WOM Report – Vagos Metal Fest @ Quinta do Ega, Vagos – 09.08.26 – Dia 5
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Este derradeiro dia de Vagos Metal Fest começaria com os Kill City. Muito calor, e o facto de ser o quinto dia de festival fez com que a banda do Equador que se estreava a tocar em solo europeu, não tivesse muita gente de início, mas a audiência foi melhorando ao longo do concerto. Com o seu Heavy Metal tradicional, a banda deu um bom concerto e começou da melhor forma o dia. Entre temas como “Fear No One”, “See Them Burn” ou a dramática “Dr. Kheel” a banda deu a mostrar a sua qualidade e conseguiu conquistar o público presente.

Este início de dia, ganharia ainda mais peso com os noruegueses Diavola. Com apenas dois anos de existência, a banda já lançou um EP e um álbum de estreia, “Without Judgement” que apresentava agora em Vagos. Unindo Groove Metal e Metalcore, os Diavola entraram com muita energia e ao longo de temas como “Hecatomb”, a drinking song “Black Tooth Grin” cheia de groove, ou “Gift of Hate” animaram o público, que claramente aqueceu para a banda. Houve ainda oportunidade para tocar uma música que ainda não foi lançada, “Meat Hook”.

Da Finlândia chegariam os Unredeemer. Death Metal carregado de Groove fazem parte do som da banda, e isso foi logo bem visível com o riff de “Defiance”. No centro da banda, o vocalista Saša Pul com as mãos pintadas de vermelho e uns óculos amarelos, tomava o púlpito montado no palco como um verdadeiro pregador. Boa prestação, repleta de riffs a puxar o headbang como “Malware messiah” ou “Underdog”. Esta também foi a altura de tocar pela primeira vez ao vivo o tema “Grob”.

Continuando a intensidade sonora, a seguir teríamos o Melodic Death/Groove dos The Fall of Creation. Com o público a começar a aparecer em maior número, a banda foi apresentando “Enlightenment” o mais recente trabalho de originais. Entre temas como “Path of the Brave”, “Martyrdom” e “Original Sin” e o tema título, não houve momento para abrandar.

Com os alemães Dark Sky voltamos a sonoridades mais “tradicionais” de Heavy Metal/Hard Rock. Apesar de um problema com o microfone no primeiro tema, “Fools”, a banda rapidamente mostrou uma energia bastante positiva em palco. O som dos Dark Sky vem com um sentimento á anos 80, e o público rapidamente se entusiasmou com os germânicos que tocavam pela primeira vez em Portugal. Temas como “Empty Faces”, “Forgiveness” e “Heroes on Ice”, trouxeram um lado melódico e animado à tarde, com o vocalista Frank Breuninger a mostrar muita energia em palco, aproveitando para lançar algumas t-shirts para o público.

Com os Employed to Serve vinha mais um grande momento de intensidade. A banda britânica de metalcore vinha a Vagos para lançar o caos entre o público e não demorou muito a consegui-lo. “Atonement” tema de “Fallen Star” o novo álbum que andam a apresentar em tour, abriu o concerto, com uma junção entre agressividade brutal e melodia. “Treachery” e “Now Thy Kingdom Come” foram também destaques deste último trabalho. A banda aproveitou também para tocar os dois novos singles lançados este ano, “Dead Reckoning” e “A Moment Gone Too Soon”, duas verdadeiras descargas de violência. Em palco seguiam a toda a cilindrada, liderados pela vocalista Justine Jones que foi sempre muito simpática na comunicação ao longo do concerto. A voz suave com que falava com o público tinha total contraste com o momento em que a música começava, e se transformava num gutural monstruoso. Justine queria que os Employed to Serve fossem o cardio em Vagos e conseguiu, não faltou circle pit nem crowdsurf.

Uma das primeiras confirmações para o cartaz deste ano, os Combichrist eram sem dúvida uma proposta fora da caixa, mas que deixava bastante interesse. A apresentar “The Venom in the Mouth of God” lançado pouco tempo antes, foi com “Rise” e “Feraline”, dois temas novos, que arrancaram. Foi rápido perceber que o industrial abrasivo do colectivo americano daria um concerto interessante. Entre músicas mais “ambientais” como “Throat Full of Glass” e “Demons Wanna Be Summoned”, até temas como “Compliance” ou “Get Your Body Beat” que colocaram muita gente a dançar, o Industrial e Aggrotech dominou Vagos. Andy LaPlegua revelou-se não só muito amistoso e foi um grande frontman não parando em palco e dando uma grande energia ao concerto. Antes do fim foi tempo para pedir braços erguidos com dedos do meio esticados para “Fuck That Shit”. “Only Here For A Good Time” levaria até ao fim de um concerto diferente em Vagos, e seguramente um bom bocado.

Já contando com uma passagem por Vagos em 2015, nessa altura tocando durante a tarde, os Heaven Shall Burn regressaram agora num horário mais alargado. Praticando Death Metal Melódico, com elementos de Metalcore, o grupo Alemão mostrou logo de início que não vinha para brincadeiras ao abrir com a brutalidade de “War Is the Father of All”. Uma daquelas aberturas que acorda bem um público. A banda consegue equilibrar muito bem o lado do Death Metal bem violento, com as linhas mais melódicas de guitarra, bem visível em temas como “Voice of the Voiceless” e“Godiva”. Pela altura em que o vocalista Marcus Bischoff perguntou ao público se estava ali com eles, já era bem visível que sim, e que não ia faltar apoio aos Heaven Shall Burn com aplausos, muito circle pit e crowdsurf. Prestação muito boa da banda em palco, dando agressividade e vida aos temas, e deixando o lado melódico ao mesmo tempo perceptível. Ao apresentar “Heimat” saído o ano passado além do tema de abertura destacou-se o peso de “My Revocation of Compliance” e “Confounder”, e o lado mais melódico de “A Whisper from Above”. Já na fase final a banda fez questão de marcar a posição que fascismo não tem lugar no meio do metal, hardcore e punk com “Übermacht”. “Corium” encerraria um excelente concerto dos Heaven Shall Burn, que claramente deixou uma boa impressão nos presentes em Vagos.

Chegava a hora do último cabeça de cartaz da edição deste ano do Vagos Metal Fest. Uma das bandas de Gotemburgo que liderou caminho no Death Metal Melódico, os In Flames passaram por muitas transformações de estilo e formação. Da banda que gravou os clássicos dos anos 90 restam o guitarrista Björn Gelotte e o vocalista Anders Fridén, contando agora com Chris Broderick (ex-Megadeth) na guitarra, e Liam Wilson (Dillinger Escape Plan) no baixo. O Death Metal Melódico acabaria por dar lugar a Metalcore ou Metal Alternativo. Em Vagos passariam por todas estas etapas da longa carreira, com foco na fase mais moderna da banda, e em particular no mais recente “Foregone”, que não sendo um “regresso às origens” traz mais de volta o lado Death Metal dos In Flames. Muita gente, e muita expectativa quando os vários leds montados em palco se acenderam para uma grande entrada com o clássico “Colony”, seguindo-se “Deliver Us” e “In The Dark” que trouxeram a banda de volta a tempos recentes. Como diria Anders mais tarde, era impressionante a atitude do público ao fim de 5 dias de festival, mas o facto é que esteve sempre muito animado, mantendo o circle pit a andar, e o crowdsurf a fluir.

Repleta de músicos de qualidade, a banda manteve sempre um nível muito alto. Anders Fridén usava frequentemente as pausas entre músicas para falar com o público de forma bem humorada, fazendo questão de lembrar que há 15 anos que a banda não tocava em Portugal, e deixando a promessa que não ia demorar mais 15 anos até ao próximo regresso. O concerto ia fluindo, com o único momento de introspecção a ser “The Chosen Pessimist” em que Anders esteve boa parte do tempo sentado na plataforma em frente ao palco, numa posição de vulnerabilidade. A melhor sequência viria a ser formada com “Artifacts of the Black Rain” do seminal “The Jester Race”, “Trigger” e com culminar na muito aguardada “Only for the Weak” cantada em coro, e com muita gente a saltar. Do trabalho mais recente destaque para “Meet Your Maker”, “Foregone, Pt 2”, e para a brutal “State of Slow Decay”. O final chegaria pela melodia de “I Am Above”, e “Take This Life”. Os In Flames trouxeram com eles uma produção elaborada em termos de luzes, juntamente com a boa qualidade de som, e a ligação entre banda e público deu num concerto verdadeiramente memorável, capaz de acordar mesmo quem já ia no seu quinto dia de festival.

Tem vindo a ser tradição terminar o festival com uma banda de teor mais cómico e que encerre tudo em festa, como já foi o caso de Quinteto Explosivo, Serrabulho ou o ano passado os Gutalax. Este ano esse espaço já tinha sido ocupado pelos Massacration no dia anterior, e portanto, Vagos acabaria com aquela que foi provavelmente a banda mais violenta de todo o festival, Cryptopsy. A banda do Canadá está a celebrar os 30 anos de “None so Vile”, e não deixou créditos por mãos alheias, e entre introduções cinematográficas foi-se dedicando-se a uma brutal descarga de Technical Death Metal. Ao fim de 5 dias de festival, ao contrário do que poderia ser de esperar, o público não entrou em debandada depois de In Flames, nem abrandou o passo. Ainda ficou um número considerável de bravos festivaleiros/as, que se lançaram ao circle pit e crowdsuf com vontade e energia, desfrutando até à última. O dia seguinte seria de regresso à normalidade, mas antes disso ainda existia uma última oportunidade de celebração, como lembrou o vocalista Matt McGachy antes de arrancar com “Phobophile”. Os Cryptopsy deram uma grande ajuda em tornar esta “última dança” algo para celebrar de forma intensa.

Texto por Filipe Ferreira
Fotos por Filipa Nunes
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