Report

WOM Report – Vagos Metal Fest @ Quinta do Ega, Vagos – 07.08.26 – Dia 3

O terceiro dia de festival do Vagos Metal Fest começaria sob bastante calor com os australianos Adam’s Parade. O Pop-Punk da banda pode parecer algo “suave” no contexto do festival, mas logo na abertura com “I can see my house from here”, os Adam’s Parade mostraram uma faceta de peso e o vocalista e guitarrista Luke Koster a mostrar vocalizações mais agressivas. A própria banda chama-lhe “Light to Moderate Core”. Entre “3 Seasons” e o novo tema “Shade” que estará presente no EP que a banda está a preparar, foram mostrando uma postura casual e divertida com que claramente conquistaram os presentes. Um exemplo disso foi que ao partir uma corda da guitarra Luke Koster confessou não ter em palco mais nenhuma. Tocou a música seguinte com uma corda a menos, até ser feita uma viagem para lhe entregar outra guitarra com que acabou o concerto.

Com os Within Temptation como cabeças de cartaz deste dia, os Symfobia encaixavam na perfeição no cartaz, com o seu metal sinfónico com voz feminina. A vocalista Hana Zaujecová foi o elemento mais energético em palco puxando pelo público, que como é normal nas primeiras bandas, ia chegando aos poucos. Por temas como “Bury It”, e o novo single “Broke Your Pride”, a banda eslovaca foi envolvendo o público nos tons sinfónicos e refrões catchy num bom concerto. Já para o fim ficariam “Liar”, outro dos temas mais recentes da banda e “Dragon”.

Com a atuação seguinte continuaríamos no Sinfónico, mas com os tons negros do Black Metal Sinfónico dos gregos W.E.B. Trazendo os elementos dramáticos como corpse paint ou as caveiras no suporte de microfone do vocalista e guitarrista Sakis Prekas, foi uma mudança de intensidade. A velocidade e agressividade dos W.E.B. ia casando com os elementos grandiosos, no primeiro momento do dia a chamar ao headbang. Entre os destaques ficariam os temas que abriram o concerto “Dark Web” e “Murder of Crows”, e a potente “Morphine for Saints”.

Vindos do Canadá os Red Cain contam com um imaginário eslavo, sublinhado pelo slogan da banda “Vodka, Veles, Victory” que o vocalista Evgeniy Zayarny colocou o público a entoar. “The Great Hunt” do mais recente “Näe’bliss” deu o mote para o concerto, e para a sonoridade de metal progressivo combinado com groove. Ficou também bastante claro que a banda tem um gosto para o teatral não só pelo visual em palco, mas a forma como Zayarny se dirige ao público. Aliás o vocalista puxou bastante pelos presentes conseguindo colocar o público a cantar em “Hiraeth”. Para o final ficou “Sons of Veles”.

Fundados em Murcia há mais de 20 anos, tendo mudado várias vezes de nome, os Rainover vinham a Vagos continuar o tom sinfónico com o seu Metal Gótico. Com uma setlist focada no novo trabalho “Between Dream and Nightmare”, abriram com “Snake” e “I Can Fly”, tendo colocado o público a cantar em coro “From the silence”. O melhor momento seria talvez “Coma”, que trouxe o ambiente do metal gótico a Vagos.

Se a primeira parte do dia foi focada em sonoridades sinfónicas e melódicas, chegaríamos agora a uma mudança drástica de programação. Uma verdadeira instituição nacional no que toca a Brutal Death Metal / Grindcore, os Holocausto Canibal vinham para semear caos e destruição, na primeira grande oportunidade de circle pit do dia. Depois de em 2022 tocarem no fim da noite em substituição dos Sauron, desta vez a meio da tarde trouxeram um sinal de rotunda, e o público vigorosamente obedeceu com um circle pit e crowd surf que não parou. Em palco os Holocausto Canibal conseguiram injectar uma enorme energia com descargas de brutalidade sonora.

De forma sinistra a música de “O Tubarão” começou a tocar em palco preparando caminho para a entrada dos Suicidal Angels. “When the Lions Die” e “Crypts of Madness” abriram o concerto que prometia continuar o movimento na audiência. A banda grega trouxe Thrash Metal clássico ao palco do Vagos. Por entre passagens da discografia foi uma torrente de riffs e agressividade digna da t-shirt “Thrash like it’s 1986” da Mosher que o vocalista e guitarrista Nick Melissourgos estava a usar. Entre os destaques, “Bloodbath”, “Bloody Ground” com o público de braços no ar, e “Born of Hate” deram para muito headbang. Em palco, muito boa prestação da banda, boa qualidade de som, num concerto que mostrou o espírito do Thrash bem vivo. Na audiência, muito crowdsurf e circle pit, e um público que recebeu a banda de braços abertos.

A noite seria uma de contrastes, com a banda que antecedeu os cabeças de cartaz Within Temptation, a ser também a que daria a descarga sonora mais brutal do dia. Não seria de esperar menos de um dos grandes nomes a sair da prolífica cena Death Metal da Flórida, os Deicide. Liderados pelo icónico, e polémico Glen Benton, a banda entrou com “When Satan Rules His World”, “Bastard of Christ” e “Carnage in the Temple of the Damned”. A partir daí foi um manancial de violência com o foco a cair quase na totalidade nos álbuns clássicos dos anos 90. Sem grandes conversas, sem grandes interacções, simplesmente uma banda a tocar clássicos como “Once Upon the Cross” com intensidade e força.

Chegava a hora dos Within Temptation, uma banda que esteve entre a principal vaga de metal sinfónico com voz feminina, e que desde então foi sempre crescendo, mesmo a nível comercial. A intro de tom solene ia soando enquanto a audiência se concentrava no ecrã gigante, onde iriam aparecendo as primeiras imagens, incluindo um campo de girassóis a dar lugar a pedras tumulares, numa referência à guerra da Ucrânia, tema sobre o qual a banda tem sido vocal. Isto lançaria o tema “We Go To War” e a entrada em palco de Sharon den Adel vestida com uma bandeira portuguesa. Seria seguido pelo tema título do álbum mais recente “Bleed Out”, os dois únicos temas tocados do novo trabalho. A tirar o melhor partido do ecrã em palco com vídeos diferentes para as várias músicas, os Within Temptation foram passando pela discografia com foco no material mais recente. “Faster” trouxe uma visível onda de entusiasmo no público, com destaques para “Supernova” e “Paradise (What About Us?)”, esta última em dueto com Tarja (presente em gravação). Entre os clássicos nesta fase ficariam “Stand My Ground” e “The Howling”.

A banda esteve em muito boa forma, energética, a dar vida ao concerto, em especial Sharon. Como sempre muito boa presença como frontwoman, na postura e movimento em palco, na comunicação e empatia com o público, e no desempenho vocal impecável. Para o fim ficaria talvez o melhor momento do concerto e também aquele em que Sharon den Adel mais brilhou com o regresso a “Mother Earth”, primeiro por “Ice Queen”, seguido pelo tema título. Depois da presença na edição de 2015 os Within Temptation voltaram a Vagos e deram um concerto ainda melhor e com mais alma.

Depois do cabeça de cartaz, e com o avançar da hora, é normal a última banda ter bastante menos público. Para as Thundermother, a audiência que ficou em frente do palco foi bem maior do que o normal, e justificou-se. É difícil não pensar em bandas como AC/DC ou Airbourne quando ouvimos o hard rock da banda sueca totalmente feminina. O quarteto conseguiu injetar uma grande dose de energia no público logo com temas como “Loud and Free”, “The Road Is Ours”, “Take the Power” ou “I Left My License in the Future”. A música em conjunto com a postura irreverente e imparável que mostraram em palco fez deste um dos concertos mais memoráveis desta edição do Vagos. Este era também o dia de aniversário da baixista Majsan Lindberg, o que lhe valeu ter o público a cantar os parabéns. As Thundermother, foram o final de noite perfeito.

Texto por Filipe Ferreira
Fotos por Filipa Nunes
Agradecimentos Illegal Productions


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