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WOM Report – Vagos Metal Fest @ Quinta do Ega, Vagos – 06.08.26 – Dia 2

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O segundo dia do Vagos Metal Fest começaria com o Power/Heavy Metal dos The Heathen Scÿthe. Com este a ser o primeiro concerto na Europa, o colectivo brasileiro chamou logo a atenção com o lado cénico. O microfone ao centro adornado com um crânio, as “muralhas” decrépidas em palco, e o vocalista Da’at vestido a rigor, como se estivessemos perante um mago a praticar um ritual maldito num templo perdido. Heavy Metal com força, velocidade e personalidade foi o que demonstraram logo em temas como “Into the Fire” e “The Magus”. Sendo o primeiro concerto do dia, acabaram por ter menos público que mereciam, mas os presentes não ficaram indiferentes e deram uma boa reacção na interação com a banda. Uma das boas surpresas do festival, e, uma banda a ter em atenção.

Seguia-se o metal alternativo dos cipriotas Guiltera, uma banda bastante jovem com dois anos de existência. A atuação parece ter demorado um bocado a aquecer, bem como o público, mas gradualmente foi atingido o seu ritmo. Quando chegou a temas como “Undone” o público ia apoiando e fazendo headbang ao som da banda, puxados pela vocalista Vikki. Sonoridades “modernas”, peso e um foco na melodia marcam o estilo dos Guiltera, com a voz feminina a dominar, por vezes, em contraponto com as vocalizações agressivas do guitarrista Alex. Em destaque um dos temas mais recentes “Human”, um dos melhores momentos, com o público a levantar os braços em apoio.

Com mais público a chegar junto ao palco, foi a vez dos Equatoriano-Finlandeses Black Sun entrarem em cena. Trouxeram Heavy Metal Melódico com garra e peso, onde se destaca a voz rouca de Netta Laurenne. Se os primeiros temas já tinham tido sucesso, o impacto da banda foi ainda maior com um dos destaques da atuação “With Them Devils” e o seu riff cheio de rock’n’roll. O foco da atuação esteve no álbum mais recente, auto-intitulado, onde vale a pena salientar também “Slay the Queen” e “The Mercenary”. Os Black Sun mostraram uma boa prestação em palco, liderados pela presença de Netta, cuja voz poderia no entanto estar um pouco mais alta na mistura. Mais uma boa surpresa deste segundo dia.

Com os eslovacos Stercore chegou o primeiro momento do dia para começar o circle pit, e nem o público, nem a banda desiludiram. Deathcore de grande agressividade, com elementos eletrónicos e toques de melodia colocou Vagos a levantar pó. O som potente dava para sentir toda a barreira de som dos Stercore, apesar dos tons baixos estarem excessivamente fortes o que distorcia o som quando demasiado perto do palco (não foi caso único). Com a violência de temas como “Resigned” e “No God” aos momentos mais límpidos de “R.I.P”, não faltaram argumentos para o crowdsurf, e para uma wall of death, sempre incentivados pelo energético vocalista Matúš. Para o fim ficaria um novo tema “Void”, e “Brother” a encerrar.

E para algo completamente diferente, depois da descarga dos Stercore, Jana Bastien foi uma completa mudança de ambiente. A cantora da República Checa, enquadra-se no universo Pop-Punk, no entanto a tónica está no lado pop, e um tom mais leve e jovial. Temas como “Lalala”, “I’m your doctor” (que passa por ritmos latinos e hip hop) ou “No A Čo” são bons exemplos disso, apesar de ao vivo apresentarem mais peso do que na versão de estúdio. O momento mais calmo chegaria pela balada “What is Love”. Jana mostrou-se à vontade em palco e com vontade de conectar com o público que acompanhou o concerto. Apesar deste ser um festival de metal, têm existido sempre alguns artistas de sonoridades diferentes a atuar em Vagos, várias vezes com resultados interessantes. Vagos soube receber este momento diferente, mas não deixou de ao mesmo tempo parecer algo desconexo.

Veteranos em atuações em Vagos, com os Toxikull sabíamos que iríamos ter uma verdadeira injeção de Heavy Metal. A contar com bastante apoio de uma audiência já bem preenchida, foi com um anúncio em palco de que este voo iria passar por uma área de turbulência que a banda abriu com “Turbulence”, o tema título do novo álbum que estão agora a apresentar. Temas como “Hard to Break” ou “Midnight Fire” mostraram bem a força do novo material, enquanto não faltaram presenças habituais como o hino “Metal Defender” ou “Cursed and Punished”, que trouxe o maior circle pit do concerto. “Under the Southern Light” foi o momento mais “calmo” e épico. O vocalista Lex Thunder não deixou de puxar pelo público, que retribuiu com um grande ambiente. Mais um excelente concerto dos Toxikull em Vagos.

Foi uma viagem atribulada para os Katatonia até ao palco do Vagos Metal Fest. Depois de problemas no voo terem feito com que chegassem a Portugal sem o equipamento, foi possível arranjar uma solução e garantir a presença dos suecos. A apresentar o novo “Nightmares as Extensions of the Waking State”, foi com “Thrice” que abriram, e de onde saíram também a bela “The Liquid Eye” e “Wind of no Change”. A melancolia como forma de beleza, unida ao peso e um ambiente negro, é uma arte que os Katatonia há muto tempo que dominam. Com um catálogo vasto, pelo palco em Vagos passaram temas dos últimos 20 anos da banda, onde “July”, “Austerity” e “Old Heart Falls” foram alguns dos destaques. Um concerto forte da banda, onde a voz melodiosa de Jonas Renkse é uma peça central. Renkse que esteve muito comunicativo e cordial ao longo da tarde. Para o fim ficaria uma obrigatória, e demolidora “Forsaker”, que terminou o concerto com um dos melhores momentos.

De seguida, Vagos preparava-se para receber a rainha do heavy metal Doro Pesch. Nesta ocasião especial, Doro trazia um set a consistir de clássicos dos anos 80 do tempo dos Warlock. Muita gente logo no início do concerto foi recebendo a banda com aplausos até a erupção quando Doro chegou ao palco e deu início às hostilidades com “Earthshaker Rock”. Começaria uma sessão de Heavy Metal tradicional, muito bem tocado pela banda que acompanha a vocalista alemã, e que deu vida a grandes hinos ao metal como “I Rule The Ruins”, “Burning the Witches”, “Metal Racer” e “East Meets West”. Doro apresentou uma enorme vitalidade, e energia em palco, bem como uma performance vocal muito boa. Com a sua presença icónica foi muito comunicativa. O público esteve rendido desde o primeiro momento, braços no ar, e a cantar em coro, num concerto onde não podia faltar o grande clássico “All We Are”. Um privilégio poder fazer esta viagem no tempo, naquele que seria um dos melhores concertos do festival.

O lugar de cabeças de cartaz da segunda noite de Vagos estava reservado para o Black Metal dos noruegueses Satyricon. A banda de Satyr e Frost, lançou um ambiente mais pesado e negro em palco enquanto abriram com “Midnight Serpent” do mais recente “Deep Calleth Upon Deep” (tendo em conta que “Satyricon & Munch” foi feito para uma exposição). Vindos na onda de bandas de Black Metal dos anos 90 saídas da Noruega, há muito que a sonoridade dos Satyricon passou a incorporar elementos de heavy metal tradicional, ou rock and roll, sendo uma banda sem medo de arriscar. Em Vagos o alinhamento foi passando maioritariamente por esta fase pós “Volcano”. “Black Crow on a Tombstone”, trouxe muito headbang entre o público, e um coro de vozes a cantar o refrão, tal como aconteceu em “Now, Diabolical” e “The Pentagram Burns”. Muito boa qualidade de som, e boa prestação de uma banda que se movimenta muito, com Frost a ser um verdadeiro martelo pneumático ao longo da noite. No centro Satyr permanecia como uma figura imponente em palco, tendo maioritariamente papel de vocalista.

Um dos momentos em que pegou na guitarra foi precisamente num dos poucos regressos ao passado mais longínquo da banda com “Walk the Path of Sorrow”, do primeiro álbum. Entre os momentos mais intensos estariam “Repined Bastard Nation”, e “Fuel for Hatred”. Nesta última Satyr pediu que aumentasse o tamanho do circle pit. Vagos acedeu e num dos melhores momentos da noite, não só o circle pit aumentou muito, como os seguranças à frente do palco tiveram muito mais trabalho. Absolutamente obrigatório num concerto de Satyricon é “Mother North”, um momento grandioso e carregado de intensidade, que o público muito aguardava. O tom mais rock de “K.I.N.G” encerrou mais um concerto memorável dos Satyricon em Vagos depois da passagem em 2019.

No fim deste segundo dia de festival ainda existia muita energia para libertar, quando providenciado o estímulo ideal. Foi precisamente isso que trouxeram os The Troops of Doom, com a sua mistura de Death e Thrash Metal carregada de agressividade. Malhas como “Chapels of the Unholy”, “Far From Your God” ou “Denied Divinity” rapidamente colocaram o público a mexer, naquele que foi o concerto que lançou mais caos geral entre a audiência no dia todo com muito circle pit e crowdsurf. Grande intensidade por parte da banda, com o vocalista e baixista Alex Kafer incansável a puxar pelo público.

Texto por Filipe Ferreira
Fotos por Filipa Nunes
Agradecimentos Illegal Productions


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