 - Going Up North – “Stealing From The Thieves”

Apollon Records

Rockão, descomprometido mas bem eficaz e melódico. Talvez se encaixe naquela temível categoria retro, mas não é nada que nos surja como se tivesse sido defecado na década de setenta e guardado em ambar até aos dias de hoje, até porque o feeling até é um pouco eighties. Bom feeling, boa onda e boas melodias, com o tema de abertura a ficar logo colado na memória – e que música memorável é esta. E além desse feeling mais clássico, também existe por aqui um pouco feeling de punk que neste contexto, mesmo ao de leve, faz toda a diferença, assim como até o folk/americana. Categoria boa surpresa.

Fernando Ferreira

19 - Dr. Awkward & The Screws – “Gettin Out Of Style”

Edição de Autor

Não é só o aspecto da capa (bem catita por sinal) que soa vintage. Também a sonoridade deste Doutor Embaraçoso e os Parafusos (?) nos aponta para os tempos mais descomprometidos do rock n’toll. Temos aqui nove temas que apelam ao melhor espírito rock’n’roll, descomprometido, tal como mandavam as regras na década de setenta. Bons riffs, bons solos mas o que domina tudo é mesmo groove. Aquele boogie woogie que nos fazem abanar a cabeça e bater o pé de mansinho quase sem sequer darmos conta. Fantástico.

Fernando Ferreira

18 - Dave Hause – “Kick”

 Rise Records

Se em termos musicais este trabalho de Dave Hause anda pelos campos do rock, em termos líricos estava perfeito para um álbum de doom metal. Bem, nem por isso mas é apenas para se ter a noção de que as letras falam muito das lutas que todos nós passamos diariamente, muitas inspiradas pelas experiências pessoais de Dave, que traz uma importância a estes temas, uma alma maior. É um bom álbum rock, recomendado para quem o tem a correr nas veias.


Fernando Ferreira

17 - Suzi Quatro – “No Control”

Steamhammer / SPV

Suzi Quatro é um nome mítico da década de oitenta. Mesmo que não se conheça a sua música, definitivamente que já se ouviu falar do seu nome. Incontornável no rock, a diva fez furor na década de setenta e oitenta e depois mesmo deixando de estar nas lides e tendo saído de cena durante grande parte da década de noventa. Na viragem do milénio, Suzi Quatro voltaria e este é seu último álbum. Grande feeling rocker, ora mais blues, ora a pender um bocado para o rock, ou chegando a ter um flirt com o ska, “No Control” é um álbum simples mas cheio de classe, representativo do espírito rocker da mais famosa baixista do rock. Não é famosa sem justificação.


Fernando Ferreira

16 - Pristine – “Road Back To Ruin”

Nuclear Blast 

A tentação para a malvadez de dizer que os Pristine são uma cópia dos Blues Pills não deixa de ser bastante injusta, principalmente por haver espaço para uma identidade própria em cada uma das propostas. “Road Back To Ruin” é então um grande regresso de uma grande banda que nos traz aquele rock intemporal com recurso a uma voz que transpira alma, aquela alma que ou se tem ou não se tem mas não se consegue nem imitar nem falsear. E nesse ponto os Pristine continuam a brilhar como desde o primeiro dia em que os ouvimos. Este álbum, é um excelente regresso.

Fernando Ferreira

15 - DeVicious – “Reflections”

Velvet Insane

Sim, mais um grande disco dos DeVicious. Mais riffs de rock pesado, mais melodias, uma grande vibe em cada música e essas são muito interessantes num todo. Há por aqui uma excelente audição e até para os fans uma inevitável aquisição, pois o som poderoso deste “Reflections” marca o regresso da banda alemã, que começa na minha humilde opinião a ser um peso pesado na cena AOR.

Fernando Ferreira

14 - Stray Cats – “40”

Surfdog Records

O regresso dos Stray Cats após vinte e seis anos (26!) é sempre um motivo de celebração. Pessoalmente, sempre foi sinónimo de rockabilly o nome da banda norte-americana e ter a oportunidade de ouvir e opiniar sobre o seu regresso aos álbuns após quase trinta anos sem nada editado é mesmo algo especial. No entanto nem a ausência nem o estatuto lendário da banda me levava a antecipar nada mais do que o bom e velho rockabilly. “40” representa o aniversário da banda e para comemorar, nada melhor que nos trazer as rockadas cruas que associamos normalmente à década de cinquenta e sessenta “Rock It Off” e “That’s Messed Up” mostram que eles ainda sabem do ofício. É como andar de bicicleta…

Fernando Ferreira

13 - Forever – “Forever”

Evil Confrontation Records

Trata-se de um projecto, mais um, neste caso levado a cabo pelo baterista dos Enforcer, Jonas Wikstrand, que também já passou pelos Black Strip. A sonoridade AOR presente neste “Forever”, é bem trabalhada ao longo das 10 faixas que o compõem, cheias de guitarras de rock clássico, grandes refrões e elementos orquestrais e electrónicos. É o primeiro passo a solo do baterista e vamos ver se as coisas ficam por aqui, eu, honestamente espero que novos discos com esta qualidade venham a ser lançados.

Miguel Correia

12 - Tony Mills – “Beyond The Law“

Battlegod Productions

O seu último álbum solos fica marcado por supostamente ser mesmo o último que Tony Mills vai fazer!  Para quem não sabe, Tony ficou conhecido pelo trabalho em TNT, Shy e Siam e depois do recente diagnóstico de cancro, as coisas na vida de Tony, infelizmente, ficaram num rumo diferente… Se for mesmo o último disco fica um legado brilhante e “Breaking The Law” é uma marca de grande qualidade num estilo AOR e Hard Rock melódico com uma produção brilhante e custa-me imenso estar a escrever isto… mas obrigado por tudo Tony Mills!

Miguel Correia

11 - Meridian – “Margin Of Error”

Mighty Music

Já perceberam que muitas das bandas que aqui me chegam não são do meu total conhecimento. Quando a coisa agrada tento saber mais alguma coisa sobre o respectivo percurso, quando é algo mais, ok, porreiro, a coisa fica pelas simples palavras que se sucedem após a respetiva audição. Digo isto porque os Meridian são daqueles nomes que eu desconhecia e ao ouvir o seu terceiro disco fui obrigado a tentar perceber um pouco mais sobre eles e ai percebi que o lançamento de 2016 intitulado “Breaking The Surface” foi um disco muito recomendado pela critica da especialidade. “Margin Of Error” tornou-se num disco referência para a banda, uma vez que é o primeiro gravado com a equipa mais estável desde 2016 e onde todos os seus elementos participaram de forma ativa na sua composição. Há outra particularidade interessante, os dois guitarristas dos Meridian, Martin e Marco, foram eles corpo de “Resilient Heart” de David Reece, sim sabendo do grau de exigência de Reece, então eles são top, mesmo! E agora, musicalmente falando, este disco é um portento de rock melódico, com alguns temas que podem muito bem vir a ser hinos da cena, mas globalmente, as águas são variadas em todas as 11 faixas. Melodia, vozes bem trabalhadas e refrões, lá está, que logo na primeira audição nos agarram e até nos fazem cantarolar os mesmos! Muito recomendado!

Miguel Correia

10 - Grande Royale – “Take It Easy”

The Sign Records

Boa onda! Melhor, excelente onda! Grande Royale é uma daquelas bandas que até pode ser acusada de tocar som retro – realmente o rock que toca não é deste tempo – mas a verdade é que não conseguimos encaixar a sua música em qualquer época que seja. Temos aquele feeling descomprometido do rock da década de setenta, temos alguns elementos da década de oitenta e até da de noventa – em certos momentos até nos soa a Xutos & Pontapés. Groove, boa (excelente!) onda, canções (verdadeiras) que nos embalam e metem a mexer num instante. Sem dúvida um dos álbuns rock do ano!

Fernando Ferreira

9 - Trishula – “Scared To Breathe”

AOR Heaven

A banda britânica Trishula é uma criação do guitarrista britânico Neil Fraser, (Ten, Rage Of Angels, Tony Mills) e com uma curiosidade, dela faz parte um músico português na bateria, João Colaço. O primeiro álbum da banda, “Scared To Breathe”, foi inicialmente gravado no estúdio caseiro de Neil (Farmyard Studios), e estamos perante um disco de sonoridade AOR, interessante e que facilmente se pode destacar dentro dos restantes lançamentos do género até ao momento. É um disco repleto de bons riffs e com vocalizações impressionantes, a cargo de Jason Morgan. Este disco tem de tudo no que a linhas musicais diz respeito dentro do hard rock melódico. Pessoalmente gostei e como disse e repito, trata-se de um disco que se o ouvirem irão colocar outros de parte para se agarrar a ele!

Miguel Correia

8 - Prins Svart – “Inte Här För Att Stanna”

Musica Ex Machina

Lançamento deste novo projecto de super estrelas suecas. Membros que fizeram parte de bandas do mundo de Hard Rock e AOR. Trata-se de um album cantado em sueco de muito boa qualidade com influencias Zeppelin, Floyd e Deep Purple. Bem executado em todas as áreas, afinal de contas são todos excepcionais nas suas armas. Groove, melodia e blues não falta e solos…e que solos. Muitas são as bandas europeias que gravam trabalhos na sua língua natal mas apresentam versão em inglês. Prins Svart deveriam fazer o mesmo. Talvez até o façam mas se não… deviam. De qualquer modo não deixa de ser um áalbum excelente e a barreira linguista não impede de os ouvir repetidamente.

Fernando Monteiro

7 - The Devil and The Almighty Blues – “TRE”

Blues For The Red Sun

Se o nome da banda não deu ainda a entender, fica já esclarecido, esta é uma banda de blues, blues-rock mais especificamente. Este é um género que quase pode ser considerado primo em terceiro grau dos estilos “metaleiros”, na medida em que não carrega o seu estrondo sonoro mas lida de uma maneira ou de outra da mesma forma maligna com os temas que aborda. The Devil and The Almighty Blues são uma banda que provém das terras do black metal (sei perfeitamente que este será um aspeto positivo para alguns) e TRE é já o seu terceiro álbum, óbvio para quem fala norueguês. Há uma velha narrativa que propõe que uma das formas de tocar os blues com qualidade é necessário vender a alma ao Diabo num cruzamento no meio de nenhures. Esta banda fez este negócio? Provavelmente não, mas que sabem tocar, sabem. Neste álbum o que encontram é a experiência crua dos blues “arrocalhados”, tudo com um tom subjacente miserável ou de maldade passiva (explicitando: numa faixa o vocalista pede para que se salguem as terras e noutra pede que deixe-se de existir tudo). Mantendo-se a mesma lógica, os ritmos vagarosos e médios (mas sempre ativos) são predominantes ao longo de todo o álbum, o uso de duas guitarras também permite o uso de sonoridades compostas que elevam todo este sentimento cinzento e, apesar de tudo isto, é o vocal que leva a coroa (sem querer desvalorizar nenhum dos outros músicos claro), pelo facto de, apesar de não ser o fio condutor da composição, apresenta-se como o menino de ouro que é ajudado por todos os outros instrumentos e que acaba por sair como o “perfeitinho” do grupo e que de facto põe os blues nos blues-rock. Permanecendo nesta linha de pensamento, também é de dar ênfase ao facto de que por vezes o blues-rock passam a rock-blues (se me for permitida a metáfora), chegando ao ponto de transmitir uma certa nostalgia de Motorhead. “TRE” é aquele álbum que vos põe a desejar estar no meio do Texas, num bar no meio do nada, a fumar e a beber um copo de whisky enquanto olham para o Sol a pôr se no horizonte (mesmo que não gostem de álcool e/ou não sejam fumadores).

Matias Melim

6 - Hellcats – “The Hex And The Healer”

Edição de Autor

Esta capa representa uma tentado aos olhos embora nos traga uma certa nostalgia em que as mesmas eram mais comuns. Deverá ter um conceito qualquer que desconhecemos mas ainda assim, o melhor é olharmos para a música, que é mesmo fantástica! Os Hellcats são um duo sula-africano que tem o rock a correr-lhe nas veias. Aqui em oito temas, despacham a coisa em menos de vinte e cinco minutos – não sei se é um álbum ou um EP mas seja como for é fantástico! Sem dúvida um dos grandes vícios para 2019!

Fernando Ferreira

5 - Mass – “Still Chained”

Pride & Joy Music

O clássico rock e hard rock dos veteranos Mass está de volta. “Still Chained” é um portento de energia rockeira, temperado com excelentes melodias e com bons arranjos de teclados. Ok, para quem não os conheça, vamos lá, pensem em Uriah Heep, mas com aquele toque sonoro de uns Priest e dos Krokus nos seus primórdios! O resultado é muito, muito bom e parece que nunca está desactualizado, porque na realidade o rock nunca irá soar assim. Os fãs dos Mass, podem assim prestar vénias a este regresso!

Fernando Ferreira

4 - Backyard Babies – “Sliver & Gold”

Century Media Records

Lembro-me de quando os Backyard Babies apareceram. Estava imerso na música extrema, pelo que me passaram ao lado, mas não completamente. Lembro-me de ouvir músicas soltas e as minhas raízes rock’n’roll e até punk diziam “epá, isto até é fixe”. E é mesmo. (Quase) Trinta anos depois, aqui temos este “Silver & Gold” que nos diz claramente que o rock’n’roll nunca morre. Grandes melodias, grandes refrães, este álbum é um exemplo de como este tipo de som é bastante dinâmico, conseguindo transmitir diversas sensações e estados de espírito. É um potencial vício que está aqui quase disfarçado.

Fernando Ferreira

3 - Deserto – “Manual Do Deserto”

Edição de Autor

O segundo álbum de originais dos Deserto é uma das coisinhas mais viciantes que temos tido aqui no nosso escritório. Cantado em português (só por isso merece louvores) e com uma capacidade para rockar como gente grande, este conjunto de temas eleva a fasquia tanto para eles como para a própria concorrência. Visceral, com uma sonoridade bem forte mas cheio de dinâmicas que o tornam viciante, este é um dos grandes trabalhos do rock nacional. Fantástico!

Fernando Ferreira

2 - The Picturebooks – “The Hands Of Time”

Century Media Records

Os The Picturebooks estão de volta! O seu anterior álbum foi uma boa revelação para nós e para quem acha que o nicho dos duos é um beco sem saída, nada como apresentar aqui mais um álbum cheio de coisas fantásticas como “Like My World Explodes”, que tem um bom feeling americano, do oeste, sem ser propriamente stoner ou country, sem ser blues ou rock especificamente mas a encaixar-se em todo o lado. Na verdade onde encaixa mesmo bem é na categoria da boa música. Rockão viciante e bem simples. Se este tipo de coisa é um beco sem saída, ninguém avisou os The Picturebooks. E ao ouvi-los, também não se nota mesmo nada.


Fernando Ferreira

1 - Danko Jones – “A Rock Supreme”

AFM Records

“Im In A Band, and I love it”, yeah! Que grande começo para este “A Rock Supreme” dos Danko Jones, que transpira rock’n’roll por todos os lados. Adorei esta audição, até porque a mesma estava algo desenquadrada de tudo o resto que tinha para ouvir, logo, o destaque até foi fácil e agarrou-me com muita facilidade. A vontade expressa de fazer o que se gosta, assalta os nossos sentidos logo na primeira faixa e arrasta-nos perante todo o restante disco, sem qualquer preconceito musical eles debitam malhas rockeiras com uma intensidade única e vigorosa! Welcome Danko and the boys!

Miguel Correia

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.