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WOM Report – Vagos Metal Fest @ Quinta do Ega, Vagos – 05.08.26 – Dia 1

Vagos voltou a ser o ponto de encontro de milhares de metaleiros, em mais um Vagos Metal Fest. Cinco dias de festival fariam desta a edição a mais longa até hoje, e o cartaz com nomes de peso fazia antever algo de memorável. Este ano trouxe algumas novidades. Em vez de dois palcos, foi feita a aposta em apenas um palco, maior e com mais condições, que permitia a troca de bandas em 15 minutos (algo que no geral decorreu sem falhas). A ocupar toda a parte de trás do palco, o ecrã gigante permitia o uso de suporte visual por parte das bandas, e o sistema de som apresentou grandes melhorias em relação a anos anteriores. Este primeiro dia começou um pouco mais tarde que os seguintes, com as portas a abrirem às 17:30 e a primeira banda a começar às 18, o que justificou as primeiras atuações terem mais público do que é costume.

O início do que seria uma verdadeira maratona metaleira, coube aos japoneses Ethereal Sin. Apresentando um Black Metal Sinfónico que a agressividade une uma boa dose de melodia. Incluindo até um lado power metal como em “999 Swords” que conseguiu colocar o público a cantar em coro. Existe também um lado dramático na forma como a banda se apresentou, com boa presença em palco, onde entram elementos japoneses como o leque empunhado pelo simpático Yama Darkblaze. O lado sinfónico pode sobressair, ficando uma boa imagem do som da banda ao longo de temas como “Setsuna” ou “Into the Misty Rain”.

Mantendo o tom sinfónico, a banda que se seguiu foram os Melodious Deite. O som da banda consistia em Power Metal Sinfónico, rápido e com momentos neoclássicos como em “Lucifer – The Fallen Star”. Apesar do mentor, o guitarrista, Biggie Phanrath ser tailandês, a atual formação é verdadeiramente internacional contando com elementos da Bélgica, Ucrânia e República Checa. Tendo habitualmente voz masculina, a entrada da vocalista Arina (que se apresentou em palco com asas brancas e espada), trouxe uma nova dinâmica à música dos Melodious Deite, incluindo uma maior agressividade, que trouxe bons resultados.

Seguiam-se os An Endless Path com a primeira dose de adrenalina do festival. A banda de metalcore das ilhas Canárias entrou com atitude e energia, levando o público em Vagos a mexer. Já com bastante gente junto ao palco, foi aqui que o festival teve os primeiros momentos de circle pit. Com temas como “Afraid of Darkness” e “Gallows” em destaque, não faltou o novo single da banda “Nothing Matters To Us”. “Betrayer And Fault” fechou o concerto com a primeira wall of death do festival.

Com a banda seguinte mantinha-se a agressividade. Vindos dos USA os Almost Dead, trouxeram thrash cheio de groove, e muita vontade de não deixar o público descansar. O vocalista Tony Rolandelli pediu movimento, foi para cima das colunas em frente ao palco, e o público retribuiu com o circle pit e uma wall of death ao longo do concerto. Não faltaram temas do mais recente “Destruction is All We Know” com destaque para a thrashada de “Warheads In The Sky” e “Where Sinners Cry” que encerrou a participação dos Almost Dead.

O chegar a noite trouxe um dos primeiros nomes mais sonantes. Os veteranos Cro-Mags são uma das bandas mais influentes do crossover, e da cena hardcore de Nova York. Com o álbum clássico “The Age of Quarrel” a fazer 40 anos, foi apropriado começar com “We Gotta Know”, e que tenha sido dada especial atenção a esse álbum ao longo da noite. O novo single da banda “Wired for Chaos” também marcou presença, um tema forte, com um bom riff de thrash metal. O baixista e vocalista Harley Flanagan teve uma grande presença em palco demonstrando uma enorme energia, apesar de como o próprio referiu, por estar prestes a ser operado às costas não estava a correr tanto como seria habitual. Flanagan mostrou-se muito comunicador com o público, dedicando “World Peace” às vítimas das guerras causadas pela ganância dos políticos, e num momento emotivo, deixou a homenagem a Lou Koller, vocalista dos Sick of It All, falecido este ano. Músicas como “Show You No Mercy” e “Days of Confusion” mantiveram o concerto sempre a abrir, e o público muito animado ia mantendo o circle pit a andar, e fazendo crowdsurf. De salientar também a boa qualidade de som que ajudou muito a festa. Para o final ficaria o clássico “Hard Times”, numa das atuações de destaque deste dia.

A poucos dias do início do festival, os Ill Ninõ cancelaram a sua presença, o espaço no cartaz seria ocupado pelos portugueses RAMP. Uma entrada forte com “In Sane”, “How” e “Dawn” criou o ambiente, e mostrou que os RAMP vinham carregados de “tuga power”, expressão do vocalista Rui Duarte. Perante muito público presente, a banda foi passando um pouco por toda a carreira, não esquecendo o mais recente “Insidiously”, de onde saíram temas como “Those We Cannot Blame” ou “The Number One”. Um som poderoso e limpo dava corpo aos temas, com a banda a ter muito boa prestação. Destaque ao poder vocal de Rui Duarte, que foi muito comunicativo e não parou ao longo do concerto. “Clear”, “Blind Enchantment” e “The Cold” foram algumas das melhores da noite, onde ainda houve direito à cover de António Variações, “Anjo da Guarda”. Talvez o melhor momento tenha sido em “Hallelujah”, com o público a juntar-se à banda em coro. Excelente regresso a Vagos de um dos grandes nomes do metal nacional.

Chegava a altura dos cabeças de cartaz deste primeiro dia, e dos nomes de peso do metal mundial, Lamb of God. Muito público, num dia de lotação esgotada na Quinta do Ega, chamava pelo nome da banda quando se notava que a entrada em palco era iminente. O arranque do concerto foi arrebatador com “Ruin”, a monumental “Laid to Rest”, logo seguida por “Blood Junkie”, com o grito de ordem “fuck your war for oil”.
Com a audiência agarrada pelos colarinhos, a banda seguiu com a apresentação do novo álbum “Into Oblivion” lançado este ano, com o tema título. Do novo trabalho estaria ainda presente a potente “Parasocial Christ”, numa noite em que a banda da Virgínia deu especial atenção a temas de álbuns clássicos como “As the Palaces Burn”, “Ashes of the Wake” e “Sacrament”.

O som estava muito bom e a banda a toda a cilindrada, permitia sentir a intensidade visceral dos Lamb of God. No centro, o icónico Randy Blythe foi um verdadeiro bicho de palco, na performance vocal agressiva, na energia a mover-se em palco, e na presença que demonstrava. Visualmente o ecrã de fundo serviu de suporte para vídeos ao longo dos vários temas, existindo também pirotecnia, num concerto que se manteve bem quente. O público reagiu com circle pit contínuo e muito crowdsurf. O bem disposto Randy Blythe acabaria a dedicar “Now You’ve Got Something to Die For” aos trabalhadores da restauração, depois de referir como tinham estado no Porto a comer polvo e francesinhas. Numa setlist bem escolhida, temas como “Walk with Me In Hell” ou “Omertá” estiveram entre os destaques. Para o final ficaria o melhor, depois de Blythe pedir o maior circle pit do festival, a banda terminaria com a muito aguardada “Redneck” para uma explosão de movimento na audiência, e de fogo em palco. Grande concerto dos Lamb of God em Vagos.

Depois da enchente em Lamb of God, foi uma plateia mais reduzida que se manteve para receber os italianos Kenòs. Death metal carregado de brutalidade, não deixou baixar os níveis de energia entre o público. Pelo menos ao vivo, alguns momentos de acalmia que iam surgindo em alguns temas, criaram uma sensação de corte de fio condutor no concerto. Esta foi também uma oportunidade para os Kenòs tocarem algum material novo como “Black Hand” e “Ninive”, esta última tocada ao vivo pela primeira vez.

Depois de no próprio dia Jeremy Harry Harris ter sido obrigado a cancelar a presença em Vagos por razões de saúde, os portugueses Chaosaddiction entraram em cena. Alguns problemas técnicos no início não impediram o colectivo de animar os bravos que às duas da manhã estavam prontos para continuar o circle pit. Temas saídos do álbum de estreia “Kintsugi” como “Drama King”, “Sinto Muito” ou “Lovesick”, deram uma injeção de energia carregada de thrash e groove a este fim de primeiro dia de festival.

Texto por Filipe Ferreira
Fotos por Filipa Nunes
Agradecimentos Illegal Productions


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