WOM Report – Vagos Metal Fest @ Quinta do Ega, Vagos – 08.08.26 – Dia 4
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O quarto dia de Vagos Metal Fest teria início com os japoneses Illusion Force, que faziam aqui a sua estreia na Europa. A tocar Power Metal com refrões grandiosos, melodia e muita velocidade, é quase imediato pensar nuns Dragonforce ao ouvir o colectivo Japonês. Desde o ano passado que a banda passou a ser encabeçada pelo vocalista brasileiro Guilherme Hirose, que começou por falar em inglês e em tom de brincadeira surpreendeu o público ao trocar para português. Com boa presença em palco, muito comunicativo e muito bom na prestação vocal, liderou a banda num bom aquecimento para o dia, e uma óptima apresentação da banda.

Seguiam-se os cipriotas LeaveTheWave, que formaram uma proposta diferente. A tocar Metal Alternativo, onde eram bem visíveis as influências do Grunge, a banda apresentou temas do álbum de estreia “Disturbance” lançado em 2024. Desde “Control Your Brain” que o sentimento a anos 90 ficou no ar, e continuou por temas como “Lose Control” ou “Insane”. Sem ser muito exuberante, a banda mostrou intensidade e peso em palco, e obteve boa resposta do público de Vagos.

Uma nova mudança de estilo com a banda que se seguia. Oriundos de França, os Lone Survivors tocam Metal Progressivo, com elementos de Metalcore. Ao início tiveram alguns problemas com o microfone do vocalista Arthur Rohou, mas foi rapidamente corrigido. Uma banda com muita energia, que combina muito bem agressividade e melodia, foram tocando temas do álbum de estreia “Ground Zero” como “The Circle of Thoughts” ou “Lost in My Mind” que contou com a presença da vocalista Maud. O melhor momento do concerto chegaria no entanto no fim, com o novo single, “Maloya En Moin”. O tema funde o som da banda com Maloya, um estilo musical da ilha de Reunião, de onde o baixista Olivier Crescence é originário. A união dos dois estilos cria uma dinâmica única, e é um caminho interessante para o futuro da banda.

Começando também com alguns problemas técnicos que ficaram resolvidos na primeira música, e pelos quais a banda navegou com bom humor, os Rivet Skull, vieram dos EUA. Com sonoridade entre o Hard Rock e o Heavy Metal tradicional, apresentaram temas do álbum mais recente como “Eyes of a Fallen Angel” ou “The King is Dead”, um dos destaques do concerto, bem como o novo single “The Hammer Falls”. O vocalista Chad McMurray esteve sempre com uma postura relaxada e comunicativa em palco, passando também por vezes para o teclado. Um bom concerto a trazer sonoridades mais “tradicionais” a um dia bastante variado.

Tempo de animação no circle pit com a chegada dos texanos The Crowned. Situando-se no universo do metalcore mas com influências alternativas e hard rock, a banda voltou a pôr a plateia a mexer. Chamava à atenção a disposição diferente com bateria à frente no palco já que o vocalista Marc Coronado toma também funções na bateria. Por entre temas como “I Don’t Care”, “Set You Free” e a violenta “Kill” a banda foi mostrando uma junção entre melodia e agressividade. A destacar também o novo single da banda “Fallen One”. Coronado, que no fim cedeu a sua posição na bateria para se movimentar em palco apenas com microfone, puxou muito pelo público ao longo do concerto, que rapidamente mostrou apoio à banda.

Liderados pelo Monsenhor Belathauzer seguia-se uma verdadeira instituição blasfema do metal nacional, os Filii Nigrantium Infernalium. Com bastante público e muito apoio, o Black/Thrash da banda rapidamente colocou Vagos a mexer com “Rancor” ou “Pérfida Contracção do Aço”. Um concerto que teve boa qualidade de som, e com os Filii Nigrantium Infernalium a todo o vapor, não faltou circle pit e o crowdsurf. Grande prestação em palco, onde os temas foram soando com pujança. Belathauzer é sempre uma figura icónica como frontman, desde os comentários à parte com o humor que caracteriza a banda, até á interação com o público. Acabaria por ajoelhar em palco perante a “Prece”, o momento de sacrilégio que antecede “Pô”. Destaque também para temas de “Fellatrix” como “Calypso”, “Não Há Futuro” ou “A Forca”.

Nos anos 60, pré “nascimento” do Heavy Metal, os Coven foram pioneiros do Occult Rock, e da adopção de vários símbolos que fariam parte do visual e imaginário do Heavy Metal. Era muita a curiosidade de como iria ser o concerto, até porque atualmente da era dourada da banda apenas se mantém a vocalista Jinx Dawson. Como seria referido por Jinx, Coven não dá concertos, faz rituais. Foi portanto com “Satanic Mass” que começaria este ritual com Jinx a sair de dentro do caixão colocado no centro do palco. Esta introdução teatral acabaria por ser um pouco longa demais, mas no momento que chegaram a “Black Sabbath” tema que abre o (na altura) infame “Witchcraft Destroys Minds & Reaps Souls”, tudo pareceu ganhar “balanço”. Ficariam como melhores momentos também “For Unlawful Carnal Knowledge”, “Wicked Woman” e o final com “Blood On the Snow”. A voz de Jinx está obviamente diferente de há 50 anos, mas continua a funcionar bem, e a vocalista teve uma boa prestação, bem humorada. A banda que a acompanha deu um tom mais moderno e “pesado” a estes temas, que foram um momento diferente em Vagos, e que se mostraram ainda com vida.

Sempre que existe no cartaz do Vagos uma banda de Folk Metal é seguro que vai haver festa. Este ano com uma das bandas de destaque do estilo, os finlandeses Korpiklaani, era diversão garantida. Logo na fase inicial do concerto com “Pilli On Pajusta Tehty”, “A Man with a Plan” e “Happy Little Boozer”, tornou a Quinta do Ega numa enorme taverna de ambiente alegre, onde o público ia dançando e pulando. A banda como sempre mostrava-se muito animada, e foi passando por temas da já longa carreira a cantar sobre a natureza e bebida. Com um braço magoado, o vocalista Jonne Järvelä não deixou de se movimentar bastante e de interagir com o público. Numa das fases mais divertidas do concerto houve “Ievan Polkka” (a adaptação de uma música tradicional) e a cover de “Gotta Go Home” dos Boney M., muito cantada pelo público. Ainda antes do fim teríamos “Viima” e a passagem pelo trabalho mais recente com “Saunaan”. Para terminar em grande, não faltou a muito esperada “Vodka”. Mais um grande momento de festa em Vagos, e mais um excelente concerto.

Foi ao som de “For Those About to Rock (We Salute You)” dos AC/DC que se fez a aproximação ao palco do muito público que iria ver os cabeças de cartaz Godsmack. A banda americana teve o auge da popularidade na era do Nu Metal, algures no fim dos anos 90 e inícios de 2000, mas tem-se mantido consistentemente activa, e foi com um tema forte da carreira recente “When Legends Rise”, que abriu o concerto. Outro ponto de curiosidade é a presença de Mike Mangini na bateria, um dos virtuosos do instrumento, que com uma carreira longa, esteve até há poucos anos nos Dream Theater. Ao longo do concerto os Godsmack foram viajando por quase toda a discografia, juntando eras, passando por temas como “Surrender”, “1000hp”, “Straight Out Of Line” ou “Awake”, um dos clássicos da banda que surgiu na fase inicial do concerto. Muito bom som, Mangini como esperado foi um monstro na bateria, e as guitarras a soarem pesadas e a darem densidade à música dos Godsmack.

O vocalista e guitarrista Sully Erna está em grande forma e mostrou-se um frontman capaz de fazer uma ligação com o público, que de resto esteve desde o início rendido à banda. A noite traria no entanto várias surpresas. A primeira chegaria no fim de mais um clássico, “Voodoo”. Entrando uma segunda bateria em palco, Sully começou por acompanhar a música com bongos, até a sequência levar a uma batalha de bateria entre Sully Erna e Mike Mangini. A batalha terminaria com um medley de clássicos do rock que incluíram AC/DC, Metallica, Rush e Led Zeppelin tocados a duas baterias. Um dos melhores momentos da noite, que foi um subir de nível no concerto. A banda seguiria com “Whatever” durante a qual Sully obteve uma bandeira de Portugal que ficaria no suporte do microfone, com o público em Vagos a cantar em coro “Esta merda é que é boa” na melodia do “Seven Nation Army” dos White Stripes. Num momento mais solene, Sully prestou homenagem a artistas que já partiram como Chester Bennington, Ozzy Osbourne ou Ronnie James Dio. Falou da Scars Foundation, uma fundação que fundou, dedicada a ajudar pessoas que sofrem de ansiedade, depressão e sentimentos suicidas, antes de tocar “Under Your Scars” num piano de cauda. A presença dos Godsmack em Vagos terminaria com “Bulletproof”, e um tema que não podia faltar, “I Stand Alone”. Um concerto surpreendente, e que certamente ficará na história do festival.

Para qualquer banda poderia ser difícil tocar a seguir de um concerto como o que encabeçou esta noite. Mas o que se seguiria não era uma banda qualquer, era (como a própria se auto-intitula) a maior banda do universo, os Massacration. Por essa razão não houve uma grande debandada antes último concerto da noite, com a banda brasileira a ter um recinto quase cheio. Era claro que algo grandioso iria acontecer, quando se começou a ouvir a sinistra introdução, como uma receita de bolos ditada por Belzebu. Isto levou até “Metal Is the Law”, um grande clássico, com Detonator e companhia a entrar em palco. Foi logo seguido por “Evil Papagali” que colocou Vagos a cantar “Lôro quer biscoito!”. Depois de um pequeno “sketch” a explorar a vida matrimonial de Detonator, chegou “The Bull”, porque “música de corno é sempre boa”. Entre os vários momentos especiais o “convidado especial” Max Caganera também marcou presença para tocar “Roots Mandioca Roots”. A banda está a celebrar 20 anos do lançamento da estreia “Gates Of Metal Fried Chicken Of Death”, mas aproveitou para tocar material do álbum mais recente, começando por “Metal Is My Life”, onde todas as luzes de palco se apagaram e a banda esteve iluminada pelos telemóveis e isqueiros na audiência. Um momento bonito. Do trabalho mais recente destaque ainda para “Metal Galera” e “Metal MILF”.

Era bem claro que existiam muitos fãs da banda entre o público que conheciam as músicas. Dos Massacration sabemos que vamos ter boa comédia, mas nada disso funcionaria se não existisse uma base com bom Heavy Metal tradicional, e foi isso que a banda brasileira entregou em Vagos. Para a despedida nada melhor que a incontornável “Metal Bucetation”. Uma noite terminada em grande.
Texto por Filipe Ferreira
Fotos por Filipa Nunes
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