WOM Report – Tarja, Temperance, Serpentyne @ Altice Arena – Sala Tejo, Lisboa – 07.03.20

O regresso de Tarja Turunen ao nosso país é sempre um evento a assinalar para uma já verdadeira legião de fãs. Comprovámos isso mesmo não só através das pessoas que compareceram ao chamado mas também pela variedade de em termos etários, algo que resulta da excelência musical que a carreira da vocalista tem conseguido manter mesmo depois de sair de uma banda como Nightwish. Estatuto esse que já foi ultrapassado há muito tempo, tendo a finlandesa conquistado o seu próprio espaço à conta de muito e inspirado trabalho. Tal como o mais recente trabalho, “In The Raw” demonstrou, trabalho esse que é a razão desta digressão onde Tarja viaja acompanhada pelos Temperance e Serpentyne.

Serpentyne foram os primeiros a subir ao palco mas notou-se que a banda era desconhecida para os fãs portugueses, apesar de serem uma banda já com dez anos de carreira e quatro álbuns de originais editados. Houve várias contrariedades a apontar em relação à sua actuação. O som não estava no seu melhor – baixo possante, guitarra só se fazia ouvir nos solos, gaita de foles eléctrica com um som precário e pálido em relação à tradicional que também se ouviu e as pistas das vocalizações de apoio a soar mais altas do que a própria voz de Maggiebeth Sand. Isso e aliada a alguma falta de cordenação entre os diversos músicos, fez com que esta fosse uma actuação uns furos abaixo do desejável. Ainda assim, e graças a músicas mais folk como “Lamma’s Night” ou a festiva instrumental “Morrighan’s Jig” que fechou a primeira actuação da banda britânica no nosso país, houve um crescendo que fez com que a impressão geral fosse razoavelmente positiva.

Também os Temperance se estrearam no nosso país mas com uma segurança e vitalidade bem mais acentuada. O género musical também era distinto, com um foco no heavy/power metal. Apesar da banda contar em estúdio com Michele Guaitoli, foi Gabriele Gozzi que acompanhou uma irrequieta Alessia Scolletti nas vozes – isto por Guaitoli estar neste momento em digressão com os Visions Of Atlantis, tal como pudemos comprovar na última passagem da banda pelo nosso país. Com um som mais poderoso e uma vida impressionante, a banda tentou fazer o máximo que conseguia com o pouco tempo disponível. “My Demons Can’t Sleep” e “I Am The Fire” foram o destaque da novidade “Viridian” mas banda ainda visitou o passado mais recente com as excelentes “We Are Free” e “Of Jupiter And Moons”. Mais uma estreia no nosso país que de certeza que conquistou muitos fãs.

Obviamente que as atenções estavam concentradas na banda seguinte e assim que as luzes se apagaram, caso restassem dúvidas, elas foram logo dissipadas. Apesar de não estar cheia, a Sala Tejo encheu-se pela expectativa de ver novamente a Diva do Metal Sinfónico a pisar os palcos nacionais. “Serene” do já mencionado “In the Raw” foi o tema de abertura e até mesmo antes de começar, Tarja já tinha o público rendido. No final do mesmo, dirigiu-se ao público em português, afirmando como estava feliz por estar de novo em Lisboa e agradecendo o apoio dos seus fãs. Com uma carreira já extensa, havia muito por onde escolher, no entanto não houve nenhum momento em que o que se foi buscar ao passado e aquilo que foi escolhido do novo álbum tivesse fluído de forma menos perfeita. Por falar em perfeição referimo-nos também à qualidade de som, que esteve sublime, com todos os instrumentos a terem espaço para serem ouvidos e brilhar.

A novidade “Goodbye Stranger” foi sem dúvida um destaque, com uma versão prolongada onde todos puderam brilhar, a fazer lembrar os melhores momentos rock/metal da década de setenta e oitenta, quando o virtuosismo ainda era algo apreciado, com todos os músicos brilharem em inspirados solos, e todo eles impressionando pela positiva. Este momento também foi aproveitado pela soprano para trocar de roupa e surgir renovada para uma impactante “Falling Awake” mas inevitavelmente foi o regresso a Nightwish com “Planet Hell” surpreendeu todos. Surpreendeu e agradou. A dinâmica faz parte do seu modus operandi e como tal, a seguir algo intenso, um momento intimista, onde Tarja se sentou atrás de um teclado que depressa foi montado à frente do palco e onde agradeceu mais uma vez pelo apoio ao longo dos anos. Confidenciou que gostava de sentir esta proximidade com o público e que era também uma forma de celebrar em conjunto a vida e o amor – a introdução para “You And I”, arrepiante.

Era da sua opinião que o tempo estava a correr demasiadamente rápido e podemos confirmar que não se deu pela passagem do tempo. Afirmou ainda que gostaria de estar com os seus fãs portugueses até ao último dos seus dias, algo que de certa fora acontecerá, com as memórias que guardamos de noite tão mágica que foi. Ainda se teve direito a um encore com quatro temas, sendo que “Until My Last Breath” foi o tema com que se despediu do público português, com uma enorma salva de aplausos e com uma sala que estava completamente extasiada por um momento superior de classe musical e de uma voz inesquecível que continua a impressionar hoje em dia tal como impressionou na primeira vez que a ouvimos.

Texto por Fernando Ferreira
Fotos por Sónia Ferreira
Agradecimentos Prime Artists


 

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